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Passo meus perrengues, mas não dependo de homem nenhum

Sim, sim, eu passo meus perrengues, é verdade, mas isso está longe de ser uma reclamação. Na real mesmo, eu tenho orgulho de mim!


Batalho, vou à luta, tenho meus momentos de questionamento e cansaço, mas nunca dependi de homem nenhum para nada. E se engana quem pensa que é soberba ou arrogância, é que de tanto apanhar aprendemos a ter amor-próprio e o meu, hoje em dia, vem em primeiro lugar.

Aceito ajuda, se for de bom coração e por amor; para humilhação e dor, eu realmente prefiro ficar sozinha.

Ao meu lado, só fica quem eu escolho e quem muito amo, e sei que me ama na proporção exata. Reciprocidade é a minha palavra de ordem para, na hora em que não estiver mais sendo bom, recíproco e feliz, eu poder ir embora do mesmo jeito que cheguei, com as minhas coisas: caráter e dignidade. Não quero nada de ninguém, tenho o estranho vício de conquistar as minhas coisas.


Já quebrei muito a cara, também é verdade, confiei em quem não merecia um pingo de confiança, já fui sabendo que eu não deveria ir, já esperei por quem eu sabia que não viria… Mas, pelo menos, uma coisa boa posso dizer de mim: eu vivi e sempre fui leal a mim mesma, em primeiro lugar.

Eu sou uma mulher cara, sim, por isso mesmo não vendo a minha paz por nada neste mundo, meu amor não é negociável e não barganho meu afeto por qualquer companhia. Já tentaram me comprar, mas do jeito errado; não me vendo barato. Tudo de que eu gosto é raro, valiosíssimo!


Estou à venda, sim, e digo mais: eu me rendo fácil a tudo aquilo que o dinheiro não pode comprar.

Você me leva à vista, à primeira vista que nossos olhos se cruzarem e meu coração acelerar. Aceito cartão, também, acompanhando lindas flores com dedicatória ou bilhetinho escrito à mão. Que tal parcelar? Parcele seu amor, vou adorar recebê-lo em suaves prestações, por toda a vida.

Não tente me comprar com coisas caras e poder, o que me arremata é o glamour da simplicidade, gente que ostenta sorrisos sinceros de felicidade, que tem boa energia para dar e vender. Arrebatam-me os pequeninos gestos rotineiros, as inesperadas viagens de fim de semana…

Tenho meus luxos e não abro mão: cheiro de terra molhada ao abrir a janela, café fresco de manhã cedinho e manteiga passando no pão. Nenhum perfume francês passa nem perto. Minha roupa de cama tem de estar impecável, nada de fios egípcios, mas secas ao Sol.

Gosto de colecionar boas memórias e sou extremamente seletiva, não me misturo com qualquer um; para andar comigo, é preciso ter estirpe, a alta estirpe de um caráter bom e honesto não se encontra em qualquer esquina.

Não costumo frequentar lugares de baixo nível. Energia baixa, risadas baixas, música baixa, isso realmente não é comigo. Só vou aonde sou aceita e querida, de salto alto e ouro, de chinelos e bijuterias.

Sou interesseira, admito, eu me interesso fácil por uma boa conversa e por tímidos sorrisos. Gosto do bom e do melhor, de tudo de melhor que só um bom amor é capaz de me dar.

 

Direitos autorais da imagem de capa: Christian Ferrer/Unsplash.




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