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Quem ama deixa o outro livre, porque o que une duas pessoas é a vontade do outro e vontade é uma coisa espontânea

O  sentimento de posse muitas vezes usa a máscara do amor, mas quando ela cai, vemos que ali só existe puro egoísmo. Quando você ama quer ver o outro feliz e livre para manifestar sua personalidade única.

Ninguém é massa para ser moldado pelo outro de acordo com sua insegurança. Ninguém merece ser vigiado e ter que fazer relatórios de suas atividades e momentos vividos de quinze em quinze minutos.


O amor não é um senhor de escravos pronto para julgar faltas e imperfeições contrárias a sua exigência. Amar é sentir-se em paz e refletir essa serenidade. Ciúmes não é prova de amor, é a porta para a prisão perpétua do sentimento.

Quem ama deixa o outro livre, porque o que une duas pessoas é a vontade do outro e vontade é uma coisa espontânea, jamais imposta.

Se duas pessoas se aproximam é porque há atração, desejo de conhecimento, afinidades, tudo para uma boa relação, mas depois da conquista, há uma certa tendência para a acomodação, e se um ou os dois tem problemas emocionais antigos não ou mal resolvidos, começa  o afastamento do amor e a predominância do ego.


Todas as vidas são sagradas e devem manter-se separadas para que haja respeito e nunca uma relação abusiva, de submissão não consentida, não aceita, sofrida.

Quem ama deixa o outro no seu sossego normal do cotidiano, com seus gostos, manias, trabalho e diversões.

Os parceiros, amantes, esposos ou namorados podem e devem ter seus momentos com amigos, seu lazer, academia, dança, viagens, seja o que for, porque o que segura uma relação é a alegria e sentir-se bem consigo para sentir-se ainda melhor com o outro.

O mundo deveria evoluir, mas cada vez com maior intensidade, a possessividade e a insegurança permeiam os relacionamentos, trazendo conflitos ao invés de harmonia. Amar é complementar, transbordar energia, resplandecer, jamais tentar encolher e esconder o outro dos olhos, ouvidos e palavras de todos.


Se você ama não pode sentir-se feliz perturbando com insistência e alterando para pior a rotina já estabelecida, de quem está com você. Se você tem apego excessivo existe algo de errado, algo a ser trabalhado para o bem comum. Experimente meditar buscando o autoconhecimento ou até fazer uma análise ou tratamento, porque só não existe cura para a falta de amor. O mundo está turbulento e a violência cresce na mesma proporção da indiferença e do descaso com o próximo.

Comece amando a si mesmo, sabendo que todos temos falhas mas que, por sermos seres essencialmente colaborativos, também podemos mudar, aparar arestas, jogar o peso do lixo emocional para longe.

Se o passado deixou marcas negativas, passe em cada uma um corretor eficaz, reescreva sua história e busque a sua paz. Desapegue-se do excesso, do exagero da presença física do outro, porque assim seus momentos a dois terão mais qualidade, entrega e confiança.

O mundo precisa mudar e essa mudança só vai ser possível se cada um buscar a sua tranquilidade.

O sentimento de posse traz a falta de paz para quem sente e para quem recebe e a desarmonia vai se perpetuando, com pessoas brigando por coisas pequenas, caprichos ou por egoísmo de quem pensa só na aparente e frágil segurança, de quem acha que tem o controle do outro e da relação, mas isso é um distúrbio mental e emocional que só traz consequências ruins para ambos.

O amor, esse sim precisa ser cultivado, venerado e vivido em profundidade por nós, seres em constante busca de aceitação, aprovação e aprimoramento.

Libere a vontade de controlar o outro, descobrindo sua imensa, intensa, capacidade e vontade de amar, além e apesar de qualquer aparência contrária à felicidade total que merecemos ter e viver.


Direitos autorais da imagem de capa: Brooke Winters on Unsplash




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