Sentir saudades nos lembra que temos um coração

A saudade é uma coisa complicada. A saudade pode vir como uma onda e nos inundar de uma vez só, por inteiro, e nos dar aquele susto. Aquela imensidão de sentimentos que nos  envolvem e sacodem todo o nosso corpo e a nossa alma.

Ou… pode vir entranhando e adentrando a nossa alma devagarinho. Aos pouquinhos e sem fazer o menor movimento ou som avisando que está tomando conta de nós por inteiro.

Saudade é assim, uma coisa complicada.

Eu gosto de sentir saudades. Saudades bem sentidas nos fazem bem. Sossegam o nosso coração. Encerram histórias ou abrem aquelas páginas que ainda estão mal escritas e precisam ser revisadas.

Não tenho medo de sentir saudades.

O que me espanta, às vezes, é quando sinto saudades de coisas que eu pensava nunca sentir saudades ou daquilo que não deveria sentir saudades. Verdade seja dita, quando se trata de saudades não falamos de coisas que podemos dizer aos berros nas esquinas. Das coisas que sentimos saudades dizem respeito ao que está, muitas vezes, no fundinho da nossa alma. Aquilo que a gente, sem querer ou de propósito, empurrou para debaixo do tapete ou jogou fora (ou achou que assim o fez).

Mas tudo bem sentir saudades. E então, eu me jogo nesse mar, e vou bem ao fundo do que estou sentindo e sinto tudo. Não dá pra ficar empurrando ou fazendo de conta que não está lá. E depois desse mergulho, normalmente, volto melhor. Volto mais inteira e mais em paz comigo mesma e com as minhas escolhas.

Sentir saudades nos faz mais humanos do que nunca. Sentir saudades nos lembra que temos um coração.

Sentir saudades nos coloca diante da passagem do tempo. Sentir saudades nos dá a certeza de que não passamos por esse mundo ilesos, sem marcas ou sem deixar rastros.

Às vezes, a única coisa que nos resta é a saudade. Então, nós nos apegamos a ela, como se fosse um diamante e ficamos ali, naquele instante que passa tão rápido mas que pra gente pode durar a eternidade, recordando e nos dando a oportunidade de vivenciar ainda outra vez.

Tem gente que tem medo de sentir saudades. Passa ligeiro pelas pessoas e pelos acontecimentos, de braços ao longo do corpo para não tocar em nada e de coração fechado. Essa tática não funciona. Considero que é uma das piores coisas que podemos fazer.  Um dia, a saudade vai bater mesmo assim e, pior que sentir saudades, é quando a saudade vem vazia, e a gente sente uma saudade solitária porque não se permitiu sentir afetos verdadeiros, criar laços intensos e vivenciar momentos de verdade, entregues de corpo e alma.

Então essa saudade não é doce, ela não tem perfume, nem som, nem imagens. Essa saudade é fria e escura. Amarga. E isso dói.

Não podemos permitir que isso nos aconteça! Sabe a única coisa que podemos fazer quando a âncora fica presa e nos impede de seguir? Resta-nos cortar o cabo que a prende. No fundo, sempre temos a melhor vida que podemos viver. Então, porque não desfrutar dessa vida que temos? Aproveitar o melhor que podemos ter dessa vida?

Se queremos uma boa vida, precisamos lutar por ela. E antes de lutar, reconhecer já o que temos de bom. E nos permitir o novo! O inusitado!

Eu quero sentir saudades gostosas e coloridas. Vibrantes. Saudades apaixonadas. Saudades das coisas boas que vivi. Então, como sempre escrevo, eu me permito. E, hoje, eu me permito sentir saudades boas. Daquelas que fazem a gente sorrir. Das que até fazem a gente chorar um pouquinho, mas um chorar que lava a alma e nos enche de ânimo para continuar a nossa jornada.

Estou pronta! Que venha muita vida pela frente! E, claro, muitas saudades!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: bombardir / 123RF Imagens




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