Comportamento

Desempregado, pai sai às ruas distribuindo doces e currículo no sinal. “Tenho filha para sustentar”

Eduardo mandou confeccionar um cartaz onde falava de suas qualificações: graduado em jornalismo e com mestrado. Ele abriu o jogo sobre o desemprego.



O desemprego no Brasil tem feito com que famílias inteiras percam sua principal fonte de renda, deixando-as vulneráveis e suscetíveis a problemas, como falta de moradia e alimentação. Cerca de 14,7 milhões de brasileiros estão desempregados, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro trimestre deste ano.

Os números assustam, e não é à toa. Desde que o IBGE iniciou a série histórica, em 2012, esta é a maior taxa de pessoas desocupadas. Grande parte das empresas buscam alternativas para enfrentar o aumento de custos que a falta de abastecimento provoca, fazendo com que reduzam seu quadro de funcionários. Em um ano, mais de 3 milhões de brasileiros perderam seus empregos, enquanto isso, o número de trabalhadores informais, sem vínculo empregatício, cresce.

Nesta última semana, o relato do jornalista e mestre em estudos de linguagem Eduardo Durães Júnior chamou atenção nas redes sociais. A imagem de um homem carregando um banner preso ao pescoço, enquanto distribuía currículo e doces em um semáforo de Belo Horizonte (MG), chocou muitas pessoas que passavam pela região.


No seu perfil do Facebook, Eduardo falou um pouco sobre a experiência. Formado em jornalismo e com um mestrado na área de estudos de linguagens, ele costumava contar histórias de pessoas consideradas “invisíveis” pela sociedade, o que ele chama de “malabaristas do sinal vermelho”.

Naquele dia, ele estava ali contando a própria história, pedindo um emprego aos motoristas que passavam pelo local. No cartaz a frase “Preciso de emprego! Sou jornalista, professor e tenho um mestrado. E também uma filha para sustentar! Você pode me ajudar?” O choque foi ver uma pessoa pós-graduada, com qualificações que a colocariam em ótima posição no mercado de trabalho, precisando distribuir currículo no sinal.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Edu Durães.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Edu Durães.


Eduardo explica que enviar o documento com suas qualificações às empresas não estava surtindo efeito, nem as redes sociais chegaram a lhe garantir uma vaga de emprego. Muitos empregadores nem sequer respondiam quando ele enviava o currículo por e-mail, então decidiu apostar numa forma mais “rudimentar” de mostrar suas qualificações.

Enquanto distribuía doces e seu currículo, Eduardo conheceu pessoas com histórias de vida similares. Muitas estavam lutando para conseguir novas oportunidades ou qualquer coisa que simplesmente lhes permita honrar seus compromissos financeiros e atender às necessidades mais urgentes, como alimentação.

O jornalista explica que não estava ali apenas para pedir emprego, mas para medir a reação das pessoas, demonstrando empatia e solidariedade com o atual momento do país.

Em uma região chique da cidade, ele explica que muitos mostraram indiferença à sua situação e nem sequer abriam o vidro do carro. Guilherme, um dos rapazes que conheceu no dia, disse que era importante que vissem sua situação, assim perceberiam que a dificuldade do presente momento pode atingir todos.


Direitos autorais: reprodução Facebook/Edu Durães.

Mesmo sendo considerada uma forma “rebaixada” de pedir emprego, Eduardo explica que a experiência foi muito rica, principalmente porque pedir é um ato complexo e difícil. Mas assim que se despiu da soberba e da vaidade, passou a sentir-se mais leve, bonito e humano, como explica em suas redes sociais. Ele acredita que vai voltar aos sinais em breve.

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