Algumas pessoas não te detestam, elas se detestam!

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Eu não entendia muito bem porque ela me detestava. Não que eu me importasse, mas me intrigava pensar que cada “bom dia” meu era respondido com uma falsidade patética enquanto eu me esforçava pra ser minimamente simpática com alguém com quem eu definitivamente precisava conviver.



Vez ou outra ela aparecia com elogios forjados, mas os olhos tratavam de me entregar a verdade: ela queria que eu desaparecesse no ar, pra nunca mais precisar conviver com a minha felicidade.

Claro que eu tive raiva, naturalmente. É difícil cultivar sentimentos bons quando alguém transparece no olhar que faria qualquer coisa para que você tivesse uma morte lenta e dolorosa. Mas, com um pouco de reflexão sadia – aquela que você só faz quando ignora a própria indignação – entendi: ela jamais me detestou.

O que a incomodava, no fim das contas, era saber que alguém ali sabia ser feliz como ela não tinha coragem de fazer. O que dói para aquela pobre moça é saber que existe alguém no mundo que não troca sorrisos por aprovação alheia, liberdade por reputação. Ela não detesta o meu ‘bom dia’. Ela detesta o fato de que cada sorriso meu a lembra de que ela já não sabe sorrir. Ela detesta cada vez em que me vê fazendo aquilo que faz meu coração vibrar – sem medo do futuro, das conseqüências, sem o menor compromisso com as projeções alheias.


Ela detesta o modo como eu posso escolher quem eu quero ser, sem precisar me adequar covardemente àquilo que esperam de mim. No silêncio de cada sorriso forçado que ela me dava, eu compreendi a resposta daquilo que jamais perguntei: ela detesta a si mesma. E isso é cruel demais para que ela consiga lidar sem canalizar esse ódio a quem quer que seja – de preferência a quem é aquilo que ela não tem coragem de ser.

Percebi, enfim, o quão doloroso pode ser ver alguém sendo, livremente, aquilo que nós mesmos não temos coragem de ser. Isso transcende a inveja: é uma espécie de frustração consigo mesmo, uma crise existencial medonha que a liberdade alheia é capaz de causar.

Talvez nem ela compreenda. Certamente pensa que é pura falta de empatia. Mas, por detrás de toda essa raiva gratuita, existe um desejo de aprender a ser feliz de uma maneira que não deixe espaço pra implicâncias inexplicáveis.


Entendi que, na verdade, ela jamais fez por mal; é que ser quem se é, sem medo de represálias, gera, no mínimo, uma admiração descontente, urgente, calada.

Não pus o nome dela na boca do sapo e nem deixei de sorrir mais simpaticamente do que ela merece. Em vez disso, tento mostrar, a cada dia – do jeito mais genuíno possível, que é vivendo – o quanto pertencer a si mesmo é fabuloso. O quanto ser feliz importa mais que ser bem falado, e bem sucedido, e bem quisto… Porque importa mais o que se faz quando ninguém pode ver. Eu espero que algum dia, enquanto espero uma injusta alfinetada, eu olhe para o lado e perceba que ela está ocupada demais pra me odiar: ela aprendeu a sorrir.

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Por: Nathali Macedo – Via: Superela

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