Comportamento

“Imperfeições perfeitas”: abandonada ainda bebê, por ser albina, adolescente se torna modelo da Vogue

Xueli foi abandonada à porta de um orfanato, ainda bebê, por ser albina, justamente o que a levou à carreira de modelo, suas diferenças.



As diferenças costumam provocar reações controversas nas pessoas que se encaixam, de uma forma ou de outra, nos padrões de sua região. Para alguns, fugir da normatização da beleza é algo digno de ser celebrado, é o que, em sua essência, nos faz seres humanos. Mas, para outros, tudo o que desvia da normalidade deve ser escondido, soterrado e aparado.

Em algumas comunidades, a cultura é outro fator que piora as relações sociais das pessoas consideradas diferentes. Na China, por exemplo, o albinismo é visto, em algumas localidades, como uma espécie de maldição, o que colabora para que bebês que nasçam dessa forma sejam abandonados em orfanatos.

Esse é o caso de Xueli Abbing, uma adolescente de 16 anos, que foi abandonada ainda bebê, por ser albina, uma condição genética em que o indivíduo tem ausência parcial ou completa da enzima tirosinase, e torna a pele e o cabelo extremamente claros. Em reportagem para a BBC, a jovem conta que, no orfanato, a chamaram de Xue Li, que significa “neve” e “bela”.


Aos 3 anos, ela foi adotada e se mudou para a Holanda, com sua nova família. A mãe decidiu manter as origens chinesas da filha, além de não conseguir pensar em um nome mais bonito para ela.

Na época em que nasceu, existia a política do filho único na China, impondo à população um controle de natalidade forçado, impactando em crianças que nasciam com algum tipo de diferença ou deficiência.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@xueli_a.

Quem nascia com albinismo era abandonado em orfanatos, como Xueli, outros ficavam trancados em casa ou tinham os cabelos tingidos de preto. Nenhuma informação foi deixada junto com a menina quando abandonada, nem sequer sua data de nascimento. Ela precisou tirar um raio X da arcada dentária para estimar sua idade.


Aos 11 anos, por acaso, começou sua carreira de modelo. Uma designer, amiga de sua mãe, decidiu que ia desenhar roupas bem estilosas para seu filho, que tinha lábio leporino, para que as pessoas passassem a olhar outra coisa, que não apenas seu rosto. A mulher, de Hong Kong, chamou sua campanha de “imperfeições perfeitas”, e chamou Xueli para participar do desfile.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@xueli_a.

O desfile abriu portas para a jovem, que foi chamada para algumas sessões de fotos com importantes nomes da moda, além de ser contactada pela agência de modelos Zebedee Talent, que a chamou para fazer parte do time, com a importante missão de representar as pessoas com deficiência na indústria. Em 2019, uma de suas imagens saiu na Vogue Itália, algo de que ela nem sequer compreendia a dimensão.

Xueli conta que na moda ser diferente é uma bênção, não uma maldição, e isso aumenta a visibilidade e conscientização da pauta do albinismo. A jovem fala que infelizmente grande parte das vezes em que são chamados para participar de campanhas, os albinos retratam anjos ou fantasmas, o que reforça estereótipos que podem prejudicar a vida de crianças com a mesma condição em alguns países.


Como a produção de melanina é prejudicada, em alguns casos, como o de Xueli, a visão também o é. Ela revela que tem apenas de 8% a 10% de acuidade visual, além de fotossensibilidade, o que modifica seu trabalho no estúdio fotográfico.

Alguns profissionais explicam que, por não enxergar, ela costuma atentar em detalhes que quase ninguém observa, além de ter uma visão de beleza completamente diferente da tradicional.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@xueli_a.

Seu trabalho com a moda é uma das formas de Xueli orientar sobre o albinismo. A jovem deseja mudar o mundo e não aceita que crianças com a mesma condição sejam simplesmente assassinadas em diversas partes do mundo. Ela também deseja provocar impacto com o seu trabalho, conscientizando cada vez mais pessoas sobre o albinismo.


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