Quando a gente não diz o que sente, o outro vai embora sem saber que talvez tivesse um motivo para ficar.

Quando a gente não diz o que sente, o outro vai embora sem saber que talvez tivesse um motivo para ficar. E nesse jogo, perdemos todos.

Depois, já não faz mais diferença. Tem um momento para dizer. Depois disso, tudo o que se disser será como palavras ao vento que já não tocam ou sensibilizam.

Não se pode perder oportunidades. Não se pode deixar de falar o que se sente para o momento certo e ideal. Se o outro pede com os olhos e com atitudes uma reação nossa, é preciso, se ainda quisermos manter a relação, dar o que ele pede.

Quando falamos em dar o que o outro pede, é mesmo dar o que ele pede. Se ela pede que diga que a ama, é isto que deve fazer. Não é chegar com flores ou presentes caros. Não é abraçar forte ou brincar com o seu cabelo. É dizer.

Da mesma maneira, se o outro pede um beijo na frente dos amigos, é isso que ele quer. Se ele quer foto, não adianta mandar figurinhas ou poesias. Não quer juras de amor, às escondidas.

Quando a gente não se diz o que sente e não se permite que o outro saiba o que se sente, ficamos num círculo sem fim de quereres não atendidos e, certamente, perderemos quem mais gostamos.

Não podemos nos esconder dentro das grandes desculpas que damos nessas horas. Não podemos dizer que não é o nosso feitio. Não sou de falar. Não sou de fazer carinho. Não sou de mimar. Não sou de ouvir. Não sou de dançar. Não sou de ficar sentado à noite toda num café. Não sou de ver filme no sábado à noite. Não e não sou e não sou.

Vê a quantidade de negativas que criamos e usamos para justificar a nossa teimosia em ficar à beira da piscina e não mergulhar? É cansativo para o outro. E, de fato, para você, é pior. Porque à medida que não diz, não faz ou não reage como o outro anseia, está escrevendo a nota de fim de mais um relacionamento.

Não são os outros que são os culpados pelos relacionamentos darem errado. Não é ele que não tem tempo. Não é ela que ficou distante. Que mudou o comportamento. Que recebe mensagens de madrugada e as esconde de ti. Não é ele que mente. Não é ela que que voltou a fumar e que ri mais com os amigos do que contigo. Não é ele que fica acordado de madrugada e não vem deitar ao seu lado, preferindo ficar no sofá em frente à televisão.

Tudo tem início em nós. Tudo começa em nós.  Tudo tem um início e um investimento. Invisto em mim. Início a partir de mim. Do meu eu vem o todo que me circunda.

Logo, se não estás disposto a dar ao outro o que ele anseia, como é que pode exigir algo? Como pode querer e querer, se não satisfaz o querer do outro?

Todo relacionamento exige uma entrega, exige tempo e dedicação. É uma troca incessante de quereres, de amores, de dores, de beijos e sensações. De prazer e necessidades. De compromissos e juras. De afetos e de frustrações.

Entretanto, quando nos dispomos a querer o outro, como num infinito que nunca se encerra, damos um recado firme da nossa disposição ao dar ao outro o que ele anseia. Não é sacrifício, é entrega. Não é dor, é satisfação.

Se não estamos dispostos, então façamos um bem ao universo e libertemos o outro.

Na liberdade que damos ao nosso parceiro de seguir adiante, crescemos enquanto seres humanos que um dia terão condições de amarem e de serem amados. Se é sacrifício o fazer pelo outro, então não é amor. Pode ser carência, possessividade, medo de ficar só, mas não é amor. E se não é amor, não vale a pena.

Se não é amor, então, liberte. Deixe ir. Cure-se. Aprenda a viver apaixonadamente cada instante da vida e, um dia, estará pronto para amar e dar ao outro todo esse amor que transborda da alma e cai dos seus lábios nos meus quando é amor de verdade.

Sentido. Vivido e que tatua na pele, chegando à alma, na profundidade de nossa essência.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / martinan




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