“a parte mais importante do corpo humano não é o cérebro nem o coração. é o ombro.”

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“E eu fui descobrindo que a parte mais importante do corpo humano não é o cérebro nem o coração. É o ombro. Quem não tiver o ombro para servir seu irmão, não merece o cérebro, nem o coração.”- Moacyr Franco.

A primeira vez em que escutei o cantor e compositor Moacyr Franco pronunciar essas palavras, foi um momento de extrema emoção para ele, em que ele contava parte da história de sua vida e, ao mesmo tempo, introduziu uma canção, que é uma de suas mais famosas composições.



Tive de parar o vídeo. Repeti essa parte por diversas vezes: primeiro porque gostei muito da frase, segundo porque eu precisava entender o significado além das palavras daquele homem.

O que é o cérebro e porque o julgamos tão importante?

De fato o cérebro, tanto biologicamente quanto abstratamente, é classificado como arquivo do conhecimento que possuímos (como alimentamos esse arquivo já é outra história). É lá que fica armazenada toda a bagagem que adquirimos ao longo de nossa vida.


Cabe ainda ao cérebro a “interpretação do mundo em que vivemos”. É ele que “lê” as informações que recebemos dos cinco sentidos (olfato, paladar, audição, tato e visão) e assim gera nossa compreensão de mundo.

Dessa forma, o cérebro seria, além do arquivo do nosso conhecimento, a “máquina” capaz de tornar possível a nossa vivência material. Porém, aqui nessa frase vamos pensar no cérebro apenas como conhecimento, uma vez que a interpretação do meio material serve apenas a nós mesmos.

Já o coração, biologicamente falando, possui a função de alimentar nossas células com oxigênio e receber o gás carbônico, antes de enviá-lo aos pulmões. O coração, então, purifica nosso sangue, enviando o que nossas células precisam e recebendo o que elas não precisam.


No entanto, subjetivamente, o coração é tido como origem das emoções: uma pessoa que dizemos ter “o coração grande” é uma pessoa que possui muito amor. Compreenderemos então o coração como os nossos princípios, já que nos textos passados fiz questão de enfatizar que todos os princípios têm origem no amor.

Mas e o ombro? O que é que o ombro representa que, quem não o possui, sequer merece um coração ou um cérebro?

O “ombro amigo” representa o trabalho, o serviço para o próximo; é a caridade com as outras pessoas, a nossa libertação do egoísmo e o convite ao trabalho mais importante: ajudar ao próximo.

De que adianta ser conhecedor de tudo o que há no mundo, possuir virtudes em grau máximo e guardar tudo para si? É aqui que entra a caridade.

A caridade de que falamos não é caridade material (que também não deixa de ter sua importância), mas algo conhecido como “caridade imortal”, que é aquela que não se desfaz com o tempo. É mais ou menos a mesma ideia do ditado popular: “não dar o peixe, mas ensinar a pescar”.

É uma caridade de conhecimento, de sabedoria, que soma no interior da pessoa e reflete em suas ações pelo resto de sua existência, caso bem absorvida. Um exemplo mais fácil de assimilar é o papel do dos pais, demais familiares e do professor na educação. É algo que marca a vida da pessoa.

Assim sendo, de nada adianta possuirmos um grande cérebro (enorme conhecimento) e um gigante coração (ser virtuoso e cheio de amor), se não dividirmos nada do que possuímos com as outras pessoas (ombro amigo), com o fito de permitir a elas usufruir também do mesmo estado (tranquilidade, intelectualidade, etc) em que nos encontramos.

No final, não existe disputa de quem está melhor, mas apenas tristeza acerca do porquê um músico não contou ao outro os segredos para acompanhar com perfeição o grande concerto, do qual todos fazemos parte, que é o Universo.

Forte abraço e uma boa semana!

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Direitos autorais da imagem de capa: sifotography / 123RF Imagens

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