Comportamento

Pilota brasileira declara: “Sou copiloto de Airbus 380 e já me falaram que eu deveria pilotar fogão”

Exercendo o belo ofício dessa profissão, ela conta que já passou por preconceito pelo fato de ser mulher em um ambiente predominantemente ocupado por homens.



Ao conhecermos mulheres incríveis, que desafiam seus limites e são profissionais de sucesso, cremos ainda mais na nossa capacidade de estar onde quisermos e exercer qualquer profissão.

Hoje em dia, não existe mais “emprego de homem/emprego de mulher”. Profissão não tem gênero e a cada dia mais mulheres provam que são habilidosas em qualquer atividade!

Aline Borguetti é um exemplo que precisa ser conhecido por todos, principalmente por nós, mulheres. Aos 32 anos, é a mulher brasileira mais jovem a ser copiloto de um Airbus 380.


Ela cedeu uma entrevista ao Universa UOL e contou um pouco de sua jornada. A aviação chegou por acaso à sua vida. Ao fazer um curso de turismo, uma de suas professoras falou que tinha perfil para ser comissária de bordo. Aos 18 anos, Aline iniciou nessa profissão.

Fazia voos nacionais, para algumas ilhas caribenhas e América Latina. Conta que gostou muito da experiência, mas se considera tímida demais. Preferia os voos longos, pois assim visitava a cabine de comando e tinha curiosidade em saber como tudo funcionava lá dentro. Começou a se apaixonar e procurou um colega instrutor de voo. Assim que voou pela primeira vez na cabine, descobriu que era isso que faria pelo resto da vida.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@alineborguetti.

Iniciou o curso de piloto privado, mas entendeu que precisava falar inglês. Viu seus colegas não conseguirem emprego por não dominarem a língua e, diante disso, pediu demissão do emprego de comissária e, com o dinheiro, foi fazer intercâmbio na Austrália para aprender inglês, contou.


Sua origem é simples, sempre foi muito esforçada para conseguir levar a sério suas vontades. Aos 23 anos, estava em outro país, com apenas 500 dólares e disposta a encontrar qualquer tipo de emprego para se bancar por lá. Trabalhou como garçonete e faxineira, juntando todo o dinheiro que podia. Mesmo desafiador, fez tudo sozinha.

Voltou ao Brasil depois de um ano e trabalhou como comissária novamente, porém seu foco era se tornar piloto. Para concluir a formação, Aline trabalhou como professora de inglês e em escolas de aviação, a fim de juntar dinheiro e terminar seu curso que, segundo ela, varia de R$ 80 mil a R$ 100 mil, dependendo da escola e do tipo de aeronave.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@alineborguetti.

Seu esforço não foi em vão. Foi a primeira comissária a ser promovida a piloto do jato Embraer 190-195, da Azul. Em 2017, foi admitida numa seleção da Hong Jong Airlines, pilotando um Airbus 320 e um A330 pelo sudoeste asiático. Conta que a experiência foi incrível e enriquecedora, pela cultura, gostos, comidas e tendências completamente diferentes daquelas às quais estava acostumada.


Gostou de ter pilotado outro avião justamente por sair de sua zona de conforto. Logo mais, participou de outra seleção, agora para a Emirates, e foi aprovada para ser copiloto do Airbus 380. Ela conta que, dos mais de 2 mil pilotos, apenas 40 são mulheres, três delas brasileiras. Com certeza ela entrou para a história!

Aline relata que sofreu preconceito nos países asiáticos mais do que no Brasil por causa da questão de gênero. As mulheres ainda sofrem com esse tipo de comportamento. Mas, por outro lado, a admiração é muito maior, muitas se sentem representadas e empoderadas por fazer o que teoricamente só homens fazem.

A copiloto diz que é muito bom esse reconhecimento, mesmo que ainda tenha de lidar com algumas piadas e brincadeiras de mau gosto. Já ouviu que ela deveria pilotar um fogão e não um avião. Confessa que não dá mais atenção para isso, porque sabe que é tão apta quanto um homem dentro da cabine.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@alineborguetti.


Aline conta que escolheu não ter filhos nem se casar, mas isso não influencia em sua profissão, pois já conheceu muitos que são casados e pai/mãe de família. Ela reitera que foi uma escolha pessoal. Por causa do trabalho, mora em Dubai e, olhando para onde está atualmente, sente que superou os obstáculos da vida.

Ela conclui que sente muito orgulho de si mesma, de onde saiu e aonde chegou. Houve várias pedras no caminho, de pessoas dizendo que essa profissão não era para ela, que era muito caro, mas reflete que seu esforço valeu a pena.

Seus pais não puderam ajudá-la financeiramente, mas lhe deram todo o apoio que podiam. Ela conta que se levantava às 3h da manhã para ir ao aeroclube e sua mãe fazia seu café da manhã. Sente-se realizada, pois sabe que o caminho não foi fácil.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@alineborguetti.


Seu desejo não para por aí. Aline quer ser comandante. A taxa de mulheres comandando aviões é muito pequena, menos de 2%. Almeja ser um bom exemplo para inspirar outras meninas, e gostaria de fazer com que acreditassem em seu potencial, porque podem exercer qualquer profissão.

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