30 caminhos para ser feliz:

13min. de leitura

Da Grécia Antiga aos estudos científicos e livros de auto-ajuda contemporâneos, conheça a história da felicidade e veja propostas práticas para encontrar a realização



Na era do Prozac, vale tudo para ser feliz. A busca pelo equilíbrio e plenitude deu lugar a uma obsessão pela felicidade. Como esperamos um estado de satisfação durável, quando a frequência ameaça baixar, basta tomar uma pílula e pronto — exatamente como profetizou Aldous Huxley no livro “Admirável Mundo Novo” (1932), uma visão futurista de uma sociedade que vivia à base de “soma”, espécie de droga da felicidade. Mas depender de remédios para ser feliz é ilusão e pouco saudável.

Os caminhos apontados para a real felicidade são múltiplos e não há fórmula para alcançá-la. Felicitas, o termo em latim que dá origem à tão almejada palavra, significa sorte, ventura, algo que surpreende. Tales de Mileto, o primeiro filósofo a discorrer sobre o assunto, compactua desta definição e se aprofunda. Em um texto datado do final do século 6 a.C., ele afirma que era feliz quem tinha saúde, boa sorte e alma estruturada.

Seus sucessores da Grécia Antiga vão além. Sócrates, autor do aforismo “Conhece-te a ti mesmo”, acreditava que para atingir este estado de bem-aventurança era preciso uma conduta virtuosa e justa, sendo o homem responsável própria felicidade. E não deixá-la nas mãos do acaso. Platão enxerga aconquista da felicidade por méritos de uma alma limpa e transparente.. E Aristóteles inclui mais um elemento nesta busca: a razão. Além disso, era importante ter uma vida social e econômica estável.. Conhecido como criador do hedonismo, Epicuro acredita no prazer. Mas a chave para ser feliz era libertar-se dos desejos..


Ainda bem que a felicidade é breve, pois neste estado não queremos mudar nada. Se passássemos o tempo inteiro felizes, ficaríamos estacionados. Insatisfação é saudável, dá movimento à vida, é mola do mundo. Para o psicanalista Jacques Lacan, quando um desejo é alcançado, rapidamente perdemos o interesse. Em síntese, os conceitos da Antiguidade sobre felicidade vigoram até hoje. Mas passaram por acréscimos e reinterpretações.

O autoconhecimento é o primeiro passo para viver em harmonia com o entorno. A coach de vida e especialista em desenvolvimento humano Roselake Leiros cita Carl Jung, fundador da escola analítica de psicologia, para transformar o que não está bom. “Quando você olha para fora, adormece. Quando olha para dentro, desperta”. Isso significa reconhecer e potencializar seus recursos, se conscientizar de suas falhas e então transcender.

Para Rose, alcançar o bem-estar natural envolve um mergulho interior – você com você mesmo – e então ações (como as sugeridas na galeria acima) para emergir e realizar o que se almeja. Cultivar pensamentos positivos é essencial.. “Acredite, você pode escolher os melhores”, diz Rose. Outra dica éampliar o olhar e enxergar o que acontece sob diversos ângulos. Isso vale para todas as áreas da vida. “Você não pode ser só trabalho nem só espiritualidade. Também não dá para cuidar apenas da família”. O desafio do ser humano é desenvolver-se integralmente. O equilíbrio é a palavra-chave para não ter ideias fixas.


Efeito inverso

É preciso ter cuidado com a perseguição exagerada da felicidade. De acordo com a pesquisadora Iris Mauss, do Departamento de Psicologia da Universidade de Denver, nos Estados Unidos, a pessoa focada demais nesta busca acaba sofrendo o efeito inverso: frustração e tristeza. Momentos difíceis, que causam sofrimento, são inevitáveis. Saber que eles podem acontecer diminui a angústia e a ansiedade. É o que ensina Dalai Lama.

Em vez de jogar tudo para o alto e se entregar aos infortúnios da vida, o melhor é analisar as causas desse mal. Para o monge budista, a compaixão, ou colocar-se no lugar do outro, é o segredo de uma vida mais feliz.. A ciência assina embaixo. Uma pesquisa feita com Matthieu Ricard, monge budista e confidente do Dalai Lama, constatou que seu cérebro produz níveis de ondas gama nunca vistos antes na neurociência.

Com 256 sensores conectados a sua cabeça, Ricard meditou em compaixão revelando uma incrível capacidade de sentir felicidade e redução de negatividade. Após os estudos, os pesquisadores da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, declararam o monge como o homem mais feliz do mundo.

Do ponto de vista do economista britânico e autor “A Ciência da Felicidade”, Richard Layard, a velha máxima se comprova: dinheiro não traz felicidade.. Tomando como exemplo países que tiveram maior renda nos últimos anos, o crescimento econômico não seguido do aumento da felicidade de seus habitantes.

Para ele, a competitividade do mundo contemporâneo tem nos tornado infelizes. O cultivo dos relacionamentos e a facilidade em fazer amizades seriam fatores determinantes para o indivíduo mais feliz.. Manter os laços afetivos não custa nada e é uma garantia nessa jornada.

Em prática

Agora imagine misturar todas essas teorias, dos gregos aos livros de autoajuda atuais, e colocá-las em prática? Bem, foi isso que motivou a advogada norte-americana Gretchen Rubin ao criar o “projeto felicidade”. Depois de passar por problemas, Gretchen resolveu dedicar-se à própria felicidade. Durante a empreitada, fez tudo que os manuais propunham: escreveu um livro, fez uma limpa nos armários, abraçou estranhos e parou de brigar contra o tempo.

Tendo vivido todas essas experiências, chegou à conclusão de que a felicidade não é algo distante. Ela está nas pequenas coisas do dia a dia, que muitas vezes deixamos de lado. A especialista aconselha em seu livro “Projeto Felicidade” (Best Seller): atente às coisas simples
da vida.

Um bom exemplo é mergulhar em uma atividade, o que faz com que você viva o presente. Ou seja, esqueça passado e futuro, que não existem. O poder da concentração é o que psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi, co-fundador da psicologia positiva e autor de “A Descoberta do Fluxo” ( Editora Rocco), sugere para alcançar o “flow” (fluxo) e descartar emoções e pensamentos negativos.

O altruísmo também funciona como ferramenta efetiva para melhorar os níveis de felicidade. É o que foi comprovado em testes realizados pelo psicólogo norte-americano Martin Seligman. Atos de bondade trouxeram paz de espírito e enormes benefícios ao astral dos pesquisados. Fazer o bem é também uma das dicas do filósofo francês Gilles Lipovetsky, um dos expoentes no assunto e autor de “Felicidade Paradoxal” ( Edições 70), para dar mais sentido à vida e ser feliz. A felicidade, afinal, está mais perto do que parece.

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Recarregue-se: está provado, o contato com a natureza torna as pessoas mais felizes. Sempre que puder, viaje para a praia ou campo.

Se não ser, dê um pulo até o parque.

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Brinque: entre na bagunça da criançada, pinte e borde. Sujar-se de tinta e mexer com argila são atividades ótimas contra a rigidez

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Coloque-se no lugar dos outros: está provado que a compaixão nos torna mais felizes

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Goste do que faz: se não estiver contente no trabalho, melhor procurar outro.

Vale mais ficar um tempo desempregado do que ter um emprego ruim

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Desconecte-se: desligue a TV, o computador e o celular para limpar a própria frequência e conectar-se com as coisas simples da vida.

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Caminhe: 15 minutos de caminhada são suficientes para transformar o humor, os especialistas garantem.

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Durma: o sono é revigorante e considerado um elixir da longevidade. É bom para a saúde e para a criatividade.

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Relaxe: invista em massagens e em atividades que aliviam a tensão, como a ióga ou mesmo um encontro com amigos.

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Esqueça do mundo: seja preguiçoso de vez em quando, sem se sentir culpado.

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Extravase: não se leve tão a sério nem se preocupe demais com as coisas.

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Cultive amizades: manter os laços afetivos não custa nada e é garantia de uma vida mais feliz.

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Ocupe-se: pessoas ativas e sociais são mais saudáveis e felizes

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Curta-se: seja uma boa companhia para si mesmo e apreenda ser feliz sozinho sem depender do outro

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Namore muito: ter uma vida afetiva e sexual saudável é a base do equilíbrio emocional, mental e físico.

Além de uma fonte de felicidade, o sexo ainda faz bem para a pele.

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Aventure-se: experimente realizar uma daquelas loucuras que você sempre quis fazer, mas não teve coragem.

É libertador vencer o medo.

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Pense positivo: você pode escolher seus pensamentos, então opte pelos melhores.

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Viva: experiências valem muito mais do que objetos materiais, estudos apontam.

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Gargalhe: o riso é um santo remédio para levantar o astral, elevar o amor próprio e dar aquela desopilada.

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Solte tudo: permita-se sentir as emoções. Chore quando necessário e limpe a alma.

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Esbalde-se: coma de joelhos aquele prato ou sobremesa que você ama, sem se preocupar com a balança.

No dia seguinte, você retorna à dieta.

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Cuide bem de seu corpo e mente: fazer esportes e cuidar da alimentação elevam a autoestima.

Gostar de si é o primeiro passo para os outros também gostarem de você.

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Bem como de seu espírito: tenha o hábito de expressar sua gratidão pela vida. Agradecer acalma o coração e a mente.

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Quebre a rotina: mude os trajetos, surpreenda as pessoas e faça passeios que não estavam programados. Ajuda a aliviar o estresse.

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Cante e dance: ‘quem canta seus males espanta’, já dizia o velho ditado. Solte a voz e o corpo sem medo de ser feliz.

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Alimente a alma: mantenha a sua programação cultural em dia. É divertido e ajuda a reciclar as ideias

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Dedique-se à família: passar mais tempo ao lado dos parentes aumenta a nossa felicidade, revelam pesquisas.

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Viva o presente: o passado e o presente não existem. Não adiantará de nada ficar remoendo o que passou, tampouco se angustiar com o que virá.

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Desapegue-se: doe roupas que estão paradas no seu guarda-roupa. Ajuda a circular a energia e dá lugar para o novo.

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Medite: o objetivo da meditação é a felicidade e a paz interior. Estabiliza a mente e nos liberta de angústia e sofrimento.

Foto: Divulgação

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Por: Renata Reif – Via: Confira.info

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* Matéria atualizada em 08/07/2014 às 5:06






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