Quando o amor entra, sem pedir licença, as nossas bases estremecem

Eu não buscava absolutamente nada, só queria ficar em meu apartamento lendo um bom livro, ouvindo uma boa música, assistindo às minhas séries preferidas na TV e curtindo a paz interior da atmosfera criada por mim.

Morar sozinho tem os seus benefícios, morar sozinho não é sinônimo de solidão, é mergulhar de cabeça em várias questões do autoconhecimento, onde você amadurece de fato e aprende que viver uma vida com outra pessoa tem que valer a pena para manter sua paz de espírito.

Não cair em qualquer conversa é a tão sonhada maturidade que se adquire aos 40 anos. Em muitos casos, é libertador e toda bagagem adquirida nos deixa enxergar o desfecho e, acredite, é grande a probabilidade do desfecho ser certeiro.

A vida em seu constante movimento muda a cada dia. Algumas surpresas podem acontecer para balançar suas estruturas, e, mesmo com tanta maturidade, erros e acertos fazem parte da jornada, independentemente da idade.

Justamente quando a porta estava trancada, o amor entrou sem pedir licença, sem nenhuma permissão, e aquele frio na barriga de um reencontro da adolescência criam em você novas expectativas, fazendo com que volte a acreditar e apostar novamente em um relacionamento.

Com toda segurança, com um passo de cada vez e aguardando as circunstâncias para analisar dia após dia, aliás, era assim que deveria acontecer, porém, o manual de instruções contém páginas em branco, onde nós mesmos temos que escrever e arriscar.

Ou seja, algumas perguntas parecem um teste para o próximo semestre, mas nem sempre estudamos o suficiente para respondê-las, e mesmo com a porta trancada, o amor entra por alguma brecha, sem pedir licença.

O conflito interno entre o coração e a razão permanece, o psicológico pede para ir com calma, porém, estamos em um estágio em que não temos tempo a perder, pois em um piscar de olhos deixamos de viver momentos incríveis.

Tudo foi rápido demais, em menos de um mês já fazíamos planos para morar juntos, como se fossem duas crianças que encontraram o primeiro amor.

A adaptação não foi fácil, os relacionamentos independentes do tempo precisam de ajustes e, neste caso, não seria diferente, pelo pouco tempo em que juntos decidimos dividir o mesmo teto, ou seja, sair do seu mundo para somar com o mundo de outra pessoa.

Agora somos dois, deixando o egoísmo de lado, sem pensar em benefícios individuais. É o desafio da convivência entre duas pessoas caminhando para futuras etapas e tomadas de decisões.

Quando a porta está trancada e o amor entra sem pedir licença, as nossas bases estremecem, porém, na convivência não existe um manual certeiro, temos que nos despir das respostas prontas e começar a criar novas oportunidades.

O que pode dar certo para milhares de pessoas, nem sempre caberá em você, por isso existem casais que namoram anos e ao casarem percebem que não existe a tão falada compatibilidade.

Assim como existem pessoas que em menos de um mês mudam toda a estrutura para viver o que o universo lhes presenteou, onde a palavra gratidão se torna pequena, diante de tudo que nos é proporcionado na vida em comum.

Podemos resumir que aos 40 anos, apesar da maturidade, também tomamos decisões julgadas como precipitadas por quem está de fora.

Porém, quando a porta está trancada e o amor entra, sem pedir licença, existe a responsabilidade de nos permitir viver momentos onde não temos tempo a perder e todo aprendizado só engrandece o futuro que ainda desconhecemos, por estarmos aproveitando o presente.


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