Comportamento

Mãe com câncer pede que irmã cuide de seus filhos depois que morrer, e ela nega: “Preciso ser egoísta”

Foto: Reprodução
Minha irma com cancer pediu para eu cuidar dos filhos dela quando ela falecer 1200x650 1

O relato foi compartilhado há dois anos, e alguns usuários ficaram perplexos com o posicionamento da jovem, que não queria assumir os sobrinhos.

Nem sempre as relações familiares são da maneira como imaginamos, principalmente quando tudo começa a se deteriorar ainda na infância. Carregando traumas e inúmeros pensamentos rancorosos a respeito de alguns membros da família, algumas pessoas podem revelar um comportamento distante daqueles membros consanguíneos, provando que nem sempre o parentesco é suficiente para fortalecer os elos.

Nas redes sociais, alguns relatos acabam aproximando o público de outras realidades, abrindo espaço para opiniões e até mesmo dicas do que fazer quando o assunto envolve a família. Aquele caso mal resolvido, aquela briga que envolveu vários membros e até mesmo como lidar com determinados assuntos espinhosos são alguns dos temas que os usuários acabam publicando, de forma anônima ou pública.

Em busca de apoio, ajuda ou apenas palavras de conforto, alguns usuários contam detalhes dos acontecimentos, na esperança de que alguém possa iluminar suas vidas com uma solução mágica. No caso desta usuária anônima, as chances de compartilhar o caso apenas para se certificar de que estava correta são altas, principalmente porque o caso em questão é bem mais complexo do que podemos imaginar.

No Reddit, a internauta explicou, de maneira breve e seguindo as regras da rede social, que um pedido de sua irmã acabou abalando completamente seus pensamentos, ainda que já tivesse tomado sua decisão. A história foi compartilhada há dois anos, e a mulher contou que, na época em que tudo aconteceu, tinha 28 anos, enquanto a irmã tinha 34 anos. Com uma diferença de seis anos, as duas não se viam há muitos anos, e sequer interagiam nas redes sociais.

Segundo a usuária anônima, as duas tinham crescido em uma família abusiva e presenciando o alcoolismo destruir as interações. O pai, embora fosse amoroso, era alcoólatra, e acabou falecendo quando a caçula tinha oito anos, fazendo com que tivessem que conviver apenas com a mãe, que era agressiva. Um ano depois da situação familiar se tornar insustentável, a irmã mais velha, aos 15 anos, escolheu sair de casa para morar com o namorado, deixando a mais nova para trás.

Quando completou 13 anos, a caçula, que narra o caso, acabou sendo levada para morar em um orfanato, onde permaneceu até completar 18 anos. Ela decidiu então esquecer a família e seguir em frente, lutando para retomar os estudos, fazer faculdade, arrumar um emprego decente e tudo o que pudesse melhorar sua vida. Aos 24 anos conseguiu se formar, e sentiu que estava realmente fazendo um bom trabalho em sua história, mudando completamente o rumo da narrativa.

Durante todos esses anos, a irmã mais velha nunca ligou para dar notícias, e nem mesmo para saber como a caçula estava. Porém, três meses antes da mulher anônima compartilhar o relato nas redes sociais, ela contou que ela resolveu procurá-la, e tinha uma notícia difícil para compartilhar. Ela estava com um tumor gravíssimo no cérebro, e queria não apenas reatar os laços antes de morrer, mas também que a irmã pudesse ser a mãe adotiva dos filhos.

Se mostrando completamente relutante em seu relato, ela mostrou os motivos que a levam a declinar o pedido da irmã. Em primeiro lugar, ela e o marido tinham decidido não ter filhos, e explicou que acha injusto pedir que ele ajude a cuidar dos sobrinhos, já que a decisão tinha sido tomada antes mesmo do casamento, o que poderia resultar em divórcio.

Morando em outro país, a mulher explicou que não tem planos de ensinar a língua nativa do lugar onde mora para três crianças que sequer sabem falar inglês. Além disso, ela também não acredita em Deus, e a irmã teria lhe pedido para criar os pequenos dentro da igreja, assim eles conheceriam o Criador desde cedo, algo que deixou a mulher anônima ainda mais brava.

Ela explicou que disse não ao pedido da irmã, e que não poderia mudar seu estilo de vida para acolher sobrinhos que nunca viu na vida, filhos de uma mulher completamente estranha a ela, e que nunca tinha feito questão de fazer parte de sua vida. Como forma de tentar ajudar, ela disse que se ofereceu para pagar testes de DNA para que a irmã soubesse quem são os pais das crianças, assim ela poderia ir atrás deles fazendo o mesmo pedido, mas ela se recusou a aceitar essa ajuda.

“É a minha vida, e preciso ser egoísta nesse sentido”, disse ainda a jovem, reforçando que não queria “dar uma lição” na irmã, mas apenas viver conforme sua própria vontade. A decisão foi tomada principalmente depois de conversar com o marido, que deixou claro que iria acabar indo embora, já que seu salário jamais seria capaz de arcar com os gastos.

A mulher ainda disse que já foi diagnosticada com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), e que acabaria ficando maluca com três crianças desconhecidas em sua casa, bagunçando o imóvel e fazendo barulhos que poderiam deixá-la “insana”. Ela ainda reforçou que quem precisa arcar com a responsabilidade é o pai, e que não pode sobrar para ela um compromisso que nunca escolheu ter.

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