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Tudo o que Deus coloca em nosso caminho é para o nosso bem. Não recebemos cruzes que não podemos carregar

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Nada é por acaso. Tudo é necessário. Nós damos conta!



Se estamos carregando algo, é porque damos conta dele. Quando acontece um imprevisto, com certeza, temos condições de arcar com suas consequências.

Sabe aquele dia que começa todo errado e tudo parece dar errado? Pois é. É fato e pode acontecer com qualquer um.

Um dia desses, fui acordada por minha filha, dizendo: “Mãe, acorda! Tem algo errado. Estou ouvindo um barulho forte de água caindo do telhado desde à 0h e já são 4h, e continua. Levante e dê uma olhada no jardim.” Fui ver o que havia acontecido, realmente havia um jarro de água descendo pelo telhado. E era muita água, e com pressão.


A sensação de insegurança tomava conta de mim, pensei comigo mesma que, pelas horas, não conseguiria ninguém para me ajudar e orientar, só dependeria de mim mesma. Respirei fundo e comecei a pensar no que poderia ser feito àquela altura do campeonato. Não sabia o que estava acontecendo nem como o solucionaria, mas comecei a colocar a cabeça para funcionar e passei a agir. Fui para a frente da casa e desliguei a entrada de água da rua.

Retornei ao jardim e percebia que havia resolvido. Bom! Pela manhã já chamei um técnico, que analisou e disse o que estava estragado. Saí para comprar a torneira, boia da caixa d’água e, quando retornei, bati meu carro no portão. Duas despesas forçadas no mesmo dia e num curto espaço de tempo foram o suficiente para me deixar em pânico.

Tive a impressão de que meu dinheiro estava esgotando. Uma sensação terrível de que meu dinheiro é insuficiente e que faltaria para o necessário. Uma neura sem tamanho, sem igual, sem explicação e sem uma razão de ser. Tive de controlar eu mesma esse sentimento ruim que acabou passando. Depois fiquei refletindo sobre aquele meu dia ruim e tentei tirar algo de positivo.

Concluí que não carregamos uma cruz maior do que a que conseguimos carregar. Se estamos carregando algo, é porque damos conta dele. Quando acontece um imprevisto, com certeza, temos condições de arcar com suas consequências.


Tudo é necessário 

Imaginei por outro lado: se nada estragasse, como ficaria a situação daqueles que sobrevivem de arrumar? Imaginem se não houvesse litígios, como ficariam os advogados e os servidores do Judiciário. Como fariam para viver sem dinheiro?

Percebi que tudo é necessário, é normal! Não havia motivos para eu ficar daquele jeito, transtornada. Uma “insanidade” da minha parte. Tenho emprego e tenho condições de pagar, não havendo motivos para reclamar. Tudo havia sido solucionado. E se eu tivesse tido mais calma, uma coisa ruim não teria se transformado em duas coisas ruins.

Fiquei pensando que não era normal eu me sentir daquela forma e tentei achar uma resposta dentro de mim, e o que veio à minha cabeça foi a imagem do meu pai, quando eu era criança, dizendo que não sabia se daria conta de manter a família.


Outra passagem, esta de quando eu era adolescente e achava que, para ser alguém na vida, precisava estudar em colégio particular (engano da minha parte, pois tenho amigos que estudaram em colégios públicos e se tornaram grandes homens e grandes mulheres, tanto quanto os que estudaram em colégios particulares), e todos os meses, durante o segundo grau, no dia do vencimento do colégio, para mim era um sofrimento só ver o meu pai separando o dinheiro e dizendo que não sabia se teria condição de pagar no mês seguinte.

E outra passagem, de quando chegou a hora de fazer faculdade. Meu pai me chamou para uma conversa, disse-me que sabia o quanto era esforçada e estudiosa e o quanto eu queria fazer um curso superior, mas que doía nele dizer que naquele momento não tinha condições nem de pagar uma faculdade e muito menos para me manter numa cidade maior, que oferecesse mais cursos universitários e que, se eu quisesse continuar com meu objetivo, eu teria de correr atrás, trabalhando e estudando.

Foi o que fiz. Prestei dois concursos, assim que terminei o segundo grau, e passei nos dois: TJMG e TRT. Comecei a trabalhar no fórum e tive condições de pagar minha faculdade e minha pós-graduação, o que me deu condições para progredir na carreira, chegando ao último nível como gerente de secretaria.

Meu pai era comerciante e dizia que não queria que os filhos passassem pelo sofrimento da insegurança de um dia ter muito dinheiro e no outro, dinheiro nenhum.


Seu comércio ficou aberto mais de 50 anos, conseguiu criar os filhos com dignidade. Fez o seu melhor, e esse melhor foi o suficiente. Foi uma pessoa íntegra, honesta e admirada por todos que o conheceram. No final, tudo deu certo, mas fiquei com esse trauma de infância, mesmo não tendo uma razão de ser.

Meu pai jamais pôde imaginar que, apesar de ter feito de tudo para que não passássemos por esse sofrimento da insegurança de uma profissão de altos e baixos, que eu, sua filha que tanto admirava, pudesse carregar a mesma dor dele, sempre sentindo o mesmo: o medo de faltar dinheiro e de não dar conta de manter o necessário para a sobrevivência e subsistência da família.

Tenho o maior orgulho do meu pai querido e sou muito grata a ele por tudo, pois sempre me incentivou a crescer. Ele me ensinou a pescar o próprio peixe. E se sou o que sou hoje e consegui vencer todos os obstáculos, foi devido ao fato de ele estar sempre ao meu lado, demonstrando seu amor incondicional, apoiando-me, dando-me força e torcendo por mim, para que eu realizasse todos os meus sonhos. Sou uma vencedora e grata por tudo, principalmente por ter tido o melhor pai do mundo.

O trauma que ficou é o de menos, tem melhorado dia a dia e, com certeza, foi um dos pilares responsáveis pelo meu crescimento, pois Deus escreve certo por linhas tortas.


Tudo vale a pena e tudo acontece para o nosso bem, até mesmo o que consideramos ruim.

Confie em Deus, viva cada segundo intensamente, porque o desenho do amanhã não nos pertence

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