Percebi que posso amar e cuidar, mas não preciso ser forte o tempo todo

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Não precisamos desbravar o mundo com unhas e dentes, levando um distintivo no peito e, por trás dele, muitas renúncias e batalhas perdidas.



Já acreditei que precisaria dar conta de tudo – mesmo que, na maioria das vezes, isso acontecia –, hoje não enxergo que se desdobrar em mil seja gratificante e necessário ou que é um fardo que recebemos sabe-se lá de onde.

O mundo devolve o que emitimos. Enquanto nos anulamos e nos desgastamos para ver todos os outros felizes, ficamos em último plano. Isso não tem a ver com egoísmo; amor-próprio tem a ver com evolução, com sintonia com a própria essência, com tornar-se melhor para ser melhor para todos que convivemos como consequência. Cuidar-se é saber que o “não” tem seu valor como o “sim”, que ensinar aos outros pode tomar tempo, bagunçar nossa rotina, mas depois nos deixa livres por períodos maiores de paz.

Com os anos, percebi que não preciso ser forte o tempo todo, que tenho um lado frágil e vulnerável que me revela mais autêntica, que posso amar e cuidar, mas não preciso ser uma guerreira, insana, testa de ferro.

Minha delicadeza também faz parte de ser uma mulher corajosa, mesmo com todas as minhas desistências e pedidos de colo. Pois agir com coragem é agir com o coração e, algumas vezes, o que ele quer é apenas afeto e compreensão.


Aprendi que quando peço ajuda não deixo de ter minha independência ferida e que ser autossuficiente em tudo é loucura. Anular-se, desrespeitando a própria saúde para se considerar capaz, é sinônimo de falta de confiança.

Quando me reconheci falível e receosa, eu me tornei ainda mais perseverante; quando olhei minhas vulnerabilidades, eu me vi muito mais destemida; quando me senti desprotegida, fui abolida; ao me permitir ser amparada, eu me senti muito mais amada.

Às vezes, queremos dar um passo maior que a perna, erramos na dose e nos machucamos. Reconhecer o que me fortalece e faz feliz é muito mais importante que aguentar tudo calada. Ser aprovada é dispensável, e quando luto por reconhecimento ou gratidão, eu me desgasto sem motivo e me sinto sugada.


Quando entendi que preciso ser compreendida em vez de útil, que não devo me atropelar para ser de verdade, que as lágrimas aliviam e que os abraços curam, entendi aquela parte da música:

“Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho…” (João Gilberto)

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