“Eu gosto é de gente doida!” – Ariano Suassuna fala sobre a inteligência da loucura

Aprender a entender, e até apreciar, as pessoas “doidas” pode fazer uma grande diferença em nossas vidas.

A definição de loucura é muito relativa. Aquilo que parece louco para uns, pode ser a maior expressão de sensatez para outros. E cá entre nós, é muito melhor estar perto de pessoas que permitem ser doidas de vez em quando, do que conviver com aqueles que nunca se permitem sair do sério.

Além disso, na maioria das vezes, a loucura provém mais de diferenças culturais do que de condições psicológicas.

Precisamos refletir sobre o que realmente é loucura, e começar a celebrar as diferenças em nossas vidas. Não devemos usar o termo “loucura” apenas para nos diferenciarmos de pessoas que apenas possuem culturas diferentes. 

Quando abrimos nossos olhos para a realidade ambígua do mundo, podemos perceber que aquele que julgamos como louco por muito tempo, na verdade, sempre esteve certo, nós é que estávamos com as vendas muito apertadas para enxergar com clareza.

Aprender a entender, e até apreciar, as pessoas doidas pode fazer uma grande diferença em nossas vidas.

No vídeo abaixo, o dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta e professor brasileiro Ariano Suassuna fala abertamente do apreço que tem pelas pessoas doidas, e nos faz refletir sobre como aqueles taxados como malucos podem ser pessoas especiais, cheias de criatividade, atitude e potencial para fazer do mundo um lugar muito melhor.

“Eu gosto muito de história de doido. Não sei se é por identificação. Mas eu gosto muito.  Eu tenho um primo, Saul. Uma vez ele disse para mim: “Ariano, na família da gente quem não é doido junta pedra pra jogar no povo.”

Não sei se é por isso, mas eu tenho muito interesse por doido, pois eles veem as coisas de um ponto de vista original. E isso é uma característica do escritor também, o escritor verdadeiro não vai atrás do lugar comum, ele procura o que há de verdade por trás da aparência. O doido é danado para revelar isso!

Meu pai governou a Paraíba de 1924 a 1928, tanto que nasci no palácio. Em 1963 houve um congresso literário na Paraíba e eu fui, o governador do Estado ofereceu um almoço, quando eu fui entrar o guarda me parou. Perguntei por que eu não podia entrar e ele disse. “O senhor tá sem gravata.”

Eu não uso gravata.

E eu disse. Você veja uma coisa. Essa é a segunda vez que estou entrando nesse palácio, a primeira vez eu entrei nu e ninguém reclamou (É que eu nasci lá, viu).

Meu pai quando era governador, construiu um hospício e colocou o nome do maior psiquiatra brasileiro da época. No dia da inauguração, muito orgulho da obra que tinha feito, meu pai chegou lá, os médicos todos de branco e entraram os doidos com uns carrinhos de mão, adquiridos pelo governo para iniciarem a tal psicoterapia pelo trabalho.

Um dos doidos estava com o carro de mão de cabeça para baixo. Aí meu pai o chamou e disse: “Olha, não é assim que se carrega, é assim…” E o doido respondeu, eu sei doutor. Mas é que se eu carregar de cabeça para cima, eles colocam pedra dentro para eu carregar.

Não era um doido, era um gênio de uma cabeça formidável!”

Ariano não está mais entre nós, mas certamente suas palavras ainda vão viver por muitas e muitas gerações.

Que todos possamos aprender com esse vídeo a olhar mais para o outro antes de categorizá-lo, e perceber que nem sempre os incríveis são compreendidos.

Se você se sente um pouco doido de vez em quando, saiba que há grandes chances de ser o mais sensato de todo o seu grupo!

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