Vampiros emocionais – desconfio de pessoas e sentimentos que nos fazem prisioneiros

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Vampiros emocionais



Certa vez meu pai me pegou chorando depois de uma discussão com um ex-namorado. Ele me olhou e perguntou: “Por que ele sempre te faz chorar?” Não falou mais nada, me deu um beijo na testa e saiu.

São desses questionamentos que te abrem um leque de outros mais. Por que sentimentos e pessoas que deveriam  nos fazer bem, acabam, por fim, nos fazendo mal? Existe um erro inegável no que estamos vivendo, se isso não está agregando nada à nossa vida. Se desalinha nossos pensamentos e nos bagunça por dentro, não aquela bagunça boa que você arruma e desarruma com prazer. Aquela que te faz olhar para o caos e pensar: Putz, como eu vou arrumar isso? Por onde começar?

Desconfio de pessoas e sentimentos que nos fazem prisioneiros. Que nos fazem chorar. Que te afagam com segundos de alívio para suprir horas de dor. Desconfio de pessoas que nos causam mal ainda que sem querer, porque é mais forte do que elas. E daquelas que não nos deixam partir porque parte delas sabe que existe algo de verdade e que vale a pena no que temos para oferecer, mas não sabem como dar o devido valor a isso e nos ferem mais do que nos curam. Desconfio de quem fere consciente, para depois se desculpar.


As relações devem ser sadias. Construir conosco. E a linha que nos separa do que é bom e do que nos faz mal é imperceptível. Em qualquer esfera da nossa vida, em casa, no trabalho, nas amizades, no amor, sempre haverá alguém nos aprisionando, incapaz de retribuir ao que temos para oferecer e incapaz de nos deixar partir.

Os tais “vampiros emocionais” estão nas pessoas mais improváveis. Estão naqueles que fechamos os olhos e dizemos “não, você não, por favor”.

Naqueles aos quais secretamente imploramos que sejam de verdade, pessoas pelas quais ultrapassamos os limites da nossa própria razão e que nos sugam, nos enfraquecem e nos vendo fracos, se afastam, porque deixamos de ter algo para oferecer. ” Vou deixar você se acalmar”, vou dar um tempo pra você, acho que está precisando”. E vão embora quando precisamos que fiquem.

Desconfio de quem vai, ao invés de dar um abraço. De quem ri quando você demonstra amor, ou dor. De quem vem quando percebe que você está indo. Desconfio de relações que nos fazem chorar.


Quando meu pai me fez pensar no porque aquela relação me fazia chorar, me fez entender que, não, as relações não devem nos machucar (o tempo todo). Não devem nos fazer mal. Não devem desalinhar nossa vida, nem nos sugar. Deve haver uma troca e, não havendo troca, a gente desata os nós e se afasta. Porque mesmo as pessoas que mais queremos por perto, às vezes, nos fazem mal.

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Direitos autorais da imagem de capa: vjanez / 123RF Imagens

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