Comportamento

“Não julgue minha maternidade só porque tenho nanismo”, desabafa mãe sobre preconceito diário

Ela relata em entrevista como é doloroso o olhar de descrença quando aparece cuidando de seus filhos.



Essa história é uma verdadeira lição para todos nós. Muitas vezes, o olhar julgador dilacera a alma daqueles que constantemente passam por esse tipo de situação.

Cathy Reay deu uma entrevista para o Metro e seu desabafo ensina muito sobre o poder da inclusão e como ela deve ser praticada o tempo inteiro. Ela relatou que entrou em seu primeiro grupo de mães e bebês em 2014.

Sempre foi a única mãe com deficiência física nos espaços de pais em que esteve, mas nem por isso é confortável ver todos os pares de olhos a acompanharem. Cathy afirma que é um olhar de descrença, estampando a pergunta que ela acredita que todos fazem mentalmente: como aquela mulher pode ser mãe? Será que aquele bebê foi gerado por ela?


A declaração de uma mulher que está cansada de se explicar faz com que precisemos adotar certos limites de comportamento. Cathy afirma que se fossem somente os olhares, ela daria conta, mas sempre há alguém mais corajoso que lhe faz perguntas que a machucam profundamente.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@thatsinglemum.

Querem saber se os filhos têm a mesma deficiência que ela. Sente-se tão excluída, mesmo estando perto de todos, por causa de comentários desse tipo. Cathy desabafa que a impressão que dá é de que todas ali imaginam que ela seja uma aberração da natureza que precisa ser explicada o tempo todo.

A mulher relata ainda que gostaria de não ser interrogada em todo lugar, quando está na companhia do filho. Porque ela não merece estar lá, como outra mãe? Seja no hospital, grupos de maternidade, aula de dança para crianças, Cathy conta que sempre é olhada e se sente uma estranha.


Seu desabafo é para mostrar que pessoas com deficiência são dignas e capazes tanto quanto qualquer outra pessoa, principalmente se for mãe. Ela relata com orgulho que sua limitação não afeta sua capacidade de ter e criar filhos. Quanto mais as pessoas se espantam, mais esse comportamento reforça visões estereotipadas.

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Cathy tem acondroplasia, a forma comum de nanismo. Ela teve duas gestações, uma aos 28 e outra aos 31 anos, sem complicações. A parte difícil para ela é o julgamento e questionamentos que fazem sem pensar que podem machucar quem os escuta.

O mundo já é construído para pessoas “normais”, quem não se encaixa nesse padrão se esforça o triplo para se adaptar. A luta já vem desde antes, não é necessário que olhares espantosos e julgamentos pesem ainda mais a condição, relata.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@thatsinglemum.

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Cathy afirma que passou por muitas experiências em que sua deficiência foi maior do que sua capacidade de cuidar dos seus filhos. Inclusive, suas habilidades como mãe são questionadas em todos os momentos. Tudo isso fazia com que ela quisesse apenas se esconder.

Parou de frequentar eventos sociais. A rotina da maternidade já era cansativa o suficiente para que ela ainda tivesse o desprazer de se sentir inferior aos outros por causa de suas características físicas.


Depois que se tornou mãe pela segunda vez, Cathy disse que fez as coisas de uma maneira diferente. Passou a ver mais a família e amigos que a apoiavam e sentiu-se muito mais feliz por estar em espaços que verdadeiramente a aceitam.

Por isso decidiu mostrar ao mundo que o comportamento com deficientes precisa mudar imediatamente. A inclusão social precisa ser vivida na prática, e não apenas na teoria. E, para tratar mães e pais com deficiência como quaisquer outros pais, basta apenas ser gentil com eles e apoiá-los. Mesmo que tenham dificuldades de acesso, suas habilidades jamais devem ser questionadas.

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