Comportamento

Para salvar filhas da violência doméstica, mãe abandona casamento e se torna palestrante!

A violência doméstica começa de maneira sutil, mas pode tomar proporções inimagináveis, chegando a afetar os filhos e o bem-estar de toda a família.



Muitas famílias são atravessadas pela violência doméstica, com agressões e hábitos tão danosos que acabam gerando trauma em crianças e adultos. Para quem pensa que apenas as mulheres sofrem com esse tipo de agressão, a verdade é que os filhos também podem estar inseridos nos ciclos de violência, causando problemas a todos os membros que presenciam e experienciam esse tipo de dor.

Ogo Alaku-Cathern se lembra do primeiro dia em que sofreu agressão física, e não teria como esquecer: foi no dia do seu casamento. Seu companheiro lidava com o estresse culpando a mulher, fosse pela gravidez, pela situação que se encontravam ou até mesmo pela condição financeira de seus pais.

Segundo relato ao site Love What Matters, ela conta que ele dizia diariamente que ela não era digna de um homem como ele, já que era médico.


Tratar a vítima como incapaz também é uma característica comum em casos de violência doméstica, e Ogo conta que passava por isso também. Era chamada de burra, estúpida, tola, inferior durante todo o período em que permaneceu casada.

A segunda vez em que apanhou foi a caminho da lua de mel, e foi a primeira de muitas agressões públicas. No aeroporto, o marido se sentiu ferido pelo comentário de uma funcionária da companhia aérea, e desferiu um tapa no rosto de sua esposa, enquanto estava grávida de seis meses.

Em determinado momento, as agressões passaram a atingir também a filha do casal. Com pouco mais de um mês de idade, o casal brigou por algo insignificante, a gritaria foi aumentando e, quando se deu conta, estava apanhando novamente do marido. Ogo estava com a filha nos braços no momento da agressão, e o homem bateu na sua bochecha com tanta força que a bebê ficou com o olho injetado de sangue por alguns meses.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.


A rotina de agressão acaba prendendo a vítima ao seu agressor, porque realmente acredita que não é digna de nada melhor e aquela é a única pessoa no mundo que vai aceitá-la. Com o passar do tempo, é comum apresentar também comportamento violento, como forma de tentar lidar com aquela situação.

Acreditando que era incapaz, Ogo acabou ficando e engravidou de sua segunda filha, mesmo sabendo que aquela dinâmica em que vivia era insustentável. Hoje a mãe conta que colocou as duas em perigo por não ter encarado a verdade mais cedo.

Mesmo que o companheiro tenha mostrado animação inicialmente com a notícia, conforme o tempo foi passando, ele começou a agir de maneira irracional, abusando do álcool em grande parte das vezes.

Assim que a segunda filha veio ao mundo, Ogo não conseguiu notar que a primogênita já apresentava sinais de trauma, não conseguindo dormir, com medo de acordar com os gritos de uma briga dos dois. Quando via duas pessoas se abraçando, a pequena tinha súbitos ataques de pânico, mas a mãe não conseguia enxergar isso na ocasião.


Duas semanas depois de dar à luz sua segunda filha, eles tiveram outra briga, tão violenta que chegou a afetar sua sogra e sua caçula. O homem a xingou de vários nomes, além de afirmar que era ele quem a tinha feito mãe, já que nenhuma outra pessoa aceitaria se casar com ela. As agressões verbais não foram suficientes, e ele partiu para a violência física.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Como havia acabado de ter uma filha, sua mãe estava em sua casa, ajudando-a com os afazeres domésticos. Mas nem a visita da sogra impediu o homem de agir com violência, e assim que ela entrou no meio da briga, foi atingida por um tapa no rosto.

Ogo teve que ser levada às pressas ao hospital, porque estava em estado crítico, e aquela foi a primeira vez que sua filha caçula presenciou uma violência doméstica, com duas semanas de vida.


Foram mais dois anos até que conseguisse se livrar daquele ciclo de violência, e suas filhas acabaram lhe dando a coragem que faltava para saltar rumo ao desconhecido, mas recusando uma existência tecida por ódio. Ogo percebeu que ninguém apareceria para resgatá-las, se quisesse ter algum tipo de esperança, era ela mesma quem precisava assumir o controle da situação.

Perceber que suas filhas ficariam melhor vivendo com uma mãe divorciada e viva do que com uma casada, mas morta, foi o que precisava para sair daquela casa.

Muitas pessoas lhe deram as costas, gente de quem esperava algum tipo de apoio ou ajuda, mas descobriu na prática que nem tudo funciona da forma como deveria. Sair de um relacionamento abusivo não é fácil, e Ogo precisou lidar com a perseguição do ex-marido, que assediava inclusive seus amigos.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.


Foi um período difícil, mas que acabou lhe reconectando com Deus e dando ainda mais forças para lutar. Fugir do abuso nunca será fácil ou confortável, mas é preciso encarar a realidade e se perguntar se está feliz naquela situação.

Perguntar-se se seus filhos estão seguros nessa dinâmica também pode ser uma boa forma de enxergar o que está acontecendo. É essa a vida que você espera ter?

A fuga daquela antiga casa e o tempo para curar as próprias feridas fizeram com que Ogo visse um novo propósito em sua vida. Hoje ela possui um talk show chamado “Transform After Abuse”, que ajuda sobreviventes da violência doméstica a reencontrar a esperança, a cura e a reconstruir suas vidas.

Ela acha incrível que o que lhe causou tanta dor hoje é o que lhe fornece luz. Ogo se casou novamente e vive um relacionamento estável com uma pessoa responsável e bondosa. O que achou deste relato? Comente abaixo e compartilhe-o nas suas redes sociais!


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