Tempos extremos esses em que quase não conversamos, ocupados em dar likes no celular

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Tempos extremos esses em que quase não conversamos olhando no olho do outro, ocupados em dar likes no celular.         

São mesmo tempos extremos estes os quais resolvemos nascer, crescer, trabalhar e nos multiplicar.



Quase não conversamos olhando no olho do interlocutor, ocupados que estamos em dar likes no celular.

Quase não nos metemos em discussões sobre a vida, receosos de sermos bombardeados com comentários de deboche.

Quase não dizemos o tão essencial e fundamental “eu te amo”, por algum motivo besta que desconheço.


Praticamente nos reduzimos a pseudo-máquinas pré-programadas à produção incansável que nos tira o brilho de sermos criaturas pensantes.

Praticamente nos lançamos num abismo diário de uma rotina que não nos preenche a alma, atirando-nos no final do dia em algum vício de entretenimento que nos transforma em abobados digitais.

Extremos. A apatia toma conta de muitos. O inconformismo acende o desespero de outros. Ou se fala muito até a exaustão, sem ouvir o que o outro tem a dizer ou não se diz nada, por cansaço do que o outro tanto diz.

Ou se ama muito e é apontado como romântico chato e incômodo ou se volta apenas a si mesmo, preferindo a própria companhia do que ser abraçado, beijado e querido por outra pessoa.


Extremos. Ter filhos virou objetivo de vida. Criá-los, virou obrigatoriedade empresarial de instituições de ensino.

Casamento virou show teatral, com tudo minuciosamente coreografado e núpcias amplamente fotografadas e divulgadas. Compartilhar a vida com alguém virou algo inaceitável: onde já se viu dormir e acordar todo dia com a mesma pessoa e ainda por cima dar atenção a ela, atrapalhando a rotina do outro que precisa atualizar as timelines, curtir as fotos de quem mal se conhece e baixar os jogos que o deixarão num mundo à parte deste que está insuportável?!

Até a natureza entrou nessa, talvez debochando de nós. Só neste final de Julho e começo de Agosto, extremos nos termômetros, excessos de terremotos, incêndios por causa do calor, mortos por excesso de chuvas.

Como dizer para nossas crianças que o futuro delas será ótimo se escavamos tanto para que seja exatamente o contrário por tanto tempo?

Como cuidar de nossos idosos se não cuidamos nem de nós mesmos? Como reagir?

Proponho a simplicidade.  Trabalhar pelo bem de todos e não apenas para o nosso. Criar nossos filhos para que sejam fortes, amáveis e preocupados com o todo e não apenas com seu próprio bem-estar. Amar e dizer “eu te amo”. Sempre.

Para você aí que não curte dizer, saiba: estas três palavras juntas e ditas para quem é importante para nós, faz milagres. Pode tirar da apatia, abrir uma luz na depressão, reavivar a fé na humanidade e fortalecer o psicológico de quem ouve.

Parece coisa de gente romântica. Mas garanto pela observação: complicamos tanto até aqui que chegamos nos extremos. E ficou tudo do jeito que está. Vamos simplificar de novo e torcer para sermos criativos sem a ganância de estarmos sós no mundo. É que já somos muitos bilhões, caríssimos.

Temos que nos amar para que tudo funcione bem.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: dolgachov / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 09/08/2018 às 5:21






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