Por que temos a impressão de que o tempo passa mais rápido à medida que envelhecemos?

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Tempo real versus tempo percebido

O tempo pode ser dividido em duas categorias, o tempo objetivo, definido como o tempo do relógio, aquele compartilhado por todos, e o tempo subjetivo, baseado no ritmo de cada cérebro. É difícil separar a realidade objetiva do tempo da, nossa percepção subjetiva e humana dele. Desse modo, pode-se dizer que a percepção pessoal do tempo é uma das questões mais intrigantes do cérebro, e compreender esse mecanismo mostra que, talvez, uma das únicas coisas certas que você tinha sobre a vida pode na verdade ser bem incerta.



A definição

O tempo é uma questão de grande interesse e tem sido estudado, há séculos, por áreas diversas do conhecimento, como a filosofia e a ciência. Em uma definição simples e objetiva, o tempo nada mais é que o período que separa dois pontos utilizados como base para classificar um evento. Pode ser medido em segundos, minutos, dias, horas, meses, anos, décadas etc.

Em termos práticos, o tempo passa de forma objetiva, ou seja, um segundo é sempre um segundo. O mundo, todavia, é o que percebemos dele, e certamente nosso cérebro percebe alguns segundos muito mais longos do que outros. Isso ocorre porque nossa percepção desse tempo é relativa e, portanto, não varia só de espécie para espécie, mas também entre indivíduos.

Diversas pesquisas tem sido realizadas com o intuito de explicar essa percepção. Qual é o motivo pelo qual alguns dias parecem durar uma eternidade, enquanto outros momentos se mostram mais curtos? Alguns estudos alegam, por exemplo: em função de peculiaridades da percepção humana, o tempo passa mais rápido à medida em que envelhecemos.



Por que a percepção do tempo é subjetiva?

Para a psicóloga Cláudia Hammond, autora do livro Time Warped: Unlocking the Mysteries of Time Perception, o sistema cerebral de registro da passagem do tempo considera vários fatores, como emoções, expectativas, o quanto suas tarefas exigiam de você naquele período e até mesmo os sentidos. Além disso, propõe que entender como a mente percebe o tempo nos tornaria capazes de manipular o mesmo.

A psicóloga explica ainda que o motivo pelo qual alguns momentos da vida parecem particularmente mais longos que outros é que, durante esses momentos, provavelmente, o indivíduo foi exposto à muitas experiências novas. Seu cérebro, por sua vez, percebe os eventuais episódios como sendo mais duradouros.

À medida que envelhecemos, temos a impressão de que o tempo parece passar mais rápido. O mundo que percebemos é fruto de como nossos sentidos interpretam esse mundo. Quando a informação recebida pelo cérebro é familiar, seu processamento ocorre muito rapidamente. Por outro lado, informações e estímulos novos são mais lentamente processados e geram a sensação de tempo alongado. Quando recebemos um fluxo muito grande de informações novas, o cérebro demora um tempo para processá-las. Quando mais tempo ele demorar, mais longo o tempo nos parecerá.



O “problema” é a rotina

É por isso que momentos preenchidos com rotina parecem “passar voando”, enquanto momentos de estresse ou de emoção intensa não. À medida que os anos avançam, a tendência é fazermos menos coisas novas. Infância e adolescência parecem durar muito mais. Segundo teorias psicológicas recentes, a grande responsável pela aceleração de nossas vidas, desse modo, é a rotina.

Mas é importante ressaltar que existem outros fatores relacionados à passagem mais rápida do tempo com o envelhecimento. Durante este processo, o indivíduo encontra-se sujeito à mudanças na produção de substâncias que controlam o relógio interno e o metabolismo, o que também pode resultar na percepção de que o tempo passa mais rápido.


Aprender mais para vivenciar melhor os momentos?

Cláudia Hammond e outros cientistas estudiosos do tema, como o neurologista americano David Eagleman, propõem que é possível manipular o tempo e fazê-lo passar mais lentamente. Para isso, é necessário criar novos registros no cérebro, memórias mais ricas. As atividades não precisam ser necessariamente coisas novas. Olhar diferente para aquilo que já se está adaptado a fazer também pode gerar o mesmo efeito. É fundamental, dessa forma, buscar mais detalhes e “forçar” o cérebro a deixar a sua zona de conforto. As novas memórias distorcem a percepção do tempo. Outras atividades como a meditação podem auxilar, visto que obrigam o cérebro a observar sensações corriqueiras com mais atenção.

É necessário, portanto, sair da rotina e dar ao cérebro um fluxo constante de informações novas. Conhecer novos lugares, novas pessoas, ser espontâneo e envolver-se em novos aprendizados.

 

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Fonte: MeuCérebro

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* Matéria atualizada em 29/04/2015 às 1:27






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