Reclamar não vai melhorar, por isso resolvi mudar

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Outro dia, olhei o meu perfil no Facebook e contei quantos clipes postei endereçados a alguém que nem chegou a ver, quantas indiretas eu mandei sem que fossem recebidas. Foram tantas!



Eu me via numa situação em que eu gritava por atenção sem ter a quem gritar, clamava por uma explicação que ninguém era obrigado a me dar, cavava uma razão para que eu pudesse me enterrar junto com ela. A gente tem dessas, só que reclamar não vai melhorar.

Quanto mais eu falo de algo de que não gosto, mais forte esse algo fica dentro de mim, e leva um tempo até que tudo isso faça sentido e o tempo leve para longe. É um exercício diário: organizar a cabeça, priorizar atividades e mentalizar bons sentimentos. A tentação me puxa para chamar aquele alguém para conversar, mas ninguém mais além de mim pode me fazer enxergar que insistir é me matar. E reclamar não vai melhorar.

Eu queria ter beijado aquela boca outras muitas vezes, queria não ter beijado tanto aquela outra. Tudo isso aconteceu e faz parte das minhas escolhas.


Agora, reclamar não vai mudar, não vai melhorar.

É que a gente tende a reclamar mais do que fazer algo para melhorar, como se essa combinação não terminasse só em rima. Reclamar para melhorar é o mesmo que colocar peso no amor para curar uma dor.

Eu não quero viver uma coisa e aparentar outra; a vida não tem filtro. O tempo que tenho neste mundo não pode ser desperdiçado por uma saudade sem volta ou por um desejo de ter quem eu não tenho. Serei mais inteligente se aproveitar meu tempo celebrando motivos que me fazem bem e pesquisando novos para ir além, ou seja, se eu sei que a saudade dói, não é dela que devo falar mais, mas sim, da vontade de viver uma fase sem saudade e sem sobrenome.

Resolvi mudar. O que preciso fazer é ter a sabedoria de enxergar onde estão minhas alegrias e, quando essa hora chegar, eu já estarei feliz sem perceber. Quando eu conseguir ouvir uma música e entender o bem que ela me faz, além de me entreter, eu vou gostar mais de ouvi-la.


Quando eu conseguir aceitar que não sei de tudo e que não há problema em não sabê-lo, eu vou respirar mais devagar e gostar um pouco mais de mim.

Colecionando alegrias, vou vivendo a felicidade. E eu não estou sozinho, há dias que eu preferia estar, mas dificilmente consigo. E, se há pessoas por perto, é sinal de que tenho energias para trocar com elas e de que alguém precisa de mim para conversar.

A vida acontece; se ela é justa ou não, reclamar não vai melhorar. Se eu não merecia passar por aquilo ou não, se me considero uma pessoa boa demais para sofrer como já sofri, reclamar não vai melhorar, reclamar não vai me acalmar.

Isso tudo é sobre aproveitar o tempo de vida que tenho. A vida é uma contagem regressiva, sem hora marcada para acabar, e fazer dela uma passagem boa para lembrar será sempre a melhor saída.

Eu me lembro do seu beijo, mas são outras bocas que agora eu quero beijar.

 

Direitos autorais da imagem de capa: Chermiti Mohamed/Unsplash.

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* Matéria atualizada em 04/11/2019 às 2:55






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