Comportamento

“Fomos enganadas, engravidamos do mesmo homem e hoje somos melhores amigas”

As duas mulheres tinham relacionamento com o mesmo homem. Anos mais tarde, uma amizade improvável aconteceu.



Andrea Tinagero tinha apenas 16 anos quando engravidou do namorado. Além de lidar com uma gravidez na adolescência e todos os desafios que isso traz, descobriu que ele era casado e que sua mulher também esperava um filho.

A rivalidade entre as duas foi o primeiro sentimento aflorado, mas com o passar dos anos, a raiva esfriou e deu lugar à compreensão e hoje podem desfrutar de sincera amizade.

À revista Marie Claire, elas contaram como a experiência traumática resultou na sua aproximação. Andrea conta que, em 1992, conheceu um rapaz no colégio, por quem se apaixonou perdidamente. Eles iniciaram um relacionamento e ela engravidou.


Quando contou a notícia, percebeu que ele ficou extremamente assustado, nervoso e sumiu. Seu namorado, pai do bebê, parou de ir à escola, com medo de encarar Andrea. Um dia, ela resolveu ligar para a residência dele e uma voz feminina atendeu.

Era Regiane, de 19 anos, esposa dele. Andrea não acreditou no que estava acontecendo e contou à outra mulher toda a verdade: que seu namorado era o esposo de Regiane e claramente não sabia que ele era casado.

Na ocasião, as duas passaram mal e foram parar no hospital por causa da notícia. Naquele momento, Andrea conta que um ódio nasceu em seu coração e ficou sem chão por saber que ele tinha outra além dela. Grávida aos 16, ela não sabia como contar para sua mãe, como levaria os estudos dali para a frente, pois estava sozinha nessa.

Pediu ajuda para uma tia e juntas contaram para a mãe, que a apoiou em tudo, ajudou-a e disse que não precisaria se preocupar com nada, muito menos depender do rapaz que a abandonou.


O pai nunca mais procurou Andrea nem a filha. Ela ficou sabendo depois que Guilherme, filho de Regiane, nasceu quase um mês antes. A diferença dos irmãos é de apenas 25 dias. Por coincidência ou ironia do destino, assim que sua filha nasceu, Andrea se mudou de bairro, mas teve um encontro inesperado com o ex-namorado. Ele era cobrador do ônibus que ela usava para ir trabalhar.

Influenciada pela mãe, ela decidiu não procurá-lo para registrar a filha e os meses foram passando. Outra coincidência a esperava: a mãe dele era cozinheira da creche onde ela matriculou a filha. Foi aí que a história começou a mudar. Regiane, a esposa, incentivou o marido a registrar a criança e, a partir disso, se aproximou da menina.

Mas o coração de Andrea ainda era tomado pelo ódio, e passou a ter mais raiva de Regiane pois, na sua cabeça, ela queria roubar sua filha. Anos se passaram até que o rancor foi diminuindo e a filha de Andrea decidiu morar com o pai.

Mesmo que tenha ficado triste com a decisão da garota, ela estava entrando na adolescência e começou a ter problemas com a mãe. Andrea achou que o melhor seria para a menina passar um tempo com o pai, já que queria tanto. Regiane a tratou tão bem, que fez o coração de Andrea ressignificar todo aquele sentimento ruim.


Sua filha, depois de uns anos, voltou a morar com a mãe, Andrea nesse tempo acabou se separando e tudo foi culminando para que começasse a falar com Regiane, que tempos depois também se divorciou, e o convívio das duas começou a aumentar.

Passaram a sair juntas e se divertiam em bares, bailes e festas. A amizade e cumplicidade foram ficando cada vez maiores, uma motivando a outra. Regiane se casou novamente e teve um filho, e Andrea é madrinha da criança.

Quando elas refletem sobre tudo que já passaram, entendem que o ódio não fez bem a nenhuma das duas. Há 25 anos, engravidaram ao mesmo tempo, do mesmo homem e, ao invés de ficar magoadas com ele, decidiram se odiar, porque era mais fácil.

Tanto Andrea quanto Regiane compreendem que, com a maturidade, veio a sabedoria e o perdão, e assim podem caminhar juntas, fortalecendo um vínculo duradouro. De rivais, que mal podiam se ver, passaram a ser melhores amigas, e se consideram irmãs por toda a trajetória de vida.


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