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Com 45 anos, mulher estuda Direito para proteger filha trans: “Essa é toda a minha motivação”

Direitos autorais: arquivo pessoal.
1 Capa Com 45 anos mulher estuda Direito para proteger filha trans Essa e toda a minha motivacao

A mãe relatou que sua filha terá apoio e respaldo da lei, e vai fazer de tudo para garantir seus direitos.

Maddie começou sua transição aos 6 anos, depois de falar abertamente à sua família que era uma criança trans. Não se via como um garoto, e a mãe, já nessa época, começou a lidar com complicações.

Jenifer é sua mãe e agora, aos 49 anos, disse que, por causa do que passaram a ter como experiência, sua filha precisaria de apoio jurídico pelo resto da vida. E já que seria necessário uma pessoa que lutasse por ela, quem melhor do que a própria mãe?

Em entrevista ao The Washington Post, Katie Jenifer contou que as situações relacionadas à mudança de gênero de Maddie aconteceram rapidamente, transformando-se em eventos. Declarou que um dia repórteres de noticiários locais apareceram para entrevistar os pais que estavam na escola, questionando-os sobre a nova criança trans que estudaria com os filhos deles.

Pouco tempo depois, Maddie não pôde se inscrever numa turma de meninas, além de não participar de times femininos em parques e recreações. A mãe percebeu que deveriam estar com um advogado do lado mas, em vez de contratar um, ela começou a estudar Direito aos 45 anos para apoiar incondicionalmente sua filha.

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Jenifer estava determinada a fazer isso e lutou bravamente, travando uma batalha, pois precisou encaixar os estudos numa rotina de trabalho em tempo integral, uma organização sem fins lucrativos e ser mãe de duas crianças.

Mesmo com o medo, ela foi. Sabia que suas filhas precisavam da atenção da mãe e o preço que ela teria de pagar para concluir seus estudos era alto, incluindo-se valor financeiro e emocional. O marido a encorajou, e Katie se fortaleceu com seu apoio, pois sua motivação eram suas filhas.

E as crianças entenderam que o sacrifício da mãe era para protegê-las, e essa proteção se estenderia para outros jovens da comunidade LGBTQ. Jenifer via que Maddie era diferente desde pequena. Aos 2 anos, era apaixonada pelos sapatos da professora da escola dominical e pedia sempre para experimentá-los.

Desfilava pela casa usando as fantasias de princesa da irmã e todos os seus amigos eram meninas. Aos 4 anos, dizia repetidamente que não queria sair de casa vestida “de menino”. Um dia, falou para a mãe que havia uma parte do seu corpo que gostaria de tirar.

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Jenifer se assustou e percebeu que sua filha ficou deprimida. Procuraram ajuda profissional e com isso, aos 6 anos, Maddie iniciou sua transição. Começou pelas roupas, as quais, desde aquele momento, foram todas femininas.

A personalidade e o comportamento mudaram drasticamente. Ver a filha feliz fazia os pais suportarem o peso de sempre ter de se explicar. Porém, incidentes transfóbicos começaram a acontecer. Ela era proibida de jogar em times esportivos femininos, além de outras atividades sociais não a aceitarem.

A mãe dedicou-se com afinco na faculdade, concentrando-se nos estudos sobre os direitos LGBTQ. No verão, tornou-se membro de uma força-tarefa nacional e passou a ajudar pessoas em todo o estado a mudar seus nomes e marcadores de gênero.

Juntou-se a outros conselhos para que fosse alguém de prontidão para apoiar a comunidade. Quer ajudar todos, principalmente aqueles que não tiveram a oportunidade de transicionar cedo.

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Jenifer se revela uma mãe feroz, que vai usar toda essa força para crianças e jovens trans terem seus direitos assegurados pela lei. Finaliza dizendo que crianças trans precisam praticar esportes nos times que escolherem, isso não pode ser negado a elas. É direito delas ir e vir e, garante que toda a sua motivação vem disso, de proteger sua filha e demais pessoas nessas condições.

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