Que possamos sempre exibir a vastidão de inúmeras cores, mesmo que o mundo insista em encontrar uma tonalidade cinzenta…

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Era uma tarde chuvosa na grande metrópole Paulistana.



Ela olhou para a janela do alto de um edifício e  viu um mar de guarda chuva. Um mar imenso e colorido e pensou consigo: – “Nossa, que bonito!”.

Pegou sua bolsa e, sem muito olhar para o relógio pressionante, desceu os longos 7 andares como quem ia se encontrar com um grande amor.

Mas seu encontro mesmo era com a chuva torrencial daquele fim de tarde. Abriu seu guarda chuva amarelo, propositalmente tardio, para que algumas gotas molhassem seu rosto. Sentiu-se viva, sem poeira, sem eira nem beira.


Esboçou um leve sorriso e abrindo os olhos, pôde ver as pessoas que estavam embaixo daqueles guarda-chuvas… e notou algo terrível:

Embaixo de vários guarda-chuvas coloridos haviam pessoas sem cor.

Tentou prestar atenção e olhar mais de perto. Algumas seguravam o guarda-chuva e com a outra mão seus smartphones.


Outras buscavam encontrar no chão respostas para as maiores perguntas feitas por suas almas.

Outras ainda andavam, sem saber ao certo, aonde iriam chegar. Todas acobertadas em suas pequenas redomas, em seus pequenos universos, deixando de contemplar o riso de crianças que se divertiam pulando em poças d’água e passarinhos deliciando-se em banheiras verdes.

O vento que descabela mais que os cabelos… descabela também o espírito, fazendo-o suspirar e não mais respirar.

As pessoas estão se tornando a cada dia mais cinzas. Embora acostumadas a diversas atualizações diárias, têm medo do novo… imensuravelmente simples.

O toque digitalizado tenta expressar mãos entrelaçadas…

O filtro da câmera nos tira a olheira, a palidez, o tímido, o cansaço,  o cinza. Nos dá cores quentes, alegres, vibrantes… inquietantes e solitárias.

O som alto dos fones de ouvido é somente para abafar o silêncio gritante da alma e, caso você não faça  parte desta tonalidade, você é  taxado de diferente. Colorido demais. Vivo em excesso.

Que possamos sempre exibir a vastidão de inúmeras cores, mesmo que o mundo insista em encontrar uma tonalidade cinzenta, que não tem mais razão, nem espaço para caber em nós.

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Direitos autorais da imagem de capa: deklofenak / 123RF Imagens

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