Comportamento

Funcionária que limpa UTI de covid declara: “Também sou da linha de frente e uma heroína”

Edna Melo trabalha no Hospital-Geral do Estado, em Maceió (AL). Relata seu orgulho por desempenhar essa função e faz parte do time que batalha contra a covid-19!



Não são apenas médicos e enfermeiros que estão na linha de frente contra o coronavírus, as pessoas que trabalham dentro de hospitais também estão nessa luta. O relato de uma funcionária da limpeza de uma unidade de terapia intensiva nos mostra o quanto esses profissionais são imprescindíveis e, por muitas vezes, são esquecidos.

Edna contou ao Universa UOL que trabalha há oito anos com limpeza de UTI. Hoje ela atende uma das alas que está recebendo pacientes com covid-19. Relata que limpa tudo, desde o chão, paredes, móveis, banheiro e alguns equipamentos que só o pessoal da enfermagem usa.

No início da pandemia, ela contou que o hospital deu um kit de proteção individual e orientações para que os funcionários se adaptassem à nova realidade. Mas ela descreve que o cenário, na prática, é de dar medo por saber que vai estar no mesmo ambiente de pessoas infectadas por um vírus que mal conhecemos.


O plantão de Edna é de 12 horas, com folga de 36 horas. Ela começa às 7h da manhã e vai até as 19h. Mesmo que seu trabalho não seja reconhecido por muita gente, ela declara sentir orgulho ao atuar nessa profissão, diz gostar muito do que faz e se considera atuante na linha de frente.

Ela continua dizendo que são mais do que heróis e se realiza fazendo a sua parte. Quer contar aos netos no futuro o que passou nessa pandemia, lutando, trabalhando e vencendo. Afirmou que, no início, acabou contraindo o vírus, mas agora já está vacinada, recebeu as duas doses e sente-se mais protegida.

Ao retornar para casa, um ritual de cuidados é seguido. Ela costuma entrar por trás, onde sua roupa já está pendurada por sua filha. Todo cuidado é pouco, já que em sua rotina vê como os pacientes chegam em estado grave e são intubados.


É uma alegria quando saem da UTI com vida. Fazem festa e a equipe inteira do hospital comemora. Edna conta que, por estar na linha de frente, sente na pele como é uma doença difícil. Ver pai e mãe sofrendo por filhos e familiares é desolador. Não poder pegar na mão de amigos que estão internados é algo que machuca todos.

Mas ela entrega nas mãos de Deus e sempre pede em oração que a saúde daqueles que estão no hospital seja restabelecida. Ao vivenciar tudo isso na prática, ela faz uma reflexão sobre como a população poderia se conscientizar e usar máscaras, respeitando o distanciamento e redobrando os cuidados preventivos.


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