ColunistasAmor-Próprio

Percebi que posso amar e cuidar, mas não preciso ser forte o tempo todo

kinga cichewicz MnEnz7u0mIU unsplash

Não precisamos desbravar o mundo com unhas e dentes, levando um distintivo no peito e, por trás dele, muitas renúncias e batalhas perdidas.



Já acreditei que precisaria dar conta de tudo – mesmo que, na maioria das vezes, isso acontecia –, hoje não enxergo que se desdobrar em mil seja gratificante e necessário ou que é um fardo que recebemos sabe-se lá de onde.

O mundo devolve o que emitimos. Enquanto nos anulamos e nos desgastamos para ver todos os outros felizes, ficamos em último plano. Isso não tem a ver com egoísmo; amor-próprio tem a ver com evolução, com sintonia com a própria essência, com tornar-se melhor para ser melhor para todos que convivemos como consequência. Cuidar-se é saber que o “não” tem seu valor como o “sim”, que ensinar aos outros pode tomar tempo, bagunçar nossa rotina, mas depois nos deixa livres por períodos maiores de paz.

Com os anos, percebi que não preciso ser forte o tempo todo, que tenho um lado frágil e vulnerável que me revela mais autêntica, que posso amar e cuidar, mas não preciso ser uma guerreira, insana, testa de ferro.


Minha delicadeza também faz parte de ser uma mulher corajosa, mesmo com todas as minhas desistências e pedidos de colo. Pois agir com coragem é agir com o coração e, algumas vezes, o que ele quer é apenas afeto e compreensão.

Aprendi que quando peço ajuda não deixo de ter minha independência ferida e que ser autossuficiente em tudo é loucura. Anular-se, desrespeitando a própria saúde para se considerar capaz, é sinônimo de falta de confiança.

Quando me reconheci falível e receosa, eu me tornei ainda mais perseverante; quando olhei minhas vulnerabilidades, eu me vi muito mais destemida; quando me senti desprotegida, fui abolida; ao me permitir ser amparada, eu me senti muito mais amada.

Às vezes, queremos dar um passo maior que a perna, erramos na dose e nos machucamos. Reconhecer o que me fortalece e faz feliz é muito mais importante que aguentar tudo calada. Ser aprovada é dispensável, e quando luto por reconhecimento ou gratidão, eu me desgasto sem motivo e me sinto sugada.


Quando entendi que preciso ser compreendida em vez de útil, que não devo me atropelar para ser de verdade, que as lágrimas aliviam e que os abraços curam, entendi aquela parte da música:

“Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho…” (João Gilberto)

Segure nas mãos de Deus e vá na fé, vá na coragem. Ele sabe o que é melhor para você!

Artigo Anterior

Não tenha medo, tenha fé, você vai superar essa dificuldade com as graças de Deus

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.