Somos seres em eterna construção…

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Seres em eterna construção. Assim somos nós…

Seres em eterna construção. Assim somos nós, como os prédios. Isso mesmo, somos opostos idênticos. Comparações incomparáveis.



Somos janelas. Uns pequenos, outros imensos. Uns fechados, outros escancarados, arregaçados ao extremo, abertos a todos os raios de sol e entrada de luz. Somos de aço, resistentes. Somos de vidro. Susceptíveis a sermos quebrados de uma hora para outra, pelo resultado de pedras arremessadas por mãos impiedosas, loucas por nos ver resumidos a cacos, a mil pedaços.

Somos portas. Simples como pão com goiabada ou trabalhadas, compostas por detalhes e histórias. E por sermos portas, deixamos entrar quem por elas queira passar. Pessoas que valem a pena e outras dignas de pena. Algumas vão e vem, num ritmo constante e inconstante, como o da bailarina dançando rock. Outras passam se arrastando, mornas, beges, cinzas que não tem nem ao menos dois tons, quanto ao menos, cinquenta.

Somos chaminés. Esfumaçamos de raiva, de ódio, de mágoa. E quando não descartamos o que não nos serve, sofremos sufocados, asfixiados com o que resulta de nós mesmos.


Somos pisos. Pisam-nos, até que não aguentamos mais. Ficamos lascados, desbotados. E por mais que sejamos lavados e encerados, carregamos para sempre as marcas do tempo.

E assim, somos jardins. Floridos e dignos de cartões postais.

Mas, inevitavelmente, quando chega o outono, nos fechamos, derramamos nossas folhas pelo chão, para que, somente assim, seja possível a nossa mutação, a nossa mais que necessária renovação.

Somos telhados. Estamos lá sem sermos notados. Somos uma espécie de escudo. É em nós que a chuvas cai, leve ou ferozmente, afogando-nos ou nos presenteando com leves toques formalizados por gotas, que nos lavam, corpo e alma.


Somos prédios vazios, estruturas frias, ou somos lares, que aconchegam e acomodam. Somos taperas e mansões, somos elefantes brancos ou palafitas. Somos o latido gostoso do cachorro, somos o riso que vem da sala, demonstrando que a felicidade ali também mora.

Somos fruta no pomar, que representa a prosperidade. Somos o cheiro que invade do alimento preparado com carinho. Somos pão e somos vinho, que compartilhados com amigos, são mais valorosos que qualquer banquete.

Somos constantes reformas e ampliações, que depois de concluídas, nos melhoram, permitindo que nossos entulhos sejam jogados fora.

Somos pintura, multicores. Em alguns dias, branco sem graça. Em outros, rosa pink, amarelo ouro, vermelho sangue, azul petróleo. Somos foscos, somos brilho, até que sabe um pouco de verniz.

E no final, bem lá no fim, quando cumprimos nosso ciclo nesta vida, não interessa a nossa metragem ou valor patrimonial do imóvel construído, não interessa quanto valemos mercadologicamente. O que fica é o nosso valor quanto homens e mulheres, o que somos de verdade. E isso, infelizmente, passamos anos, décadas tentando descobrir, tendo apenas a vaga ideia de estarmos ou não no caminho certo.

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