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A saudade que doeu e a saudade que amadureceu – O tempo resolve essa questão

A ressignificação necessária em nosso percurso. – A saudade que doeu e a saudade que amadureceu – O tempo resolve essa questão.

Há uns anos atrás, quando uma pessoa muito querida faleceu, a saudade surgiu em sua vida como sinônimo de sofrimento e junto com ele todo tipo de sentimento negativo e apavorador – estava ela, iniciando a elaboração do luto de uma forma triste, pois não sentia outra coisa senão a revolta do que acabara de ter acontecido em sua vida.



Como aceitar que alguém tão importante acabara de partir e ficaria longe para sempre?

Palavras de conforto por parte de familiares e amigos insistiam em rodeá-la, mas não fazia sentindo – não naquele momento. Se não fosse para trazer quem ela tanto ama de volta, então que se calassem. Quanta amargura! E foi vivenciada por alguns meses, alguns anos…

Mas é preciso vivenciar esse momento de luto, e assim ela fez: foi vivenciando e elaborando o luto dia após dia.

O tempo passou e junto com ele foi-se a saudade, sinônimo de sofrimento e chegou a saudade, sinônimo de amadurecimento. A dor persistia, mas a jovem começou a sentir que algo diferente perpassava pelo seu ser. O que teria acontecido? A saudade havia ido embora? Não, de forma alguma! Iniciava o amadurecimento em relação a saudade que sentia do seu ente tão querido, chegava a fase de ressignificação diante do sofrimento causado pela ausência de quem amava. Ela já sorria ao lembrar da pessoa; as lágrimas surgiam e o sorriso vinha à tona ao lembrar dos momentos vivenciados juntos. Mas a interrogação persistia: Por que entre tantas pessoas, meu querido tão bom ser humano teve que partir tão cedo?


O tempo continuou passando e junto com ele a resposta à sua pergunta foi sendo construída: Tinha que ser assim! Foi preciso acontecer! Mas ainda era uma resposta vaga.  Ah, a melhor e mais convincente foi: “A missão dele foi cumprida!” E mais, a resposta estava contida em sua pergunta: “Por ser tão bom ser humano” foi preciso seguir adiante em sua caminhada espiritual. A ressignificação dessa situação não se deu tão de repente, mas se deu no tempo necessário ao seu amadurecimento e diria mais, a reelaboração continua.


Sempre tem algo a mais para aprendermos; sempre algo está por vir.

Ela sempre se considerou uma jovem dependente ao extremo em relação a sua família, mas até a sua adolescência acreditou ser a melhor posição de filho diante dos pais e da sua família. O tempo como sempre foi passando, afinal de contas, ele não para nunca, e após o falecimento dessa pessoa tão especial, percebeu que algo por dentro dela também foi embora. Algo foi levado por ele no momento em que partiu.

Percebeu a partir dos primeiros anos da ausência física dele, que a dependência extrema em relação a família, dava lugar a independência interior e consequentemente exterior. Passou a acreditar que muitas vezes “se perde para poder ganhar”. Seu querido ente partiu e junto com ele também partiu uma jovem muito dependente do outro, que muitas vezes deixou de fazer o que desejava por colocar em primeiro lugar a opinião do outro, não que a opinião da sua família  não fosse importante, jamais, mas por medo de tentar, recuava-se diante dos seus próprios desejos e vontades.


Com a elaboração de luto ela aprendeu que: a vida não acaba após a morte, pois esta última é uma passagem para a vida eterna; a nossa vida eterna espiritual; é possível recomeçar diante da partida de um ente tão querido; que apesar de toda a saudade, é possível seguir adiante; podemos perder objetos, mas pessoas não. E tantas outras coisas ela aprendeu. Ela contou que a sua maior lição foi: A morte não mata o amor.

E esse amor que pulsa e permanece em seu coração e permite que siga em frente e aceite tantas mudanças e transformações maravilhosas que a vida oferece, mesmo diante da ausência física de quem tanto amamos. A vida não é curta, pois ela não tem fim, ela se eterniza e isso depende de nós, do que plantamos para poder colher em breve.

Que um ente querido partir seja uma lição em nossas vidas. Lição de que mais cedo ou mais tarde isso acontecerá com todos e que nos resta apenas, trilhar um belo caminho onde eu consiga olhar para o meu semelhante em toda a sua singularidade e possa ajudá-lo no que for possível a mim. E isso só será possível através do AMOR.

O amor que cuida e que não julga, esse é capaz de transformar vidas e de acabar com todo o egoísmo existente no mundo. Cada um fazendo a sua parte chegaremos a esse resultado. Você faz a sua parte e eu faço a minha.

Foram essas aprendizagens que amadureceram a saudade daquela jovem, que por tanto tempo foi sinônimo de dor e amargura e permitiu que ela fosse transformada em amadurecimento através do amor.

Belo percurso para vocês, queridos!

Paz e luz no caminho de cada um!

Abraços afetuosos.

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Direitos autorais da imagem de capa: pixabay – albertoadan-3864702

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