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Sobre “o grande amor” de nossa vida…

Quando se fala em “grande amor”, logo se pensa em um relacionamento romântico envolvendo pares apaixonados. Sobre este sentimento existe também um conceito mais ou menos comum de que só é possível vivê-lo uma única vez na vida.



Mas, eu me pergunto, como se sabe que aquele é o maior amor de uma vida sendo que esta ainda não chegou a seu final e nada sabemos a respeito do que está por vir?

Muitas vezes, quando estamos vivendo um relacionamento, acreditamos que essa seja a maior de todas as histórias de amor e isso pode perfeitamente ser verdade, porém até aquele momento. No entanto esse romance pode ter um fim e mais adiante experimentarmos um novo envolvimento e essa nova história pode vir a ser considerada ainda mais intensa que a anterior e assim estaremos mais uma vez vivendo um grande amor.

Na verdade, acredito que essa história de grande amor da vida, seja resquícios dos tempos do Romantismo, movimento ocorrido no século XIX o qual por ter sido muito relevante, vem transferindo seus preceitos de geração em geração.

Neste período, um sentimentalismo exacerbado, tendo como temas principais a saudade, as desilusões e a tristeza, imperava entre os poetas da época, sendo muitos deles inspirados pela epidemia de tuberculose, doença crônica de longa duração, que pela dramaticidade levava escritores e artistas de outras áreas a fazerem da melancolia cenário de amores infelizes, o que mobilizava o imaginário daquela sociedade.


Álvares de Azevedo, célebre poeta da época, chamado “o poeta da dúvida” escreveu em um de seus poemas: “…E entre os suspiros do vento. Da noite ao mole frescor. Quero viver um momento. Morrer contigo de amor…”

De fato, há amores mais ou menos genuínos, intensos, arrebatadores, há também os mais tranqüilos, controlados, raciocinados. Podemos nos sentir envolvidos com maior ou menor intensidade, dependendo das emoções que o outro nos desperte.

O amor é um sentimento natural do ser humano e, salvo se a pessoa possuir bloqueios ou resistências psicológicas, certamente, mais cedo ou mais tarde, irá experimentar a sensação das paixões e muito provavelmente dos amores.


Assim eu penso que, “o grande amor da vida” pode ser um mito, já que podemos viver diversos grandes amores no percurso de nossas vidas, igualmente marcantes entre si.

E se falarmos então em outras naturezas de amor que não o amor romântico, será possível enfileirar um sem número de grandes amores vividos no decorrer de nossa jornada terrena.

O amor materno, por exemplo, incondicional, por um, dois, ou três filhos com a mesma desmedida intensidade.

O amor por nossos pais, ímpares em sua importância em nossas vidas, que carregaremos para sempre em nossos corações, com gratidão, ternura e, um dia, saudades.

O amor fraterno, pelos nossos irmãos de sangue sejam eles quantos forem, bem como pelos nossos irmãos, que a vida nos oferece com o nome de amigo, com quem dividiremos muito de nossas vidas, compartilhando bons e maus momentos, com os quais desenvolvemos vínculos fortíssimos repletos de emoções e lembranças eternas.

Há ainda aquelas almas iluminadas que passam suas existências dedicando-se ao próximo com abnegação e renúncia, dedicando todo o seu amor a desconhecidos necessitados, criaturas que marcam e são marcadas por amores incalculavelmente grandiosos.

Podemos ainda, nos dedicar com grande amor à uma causa, como a preservação da natureza, a luta pelos direitos dos animais, uma vida dedicada à salvação de tudo que há sobre o planeta, não seria um então um grande amor?

Assim, limitar “o grande amor de nossas vidas” a um único ser, é empobrecer nossa capacidade de amar, pois este é o mais poderoso dos sentimentos, é uma emoção oriunda do interior mais profundo de nossas almas. No verdadeiro amor, há, sobretudo, cumplicidade, sem julgamentos, há entrega sem cobrança, há empatia sincera.

Paulo escreveu sabiamente em 1 Coríntios 13 – 15

“O amor é paciente e bondoso. Não é invejoso, nem orgulhoso; não é arrogante, nem grosseiro. Não é irritadiço e dificilmente suspeita do mal que os outros lhe possam fazer. 6 Nunca fica satisfeito com a injustiça, mas alegra se com a verdade. 7 O amor nunca desiste, nunca perde a fé, tem sempre esperança e persevera em todas as circunstâncias”.

“A medida do amor é amar sem medida” (Santo Agostinho).

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Direitos autorais da imagem de capa: saksoni / 123RF Imagens

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