Se for para amar, que haja entrega. Sentimento não se dá com economia, não é mesquinharia, é fluidez.

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Porque o amor é como um rio, que se torna cada vez mais caudaloso quando se aproxima do mar.

Eu sozinha não sei se serei capaz de fazer grandes coisas, mas se você se juntar a mim, seremos capazes de fazer ao menos uma coisa: bem um ao outro. E fazendo bem um ao outro, faremos bem aos demais, porque o amor é como um rio, que se torna cada vez mais caudaloso quando se aproxima do mar.



Todas as espécies não nascem, crescem e se desenvolvem ou progridem sozinhas, todos precisam uns dos outros, do início ao fim. Se você parar e observar, verá que, inclusive os que se dizem solitários por opção ou gosto, precisam e muito de bens e serviços criados ou mantidos por outras pessoas, seja um alimento para o corpo ou para a alma, como um livro, uma música, a internet, um hobby qualquer, cuidados médicos, profissionais das mais diversas áreas, etc. Até a comida é cuidadosamente plantada, colhida e comercializada até chegar pronta para o consumo, inclusive daquela pessoa arrogante que diz não precisar de nada nem de ninguém.

Nós precisarmos de todos os outros para quase tudo, sem exceções. Somos os viajantes persistentes, incansáveis, mas perdidos nas estradas e ao mesmo tempo a bússola que os salva.

A felicidade não depende de fatores externos, porque é um contentamento, um sentimento de bem-estar e alegria que surge dentro de nós e permanece, às vezes, independente de qualquer situação adversa, mas se somos seres influenciados pelo meio e por uma extrema necessidade de aceitação, até a felicidade oscila em nosso frágil coração por qualquer motivo pequeno, por qualquer insegurança. Juntos somos maiores, melhores e sentimos tudo mais profundamente e quando digo juntos não quero dizer sob o mesmo teto, agarrados ou atados a laços invisíveis mas fortes de dependência doentia, digo juntos no sentido de unidos, de amorosos, de amigos.


Juntos podemos ver nossas outras faces, porque o outro nada mais é do que um espelho de nós, o outro é apenas uma das várias formas sob as quais nos apresentamos e quando reconhecemos seu valor, conseguimos enxergar os prós da convivência.

Temos, no entanto, que ter cuidado com o apego exagerado, com a convivência do outro por pura necessidade, ansiedade ou aflição, porque aí não há uma troca importante de energia e sim uma doentia possessividade.

Quando você se agarra a alguém como tábua de salvação, apenas se ilude, tenta enganar o coração. Você continua só, continua ferido e se torna então um foragido, num mar de solidão!

Estar só é bom. Solidão não. Solidão dói, é um silêncio pesado, é sentir-se não amado, esquecido por amigos, inimigos, por todos. Solidão é o telefone que não toca, é a TV desligada, o rádio mudo, é o muro que separa da festa da vida lá fora, é o amado/a indo embora, é o mundo onde você se torna invisível, sem pedir e sem querer.


Estar só é ter calma, ter paz e desfrutar da alegria de ser livre e jamais submisso a uma pessoa ou situação. Estar só é sentir prazer em não ter pressa, é se entregar ao que interessa sem culpa ou preocupação. Estar só é ter mais tempo para se cuidar, perfumar, se amar, sem nenhum tipo de cobrança, mas de vez em quando surge a lembrança de como também é bom serem dois ou mais amigos para somar, aprender e ensinar nas interações pela vida afora.

Se você optar por estar em comunhão com alguém, seja marido, namorado, amante ou qualquer título que você julgue importante nomear, que haja total entrega, que seja para amar, porque o sentimento não é moeda de troca no mercado, não se dá bem com economia, não é mesquinharia, nem lucidez, é fluidez.

Então, seja qual for a sua opção, estando só ou não, deixe-se fluir, entenda que se você compartilhar com alguém (mesmo que seja a distância, pela internet) algumas boas ideias, desejos, planos, humor a postos, seja lá o que for, estará contribuindo para um maior equilíbrio, seu, do outro e de todos, estará se abrindo para prováveis encontros com sua própria intimidade, porque conversar é um treinamento intenso de descoberta da alma, é como se lêssemos para outra pessoa um livro nosso já sendo escrito e o outro pudesse sugerir frases, criar parágrafos ou nos induzir a suprimir vírgulas desnecessárias, paradas nem sempre obrigatórias nesse texto denso, lindo, profundo, às vezes, tenso, mas sempre extraordinário, que se chama vida.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: sonjachnyj / 123RF Imagens

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