Que a páscoa que inventei agrade minha mãe, amém!

6min. de leitura

Que a Páscoa que inventei agrade minha mãe, amém!

Preparei sucos de maçã e chás de pêssego, assei muffins em forma de coração cobertos de chocolate afinal estamos na semana da Páscoa, comprei vasos de tulipas amarelas e vermelhas e os coloquei em todas as janelas da casa evocando uma atmosfera irradiada de aconchego e paz, aliás muita paz, amém (vai saber o porquê no final).



Peguei o pote de chantilly e assim como um pintor que cria suas “artes” fui desenhando pegadas de coelho por toda casa. Queria ser mais do tipo Dan Brown e codificar isso tudo em um amontoado de símbolos para ficar mais intrigante, porém para quem está fadada a morrer sentimentalista não consegue trabalhar com algo que precisa de muita lógica. Tudo que requer o mínimo que for de razão já deixou de sentir.

Quem ali entrasse teria certeza de que coelhos tinham invadido a casa. Dei um sorriso pensando em minhas proezas e pensei, o amor torna as pessoas bobas, porém mais criativas, naquele dia eu me sentia uma mistura de Jerry Lewis com Leonardo Da Vinci. E quer saber, não estou nem aí. Quero mais que minhas bobeiras sejam amadas, principalmente pela minha mãe, amém.

Abri a porta dos fundos para insinuar que o “coelho” entrou por ela usando a chave que estava em um chaveiro de cenoura jogado no chão… Calma…. Peguei uma escadinha móvel de 5 degraus e coloquei perto da porta dando a impressão que o coelho a usou para girar a chave na fechadura… Risos…


Uma brisa daquelas que ao entardecer refrescam até nossa alma entrou pela casa. As tulipas se abriram mais agradecendo o frescor e não sei porque danei a espirrar. Que não seja o mau presságio, amém. Bati também 3x na madeira com tanta força que os talos dos meus dedos ficaram roxo. Fui no banheiro e enrolei esparadrapo nos dedos, depois peguei canetinhas e desenhei um coelho de olho roxo sobre ele. Ideia de jerico, infelizmente amo jericos.

Os últimos raios de sol criavam prismas que ao passarem pelos vidros dos copos e das jarras distribuíam arco-íris por todos os cantos. Confesso que me sentia num conto de fadas. Lutava de modo ferrenho com o meu inconsciente para não acreditar que o coelho realmente abriu a porta com o chaveiro de cenoura e entrou… Risos… Uma louca que gosta de inventar, não existe mistura mais atômica e além disso pisciana com ascendente em Câncer. Já pensou no tipo do meu ser? É melhor não pensar não, para quê, se já está lendo este texto seja o que Deus quiser.

Ouvi um barulho na porta da frente, apressei-me e escondi debaixo da cama. Depois de muito custo consegui estar definitivamente debaixo da cama. Sai Fully, disse baixinho para minha cachorrinha que deixou o rabo de fora… O barulho dos passos iniciaram, eu conhecia muito bem aquele toc… tuc… toc… toc… tuc… Aquele andar de mãe que chega em casa querendo dizer “mamãe chegou, se estiver fazendo algo que não gostarei é melhor se esconder”.


Fully ficou olhando nos meus olhos e o rabo abanando como um leque de madame para diminuir o calor, tentando entender o que a mamãe (eu) estava fazendo ali que geralmente era o lugar dela ficar.

– Fully olha o gato – disse para ela que saiu em disparada.

– Meu Deus, que coisa branca é essa espalhada por todo chão?! – Ai meu Deus, esqueci que chantilly derrete, mamãe vai querer me colocar no rolete do porco, pensava suando quente e frio comigo.

– Fully, onde está sua dona? – Fully olhou para mamãe como se tivesse passado pasta d’água na carinha, ela havia lambido todo chantilly o que desencadeou numa diarreia daaaaqueeeellllasssss. Ao invés de patinhas fofinhas de coelhos tinha marcas não muito cheirosas deixadas pela Fully.

– Eu mato a sua dona! Andrea onde você está? Não adianta esconder?

toc… tuc… toc… toc… tuc….

toc… tuc… toc… toc… tuc….

toc… tuc… toc… toc… tuc….

toc…  tuc… toc… toc… tuc….

toc… tuc… toc… toc… tuc….

Parei de respirar quando ela entrou no quarto com a Fully atrás, dando mais razão para ela me dá um sermão. Sentia que estava ficando roxa, tive a impressão que ficar sem respirar expulsa a pupila para fora.

Vi os sapatos de salto dela… ela ajoelhou e deu de cara comigo…

– Andreaaaaaaaa!

– Desculpe senhora, mas me chamo Alice!

– A do País das Maravilhas?

– Aham!

– Você pintou o cabelo Alice?

– Na realidade eu usava peruca.

Bom, preciso acabar o texto aqui e que Deus me tenha, amém. Falem amém também.

___________

Direitos autorais da imagem de capa: choreograph / 123RF Imagens

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.