Sejamos crianças! sejamos amor!

8min. de leitura

Temos muito mais a aprender com as crianças do que elas conosco…

Um mar de emoções, uma diversidade de conselhos e comentários, uma brutalidade de cobranças e julgamentos. Uma única certeza… a do AMOR!



Se por um lado é a melhor coisa da vida, por outro lado a parentalidade é o maior desafio de todos… Educar um filho não é simples, muito menos quando somos constantemente observados pelos “donos da verdade” e criticados pelos “mestres da educação”.

Vivemos com receios absurdos de seguir o “socialmente correto”, tentando ser pais perfeitos aos olhos dos outros e acatando friamente regras e preceitos sobre como educar bem os nossos filhos. Portanto, o medo de admitir fracassos e de nos desviarmos daquilo que a sociedade, presunçosamente sábia, considera o melhor, por vezes reprime os nossos sentimentos e impede-nos de educar com a naturalidade harmoniosa que todos possuímos.

Quantas vezes ouvimos expressões do gênero “se fosse meu filho”, “ele precisa de regras”,… “Deixa-o chorar”…“tem muito mimo”… “tem o que quer”…“está mal habituado”, “ …


Pois é…tão fácil que é falar e julgar com a razão aquilo que se é incapaz de entender com o coração. Gosto de educar com o coração e para o coração!

Obviamente que todas as crianças precisam de regras e de orientação, aliás, eu arriscaria dizer que os adultos precisam muito mais de regras do que as crianças… no entanto, eu pergunto: Existe algum pai ou mãe que não pretenda o melhor para os seus filhos? E existe um manual de boas práticas que deva ser uniformemente aplicado? Existindo, será esse o correto?

Ok, se fosse teu filho, farias desta ou daquela maneira… mas não é. É meu e por isso dou-lhe  a educação que eu sinto ser a melhor… Para mim, como em tudo na vida, o que tem valor são os sentimentos e não hesito em deixar-me conduzir por aquilo que sinto… Portanto, se o meu coração me diz para pegar no meu filho ao colo e limpar-lhe as lágrimas, assim o farei…


Mas, espera… será que isto vai tornar o meu filho uma pessoa mal educada? Será que o amor que este gesto implica, o calor do meu abraço e a ternura do meu beijo vai torná-lo uma pessoa malcriada? Não me parece… o amor não gera o oposto… Amor gera Amor…

Prefiro educar com alma e agir com o coração… Não, não vou deixar o meu filho a chorar sozinho no quarto durante a noite só porque dizem os especialistas que assim é melhor… Especialistas de quê? De amor não serão, certamente… não consigo entender como pode ser tão benéfico ao ponto de querer ignorar uma parte de mim que me chama porque precisa de sentir carinho e amparo… Com isto estarei eu a permitir que o meu filho não vá habituar-se a dormir sozinho desde bebê… ok, talvez! Talvez tais atos conduzam a uma infinidade de noites a dormir com o meu filho… até aos 2, 3, 4, 5, 6 anos… o que for… Quem não gosta de sentir o conforto de um abraço no vazio de uma noite fria? Além disso, todos eles (os filhos) deixarão de dormir com os pais… mais tarde a situação poderá mesmo inverter-se… e aí remoem o tempo que passou e que ansiavam que voltasse.

Não crie ilusões… não existem pais perfeitos, crianças iguais, nem educação exemplar… Quantos de vocês não conhecem casos de pessoas muito bem-educadas e que cresceram no seio da apelidada “má educação?” Temos ainda o contrário, aquelas pessoas que foram criadas sob as premissas daquilo que a sociedade considera de boa educação e que, no entanto, de educados têm muito pouco.

Somos seres humanos com imensas lacunas e dúvidas… mas somos sobretudo seres de amor, seres que além de tudo o que é externo, sentem, riem e choram… Seres livres que têm a oportunidade de viver a vida a amar… Seres que deveriam entrar no mundo das crianças e deixar-se envolver pela sua magia…

O nosso papel como pais nada mais é do que permitir que as crianças vivam na plenitude o encanto da infância, explicar-lhes que existem regras que devemos cumprir em prol do bom entendimento na sociedade, ajudá-las a trilhar o melhor caminho no sentido de alcançarem a maturidade adulta, sem perder a simplicidade, a alegria e a genuinidade da criança.

Sem pressões, sem imposições supostamente certas… sem pressa de acelerar o crescimento, sem  anseio de  os formatar para o que os “especialistas” pensam ser o ideal, sem obsessões infundadas, sem super proteções nocivas,  sem sufocar afetos,  sem vaidades desmedidas, sem excesso de cautelas, sem a loucura da competitividade, sem a cultura das notas, sem culpas, sem  o peso de querer que a criança se desvie do caminho do que acham ser uma “boa educação”, sem o desejo inconsciente e egoísta de querer ver no filho aquilo que não se foi…

Todos precisamos de normas, ainda mais uma criança que desconhece o nosso mundo e precisa de orientação para trilhar o seu próprio caminho… as regras são de fato importantes para as crianças, da mesma forma que são indispensáveis para a vida em sociedade… No entanto, é necessário dosear as regras de conduta e não permitir que estas reprimam o amor e abafem a grandeza de se ser criança…

É preciso dizer que não… mas mais do que isso é preciso ter paciência para explicar, disponibilidade para educar, coração para amar…

Uma criança criada com amor é uma criança feliz… crianças precisam de amor, aceitação e segurança.  E nós adultos precisamos  aprender muito com elas.

Deveríamos também nós seguirmos os exemplos das crianças, deveríamos também nós entrarmos no mundo delas… um mundo onde apenas se vive a simplicidade da felicidade…

Um mundo de corações abertos, almas límpidas, sorrisos fáceis, gestos encantadores, palavras verdadeiras…. Virtuosamente crianças… sem máscaras, sem filtros, almas sábias, humildes, desprovidas de interesses e malícia. As crianças despertam o melhor que há em nós…

Será que nós, os designados adultos, que pretendemos ensiná-las, não as estimulamos a perder a simplicidade, entregando-as aos modismos de um mundo consumista, pérfido, e vazio, em que prevalecem a lei da vantagem e a falta de solidariedade? Não seremos nós que estamos errados?

Temos muito mais a aprender com as crianças do que elas conosco. Elas nos ajudam a readquirir os nossos traços característicos, a nossa essência, que ao longo dos anos fomos perdendo…

____________

Direitos autorais da imagem de capa: alenkasm / 123RF Imagens

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.