Os amores acabam, a beleza fica

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Só o que eu vejo por ai é gente se vitimizando de ter o dedo podre, fazer escolhas erradas, não ter sorte no amor e por ai vai… Demorou, mas eu aprendi que pra tudo na vida existe um tempo certo e inclusive, hora pro amor chegar e sair – isto é, se é que depois que ele chega, ele sai da gente. Acredito que não.



Penso sinceramente que ele amorna, fica quieto, guardado, intocável em um lugar nosso e de lá ressurge sempre que aparece alguém melhor ou pior que os nossos ex amores. Sim, as comparações – por mais erradas que sejam – são inevitáveis. O que me incomoda de verdade é deixar de enaltecer o que foi bonito, porque não é mais, ou simplesmente por ter existido um único momento ruim que maculou todo o lado positivo, como se fosse obrigatório tudo ser belo, bom e cheio de amor o tempo todo. Triste forma de pensar.

Não me cabe ir de encontro ao seu modo de acreditar que quando o amor acaba a página deve ser rasgada, jogada no lixo, com álcool e fogo, mas, permita-me discordar e me posicionar que o certo, é somente virar a página. Ela, a página, vai sempre fazer parte do nosso livro e mais que isso, por ter sido algo que nós vivemos, nem pondo fogo sairá das raízes da nossa mente. Vez ou outra, virá visitar a nossa lembrança com uma saudade gostosa.

Acredito que tudo que se vive, seja ruim ou bom tem o seu valor, e não é um valor imposto pelo externo, mas sim por nós mesmos. Quando olhamos para trás e vemos a beleza de alguém que um dia amamos encoberta por uma poeira de mágoa, é melhor revermos nossa forma de pensar. Não venho aqui fincar a bandeira da bondade suprema, pedir que a Maria que levou galha por quatro anos seguidos, seja a melhor amiga do João e sua atual esposa. Não, não é isso. Eu só torço é que a Maria, três meses ou treze anos depois consiga olhar ou lembrar do João e sorrir. Sem peso, sem choro.


Eu sou totalmente contrário aquela música que diz: “O que passou, passou, não importa”.
Discordo, importa. E importa muito. Foi vida, foi tempo gasto, foram momentos, sorrisos e lágrimas que estarão para sempre eternizadas e isso queira você ou eu apagar, não haverá como. Está mais que na hora de aprender que conto de fadas não existe e que vida boa mesmo é a que trás a emoção do sobe e desce da montanha-russa.

Tenho por hábito, exaltar todos os meus ex amores por merecimento, em cada história eu vivi momentos incríveis e mesmo me decepcionando, soube tirar o devido proveito da situações, que sim, deram certo. É ridículo desdenhar do ombro que me amparou e dos olhos que inúmeras vezes me admiraram, simplesmente porque o amor acabou. Acabou? Tudo bem, mas a beleza ficou aqui comigo, ficou na minha memória, ficou na lembrança dos anos e meses incríveis que eu acordava já pulando da cama, ficou em cada mensagem que perpetua em minha mente até hoje, nos e-mails trocados, no final de semana na praia e até mesmo naquela polo preta que ganhei de presente e ainda uso para sair no sábado à noite desacompanhado. Ficou por que existiu verdade e isso enraíza no peito da gente – é fato. E por mais que ocupemos a cabeça, amemos tantas outras vezes, toda lembrança irá durar o tempo necessário que as verdades duram – isto é, enquanto o nosso peito pulsar.

É de uma honestidade sem tamanho carregar o reconhecimento de um amor que “deu errado” conosco, sorrir e se sentir feliz ou até mesmo com saudades cada vez que lembrar disso. Colocar o orgulho no bolso, relaxar a cabeça e ter a certeza que não é uma recaída, carência ou nada demais, é apenas um trecho do livro da nossa vida que passamos o marca texto e gravamos na memória de uma forma lúdica e positiva.


Quando o nosso peito está curado, estamos bem. Não iremos lembrar da falta de atenção, nem tão pouco do temperamento difícil que o nosso par tinha, mas sim, do que foi bom e verdadeiro e nos sentirmos completos por termos vivido essa história.

Amores acabam. É um fato. E também a ordem natural das coisas. Uns findam com a morte física, outros com a morte da crença. Seja qual for a morte que imponha o final, o que se viveu é digno de respeito, pois sem dúvida alguma existiu beleza e unicamente por isso deve ser (re)lembrado.

 

Via Deu Ruim 

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* Matéria atualizada em 20/02/2017 às 2:23






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