Família

Mãe faz filme sobre mudança de gênero do filho aos 15 anos e diz: “Sempre respeitei suas escolhas”

Coraci engravidou de uma menina e a criou assim até os 15 anos, quando disse que não se identificava como garota. A mãe aceitou e fez um filme sobre sua jornada.



Sabemos o quanto a sociedade questiona bastante sobre identidade de gênero e mudança. Hoje em dia, muitos programas de televisão, veículos informativos, jornais e conteúdos na internet abordam o caso para que mais pessoas estejam familiarizadas com as novas denominações.

Por ser um tema que envolve polêmica e ainda é um tabu, Coraci Ruiz, cineasta e mãe, decidiu usar a sua experiência e transformou-a num filme. Ela contou seu relato para o Universa. Disse que engravidou de Noah bem jovem, aos 22 anos. No ultrassom, disseram que era uma menina, e assim a criaram.

Aos 15 anos, seu filho Noah, que antes tinha nome feminino e era tratado como uma garota, por causa de seu sexo biológico, disse que não se identificava como menina. Relatou que estava em dúvida quanto à sua identidade de gênero. Sua mãe disse que ele nunca tinha se identificado como sendo do sexo masculino e parecia ter um lado feminino bem forte, isso a deixou com muitas dúvidas.


Foi então que seu filho desenhou um corpo humano no papel, apontou para a genitália e disse que aquilo era apenas um órgão, que não definia sua identidade nem por quem se sentia atraído. Depois, apontou para o cérebro e disse que é ali que a pessoa se enxerga de verdade e quer que a vejam assim também.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@coraciruiz.

Noah explicou à sua mãe que, quando uma pessoa é chamada de cisgênero, é porque ela se identifica com o sexo biológico que lhe foi atribuído ao nascer. Transgênero não se identifica com o sexo biológico e pessoas não binárias são aquelas que não se identificam nem com sexo masculino nem com o feminino.

Apontou para o coração e explicou que ali fica a orientação sexual, que não é definida por gênero, segundo relatou. A mãe achou tão interessante o assunto abordado, que decidiu gravar a conversa em vídeo e virou o início do documentário sobre o processo de transição do próprio filho.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@coraciruiz.

Coraci diz que sempre respeitou as escolhas dele, mas no fundo a aceitação precisou de um tempo, porque demorou a identificar o que a incomodava nesse caminhar. Depois de um exame de consciência, ela diz que passou a entender melhor, assim poderia ser uma mãe acolhedora e respeitosa com relação às vontades do filho.

O medo dela era de que se arrependesse, porque ele tinha apenas 15 anos quando decidiu passar pela transição. Coraci revela que tinha receio de assinar a autorização e ele se arrepender mais tarde, e medo de não assinar e perpetuar uma dor que poderia ser evitada. Foi aí que ela precisou de ajuda e conheceu o Ambulatório de Gênero da Unicamp, com serviços de psiquiatria, psicólogos, endocrinologista e ginecologista.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@coraciruiz.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@coraciruiz.

Noah passou por muitos exames antes de darem o aval para que iniciasse o tratamento com testosterona. Aos poucos, a voz foi engrossando, nasceu barba, parou de menstruar e o formato do corpo mudou. Depois de um ano e alguns meses de tratamento, ele o interrompeu e desistiu de fazer a cirurgia para retirada dos seios.

Havia se descoberto uma pessoa não binária. A mãe explica como se ficasse no entre se identificar como homem e se identificar como mulher. Ela conclui dizendo que seu filho gosta de pessoas, independentemente do gênero delas.

Afirma que sendo mãe de um filho LGBTQIA+, entende que o assunto precisa ser mais debatido e falado, para que as famílias tenham mais segurança, quando passarem por essas situações. Por esse motivo, também quis fazer o filme, para que seja exibido em escolas, universidades e grupos de apoio para pais que desejam se informar e acolher seus filhos.


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