Família

“Sempre tive o sonho de ter filhos”: primeira travesti no Brasil se torna mãe ao adotar 3 crianças

Alexya Salvador conseguiu finalizar o processo de adoção no Brasil. Sua atitude marcou a história!



Em tempos em que a visibilidade de minorias está em alta, é gratificante saber que as conquistas para quem sempre viveu à margem da sociedade estão começando a se tornar reais.

É muito importante praticarmos a inclusão social, principalmente daqueles que já sofreram muito com o preconceito. Esse caso reflete a vitória e realização de um sonho. Alexya Salvador é oficialmente a primeira travesti a adotar três crianças no Brasil!

Em entrevista ao portal UOL Universa, ela contou que fez sua transição de gênero aos 28 anos e sempre teve o sonho de ter filhos. Por vir de uma família bem grande, desde muito jovem, tinha vontade de ser mãe de pelo menos três. E foi justamente o que aconteceu, seu sonho enfim pôde ser realizado!

Alexya relatou que não imaginava que isso seria possível, pois sofreu na pele o preconceito por ser travesti. Quando decidiu que o momento seria oportuno para adotar, começou sua pesquisa e não encontrou nenhum registro de pessoas trans adotando no país. Por conta disso, ela é a primeira a assumir o posto.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@alexyasalvadoroficial.

Casada há 12 anos, seu primeiro filho chegou para ela depois que o casal entrou no Cadastro Nacional de Adoção. Gabriel é um menino com necessidades especiais. Logo após a conquista da adoção, Alexya recebeu uma ligação da juíza da Vara de Infância e Juventude de Pernambuco, depois que viu uma entrevista dela relatando seu desejo de ter mais filhos.

A juíza havia achado uma criança com características de ser uma menina trans, foi então que perguntou a Alexya se queria conhecê-la. E a resposta afirmativa foi imediata. Quando conversaram por telefone, a menina pediu que ela levasse roupa de menina, pois não queria sair do abrigo parecendo um garoto.


Embora sua vitória seja bastante comemorada, ela disse que passou por preconceito velado. Eram olhares de reprovação, pessoas se sentindo desconfortáveis perto dela, e isso a deixou com medo de não conseguir finalizar o processo de adoção de seus filhos.

Em 2019, recebeu mais um telefonema para adotar outra menina trans, de 9 anos, que esperava na fila de adoção em Santos, no litoral de São Paulo. Alexya foi até ela no mesmo dia. Uma semana depois, conseguiu a autorização para a guarda definitiva. E assim seu sonho de mãe de três se concretizou.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@alexyasalvadoroficial.

Alexya exerce papel muito importante, não só para suas crianças, mas para a comunidade inteira. Ela é reverenda de uma igreja em São Paulo e usa suas mídias sociais para espalhar a palavra de Deus. Disse que hoje em dia está comum a adoção de crianças por pais homoafetivos, mas pais trans ainda não.

 


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Afirma que são uma família como qualquer outra. Existe amor, educação e até “cantinho da reflexão”, quando é necessário. Com duas meninas trans, Alexya ouviu delas o relato do que falam nos abrigos. Infelizmente, crianças trans ainda são invisíveis para a sociedade.


Ela conclui que não quer que suas filhas passem pelo que ela passou. Quer ser um modelo de mãe para elas, protegendo e guiando-as, pois sabe que o mundo ainda é bastante preconceituoso.

Finaliza dizendo que seu sonho é de que seus três filhos cresçam com acesso à cidadania e direitos garantidos, que sejam felizes e vivam de maneira leve, podendo escolher a profissão que quiserem e serem as pessoas que quiserem.

Que história! O que achou desse caso?

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