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Se custa a sua paz, então é caro demais. Tenha responsabilidade afetiva com você mesmo

carli nicole wXlbugFwVyM unsplash

Quem quer você tem empatia pelo sentimento que lhe despertou.



Há caos de todo tipo, e de vez em quando a gente quer pagar o preço do tumulto em nossa vida, pois ele nos desacomoda, nos desestabiliza, nos tira do chão, mas também nos faz voar e sentir mais vivos.

Há bagunças que são muito bem-vindas, pois apesar de causar transtorno, angústia e confusão, elas o desacomodam como um trator que vem revolver a terra, cavar bem fundo, trazendo à tona um você que é mais você que aquele que o encara no espelho todos os dias.

Há desordens que o arrancam da poltrona, transformam sua forma de enxergar a vida, desestabilizam e fazem você perder o controle da própria existência. Você revê toda sua trajetória, questiona suas escolhas e entende que certas coisas acontecem para o aproximar de uma versão sua que precisava ser descoberta e amadurecida.


Algumas vezes precisamos ter a vida embaralhada de alguma forma para entender que não temos o controle sobre tudo, para perceber que a existência nos cobra de maneiras inimagináveis, para aprender que, por mais que desejemos ter a vida organizada e equilibrada, há uma porção de nós que atrai e é atraída pelo caos…

Como um parque de diversões que nos convida com suas cores, luzes, sons e muita adrenalina, a desordem atrai, mas em excesso nos rouba a paz.

Por algum tempo, é bom ter a vida desobedecendo à planilha, o coração-tamborim no peito, as emoções desordenadas. Mas até que ponto você consegue conviver com tamanha desordem?

Segundo a Wikipédia, “montanha-russa é uma atração popular que consiste basicamente em uma estrutura de aço que forme uma pista composta por elevações seguidas de quedas e por vezes inversões impulsionadas pela velocidade proveniente de uma descida ou lançamento impulsionado”.


Como boa ariana com ascendente em Sagitário que sou, amo montanhas-russas – quanto mais ousadas, melhor. Porém, depois de repetir o brinquedo vezes seguidas, ele me causa dor de cabeça e tontura. Assim, aprendi o meu limite. Ao contrário de mim, algumas pessoas não toleram emoções fortes, e talvez rejeitem qualquer tipo de adrenalina.

Na vida, as coisas funcionam da mesma forma. Algumas pessoas adorarão loopings e shuttles, enquanto outras não suportarão qualquer nível de subida ou descida.

Assim, é preciso haver empatia para reconhecer que o que é tranquilo para mim nem sempre será tranquilo para você (e vice-versa), e se eu digo que algo me machuca, me confunde, me causa medo ou bagunça meu coração. Isso deveria ser levado em consideração por você, mesmo que isso não o machuque nem confunda, nem cause medo, nem bagunce seu coração. Isso deveria ser levado em consideração e não tratado como drama ou mimimi.

Algumas pessoas entram em sua vida, bagunçam tudo, e não ficam para ajudar a organizar a desordem. Depois de algum tempo, você consegue recolocar ordem no caos, e essas pessoas voltam, querendo badernar tudo novamente. Pode ser tentador autorizar a volta por um momento, mas vale correr o risco?


Se custa sua paz, então é caro demais. Só você sabe o seu limite, até onde você pode ir, até onde você tolera. E, acima de qualquer pessoa, você precisa ter responsabilidade afetiva com você mesmo.

Perder o equilíbrio por amor é bom por algum tempo, mas se o está desgastando além da conta, é hora de rever essa matemática.

Quem quer você não some quando as coisas ficam difíceis, nem esfria quando você se aproxima. Quem quer você, ajuda a arrumar a bagunça que causou e tem empatia pelo sentimento que despertou. Enfrenta com você a desordem e o ajuda a recuperar a paz.

Se estar com alguém custa sua paz, e esse alguém não consegue entender o preço alto que você está pagando pelo relacionamento, se não o ajuda a enfrentar a bagunça que causou com empatia e tolerância, então é caro demais…


Se alguém não quer você, afaste-se, pelo bem do seu amor-próprio

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