“talvez, eu não tenha chegado aonde planejei ir. Mas cheguei aonde meu coração queria chegar, sem que eu o soubesse.”

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Não é de hoje que acredito que os clássicos infantis não foram feitos para crianças, ou melhor, foram feitos sim para resgatar a criança que ainda existe dentro de nós.



A criança que não julga, que ama incondicionalmente, que não se deixa vencer pelos obstáculos que a vida oferece.

Ao assistir a Bela e a Fera nos últimos dias parei para pensar em nossa sociedade. O clássico que data de 1740 é tão atual que poderíamos dizer que foi escrito hoje.

Então, percebi que embora os anos passem, algumas coisas permanecem, tanto negativamente: poder do dinheiro, o agir por interesse… quanto positivamente; a lealdade dos verdadeiros amigos, a coragem para enfrentar as dificuldades, o enxergar além das aparências e a certeza de que embora o mal exista o bem sempre encontra suas formas para prevalecer, porque o amor em sua essência é a única força realmente capaz de fazer o mundo girar.

No mundo real, não temos bruxas que lançam uma maldição e então as coisas perdem a cor, perdem a vida, no entanto, é assim que muitas pessoas enxergam tudo a sua volta.


Acredito então que o papel da Bruxa, neste caso, foi apenas transformar o mundo exterior da Fera, no mundo que já habitava seu interior: Vazio e desprovido da verdadeira essência.

Acredito ainda que, embora tida como má, a feiticeira foi apenas uma forma que a vida encontrou para que a Fera pudesse aprender o que é o amor, aprender a valorizar as pessoas e enxergar além das aparências .

Por outro lado a Bela, moça frágil, doce, tida por estranha por gostar de ler livros, ser simples e não se deixar levar pelos padrões da sociedade, mostra-se corajosa, determinada sem perder sua empatia e capacidade para perceber o essencial.


O enredo da história, tão conhecida, mostra-nos também que qualquer que seja a situação, os mais próximos irão vivenciá-la junto de nós.

Além disso, traz à tona a dimensão do amor verdadeiro , em muitos momentos:
o pai da Bela que se arrisca por uma rosa, a Bela que fica no lugar do seu pai, ele que busca ajuda por temer pela vida de sua filha, a decisão da Fera em deixar Bela ir mesmo, sabendo que isso significaria sua morte e a volta da Bela ao Castelo por perceber o quão importante a Fera é para ela, pois ela conheceu a sua essência, enxergou-a além de sua aparência.

Então, eu me perguntei, quantas vezes nós somos Bela e Fera: Lindas e Majestosas por fora mas vazias por dentro, ou, fora dos padrões da sociedade mas com um potencial e coração enormes?

Quantas vezes nos permitimos conhecer as pessoas em sua essência? O que mais temos a aprender com as crianças? Acredito que muito!

Acredito que assim como a Bela e a Fera precisamos aprender a ver o mundo de outra forma, transformando nosso interior, para assim podermos deixar o exterior cada vez mais belo, um belo que o tempo não apaga e nada nem ninguém é capaz de destruir.

‘’Sentimentos são fáceis de mudar (…)Sentimentos vem para nos trazer

novas sensações, doces emoções e um novo prazer (…) Como a Bela e a Fera”

Tamiris,

“Talvez, eu não tenha chegado aonde planejei ir. Mas cheguei, sem querer, aonde meu coração queria chegar, sem que eu o soubesse.” – Rubem Alves

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Direitos autorais da imagem de capa: arturkurjan / 123RF Imagens

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