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SAUDAÇÕES A QUEM TEM CORAGEM! – SEJA A SUA MELHOR COMPANHIA!

Seja a sua melhor companhia: Ela queria sair para curtir uma música ao vivo, num barzinho local, mas não tinha companhia.



E não tinha porque estava seletiva. Não conhecia ainda muitas pessoas na cidade e não estava disposta a sair com qualquer um. Àquela altura da vida, já não tinha paciência para tolerar chatos, gente que não entendia suas piadas ou simplesmente caras que estariam ávidos por acompanhá-la por equivocadamente acreditar que o final da noite lhes renderia algo do que um “até mais”.

Após refletir se deveria ir ou optar pela boa e velha fórmula do pijamão + tv (quem também tem seus encantos) acabou inspirando-se no clássico som do “The Clash” (Should I stay or should i go) e optou pelo “should i go”.

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Colocou um belo vestido, um batom à altura, pegou seu carro e contou com seu amigo “waze” para chegar em segurança ao local ainda desconhecido. Sim, pois aquela mulher “avulsa” havia decidido se divertir naquela maravilhosa noite de outono.

Ao chegar, foi acolhida pelo ambiente aconchegante do bar, onde puxou um banco, sentou-se de pernas cruzadas, confiante e plena. Pediu seu drink preferido e aproveitou cada momento enquanto observava as pessoas a sua volta, curtia a música e brincava com de pinçar os morangos regados à vodka no seu copo.

Depois, agora de posse de uma garrafa de água mineral (pois afinal de contas tinha filho para criar e pretendia chegar inteira em casa) enveredou-se em meio ao tumulto da zona mais animada do local, onde muitos sem querer se acotovelavam animados pelo som das guitarras.


Não importava…. Ela só iria embora quando tocassem sua música preferida, mas até lá precisava resolver um problema: os esbarrões da coreografia atrapalhada de um rapaz que no mínimo tinha pouquíssima resistência à garrafa de cerveja que equilibrava em suas mãos. Talvez em outras ocasiões ela tivesse voltado para o balcão do bar, lugar mais seguro. Mas não naquele dia! O olhar lançado para o meliante o fulminou de tal forma que o resto de sobriedade lhe fez pedir desculpas.  E para sua surpresa, em meio a toda aquela aparência de grunge alcoolizado, havia um rapaz culto, educado, divertido e interessante.

Mas ela não estava lá procurando companhia, já estava acompanhada… Acompanhada de si mesma. E assim declinou educadamente das investidas certeiras deste (talvez encorajado pelo álcool) e de outros que talvez pensassem que a “pobre donzela desacompanhada” estaria em busca de um alguém que a pudesse acompanhar de volta para casa. Mas quer saber? Tem uma frase que diz “mulher é um ser frágil e sem defesa… somente enquanto o esmalte está secando”. E definitivamente, o esmalte já estava bem fixado.

Mas essa não é a história de uma feminista e muito menos o texto não tem esse objetivo. Longe disso. A situação narrada, guardada suas peculiaridades, não necessariamente se aplica tão somente às mulheres.

O ponto é: Quando se trata de buscar ser feliz, não devemos nos impor condições ou tabus (“sexo frágil”, insegurança, receio de parecer ridículo, ou seja, lá o que for…) que impeça esse objetivo.

Quantas vezes você se viu com desejo de fazer algo ou de ir a algum lugar, mas deixou de lado por não ter companhia? Se isto nunca aconteceu, parabéns por se distinguir da maioria! Observe a sua volta quando sair e constate quantas pessoas estão sozinhas e quantas estão em grupo e/ou em casal. Será que é tão somente porque estar nesse contexto é tão melhor

Muitas vezes deixamos de aproveitar oportunidades que gostaríamos de experimentar porque no fundo sentimos que precisamos de “muletas”, de alguém ao nosso lado, seja para incentivar, seja para orientar ou simplesmente para estar ali.  Parece que o “lugar vazio” incomoda.

Mas o vazio só existe na percepção daquele que se deixa levar pelas convenções fantasmas que a vida em sociedade muitas vezes nos impõe.   Companhias são excelentes, desde que elas sejam a razão de ser e não um meio para que os programas se concretizem. Quando elas se tornam condições para tanto, há algo errado.
Lembre-se disto quando tiver vontade de fazer algo, mas uma voz dentro de você insinuar que há uma “condição” para tanto: A necessidade de estar acompanhado (a).

Cale essa voz impertinente, dizendo em alto e bom tom que irá consigo mesmo! Leve-se para sair!

Experimente a sensação de ser seu próprio anfitrião, de arrumar-se para si mesmo, de chegar e sair na hora que você quiser e inclusive de estar livre para conhecer pessoas nestes ambientes. Sem cobranças e expectativas, é claro. Experimente a aparente dicotomia entre a liberdade e a obrigação de se fazer feliz. Não há nada mais precioso do que a nossa companhia. Compartilhe-a com quem faça por merecer, e se não tiver ninguém `a altura, lembre-se que você é o maior detentor deste mérito!
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E quanto àquela moça “avulsa”, bem… Depois de muito se divertir, voltou para casa ao descobrir rindo de si mesma, pois descobriu de forma hilária que aquela banda nunca tocaria a música que aguardava, simplesmente porque a música era de outro artista! O furo rendeu-lhe ótimas gargalhadas em conversas com pessoas que conheceu naquela ocasião. E quando uma delas lhe disse…”puxa, deixei você voltar sozinha”. Ela lhe respondeu com um ar maroto de quem curte o gosto de algumas indefinições: “Sozinha? Não…. Fui e voltei na minha companhia. E ela foi muito agradável. ”

“Saudações a quem tem coragem” (Pense e Dance – Barão Vermelho)

Por Patricia Oliveira Lima Pessanha

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