Quando aprendemos a partir…

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Partidas, despedidas, idas e vindas.  Palavrinhas essas que traduzem diferentes momentos de nossa vida. Tudo muda.

As mudanças são inevitáveis em nossa vida e elas tanto nos levam pra longe quanto nos trazem de volta. Saber ir é tão importante quanto saber voltar. Em muitos casos ir é inevitável. Em outros tantos ir é necessidade. A ida é o pedaço que falta naquela transformação desejada. A ida é apenas um encontro a nos levar por outras estradas. Por vezes é tudo que podemos fazer.



Há quem vá e não volte. Há quem vá já pensando em voltar. Partidas. Despedidas que tanto nos tocam a alma, despedidas que podem ser eternas e despedidas que deixam tanta saudade que logo são transformadas em visitas. O mundo é tão grande que possivelmente alguns de nós pertençamos a diversos cantos diferentes dele. Alguns ficam felizes a vida toda em um mesmo canto, outros ficam felizes em dividir a alma e deixá-la em cada lugar que se passa. Não tem regra, uns gostam de ir e outros gostam de ficar.

Ir é decisão das mais difíceis. Ir é das decisões mais gratificantes. Ir é apenas seguir a estrada que devemos. Partidas para o lado de lá. Partidas planejadas. Partidas no impulso desejoso de novos ares. Partidas em busca de lugares que nos mostre quem somos claramente. Às vezes é na solidão do novo que nos olhamos com mais verdade. Longe de burburinhos. Outras vezes o que precisamos é de novos burburinhos, que nos conheçam menos para ser silêncio mesmo na multidão.

Ir pode até parecer fuga. Ir pode até ser fuga. Mas a vida ensina que quanto mais a gente foge de si, mais oportunidade ganharemos de nos conhecer. Ir é vontade de sentir aquele cheiro de adrenalina no meio do caminho cego, esses mesmo que você já ama mesmo sem enxergar suas nuances. Ir é vontade de desbravar a alma em situações que no lugar comum você jamais se atreveria. Ir é colocar nas costas toda a esperança para construir uma nova e melhor vida, pela simples vontade de mudar. Ir é ter urgência de experiências que não podem nem ser imaginadas! Ir é dar-se uma chance diferente. Ir é ter sede de beber das águas desses rios desconhecidos que nascem em nossas estradas. Ir é um processo viciante. Quanto mais se vai, mais se quer ir. Que sorte a nossa do mundo ser grande e cheio de oportunidades e possibilidades de ida.


 As partidas colocam tantos sorrisos no rosto quanto lágrimas, afinal o amor gosta de uma presença física.

E assim a cada volta, a emoção é a mesma e há agora um amor que deixamos lá ao voltar, certamente. Ir é amar sem limites, sabendo que dentro de si há espaço para amar mais e mais. Ir é saber que não há mal algum em deixar um pedaço de si pelas estradas da vida. Ir é expandir horizontes e almas. Ir não é deixar nada para trás, ir é somar mais por onde passa. Ir não é abandonar quem ficou, ir é aprender a amar na distância do corpo físico e se dar conta que o amor é mais forte do que quilômetros de distância. Ir é crescimento. Ir pode dar certo ou não, é só uma tentativa que qualquer um merece se dar.

Ir é olhar nos olhos da vida e ver o quão pequeninos somos. E como é bom ser um pequeno aprendiz nesse mar de culturas, vidas e histórias. Ir é começar de novo, é se dar a oportunidade de começar do zero. Ir é esse mistério que tanto nos divide. “Vou ou fico?” nessa casa, nesse amor, nessa amizade, nesse trabalho, nessa cidade… assim nos perguntamos. Ir é presente de vida. E quem vai sempre pode voltar, caso queira, caso precise. A vida é um vem e vai sem limites, a inconstância da vida nos permite ser santos e pecadores.

Nenhuma partida precisa ser definitiva. Nem todo encontro precisa ser despedida. Ir é só se permitir viver cada oportunidade. 

Vá se quiser. Fique se quiser. Volte se quiser, quando der. Só não deixe de ir pela sua própria estrada.


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Direitos autorais da imagem de capa: mtilghma / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 13/04/2017 às 6:42






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