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“Viver é descobrir por si mesmo aquilo que é verdadeiro, e você pode fazê-lo quando há liberdade, quando existe uma revolução interna contínua e constante dentro de você”. (Krishnamurti)



A vida flui no planeta Terra, onde a natureza acompanha um ciclo no qual a finitude e a renovação são representadas pelas estações do ano.

Inserido neste cenário de vida e morte, encontra-se o homem dotado de inteligência, porém, com poder de decisão sobre si mesmo e sobre os desígnios de seu planeta, à medida que exerce o que é inerente à sua natureza: o livre-arbítrio.

É através da liberdade de escolha que o indivíduo direciona a sua experiência vital no sentido de valorizar ou não as lições de vida que ocorrem durante a jornada física. Se valorizadas as lições, estas tornam-se aprendizados, ou seja, experiência e conhecimento que o indivíduo apropria-se em benefício de sua autodescoberta. O contrário, leva o ser inteligente a negar o seu próprio senso natural e desviar-se para caminhos mais sombrios de sua existência.


Ora, sendo a vida um desafio para o espírito, que na sua caminhada busca o equilíbrio entre as experiências de dor e de amor, tal desafio indica que os aprendizados são engrenagens que movem o mecanismo de evolução consciencial através do autoconhecimento.

ajuda (2)(1)No entanto, esta compreensão torna-se difícil para o indivíduo que mantém a sua sintonia ligada emocionalmente a sentimentos negativos de seu passado. Situação que estimula o surgimento de processos obsessivos e somáticos que paralizam ou retardam a expansão da consciência.

Sentimentos negativos atrelados ao pretérito potencializam o medo e a cólera, que acionam mecanismos inconscientes nocivos à saúde do indivíduo. E saúde em desequilíbrio, sob o ponto de vista bio-psíquico-espiritual, significa que o indivíduo não acompanha o processo de renovação que é a fase mais importante de seu ciclo vital, permanecendo, desta forma, adormecido na sensação de finitude compatível com a realidade de seu corpo físico.


E quando não há renovação na experiência vital, a vida não flui e não se completa conforme orienta a lei universal em relação à natureza humana no planeta Terra. E quando permanece a sensação de finitude, emergem da inconsciência os mecanismos de autodestruição que agem no sentido de impedir que o ser inteligente liberte-se de um “estado de coisas” que tornou-se a sua vida.

No processo vital, as experiências relacionadas à dor e ao sofrimento superam as experiências associadas ao amor. Contudo, é desafio do espírito, que retorna para mais uma vivência na matéria, equilibrar estas experiências para que a vida não se torne um “inferno” onde a tristeza, o ódio e a descrença encontrem abrigo seguro.

Portanto, ajudar o próximo tem um limite bem definido nas relações do indivíduo com a religião, com a psicologia, com as terapias e psicoterapias alternativas, e até mesmo com as técnicas de autoajuda, à medida que a situação depende quase que exclusivamente do próprio indivíduo despertar para a necessidade de renovação interior, através do processo de conhecimento de si mesmo inserido no contexto mais amplo de sua existência.

A vida de cada ser inteligente é a consequência de suas escolhas, tanto no passado como no presente, isto é, o indivíduo foi, é e sempre será o agente de sua própria história existencial. E o poder de transformar a si próprio está no livre-arbítrio, em consonância com as leis naturais que regem a vida no universo.

A capacidade de renovação é e sempre será um atributo do espírito que desperta para a “primavera” da vida. Nesta direção, o terceiro milênio estimula naturalmente para que as sombras da inconsciência sejam tocadas pela luz da consciência que revela as verdades de cada um inseridas na dinâmica da vida.

No cenário existencial, aquele que ajuda o outro a encontrar o seu caminho, é apenas um facilitador de atuação discreta e limitada, uma vez que cabe ao ator principal no palco da vida desempenhar o seu papel e descobrir que o resultado de sua trajetória dependerá, exclusivamente, de sua performance na relação direta com as experiências de vida que terá pelo caminho.

Se bem assimiladas, essas lições tornam-se aprendizados para que o espírito apure o seu senso de equilíbrio vital entre as experiências de dor e de amor e liberte-se, pouco a pouco, das energias que turvam a sua mente e contaminam o seu corpo físico e espiritual de desequilíbrios conhecidos como patologias.

Portanto, buscar ajuda no outro é válido e importante, mas, acima de tudo, é imprescindível ajudar-se para ser ajudado pelas consequências de uma nova atitude adotada diante da vida, pois, somente vislumbramos o horizonte quando dissipamos a névoa que ofusca a nossa visão.

Entretanto, não nos basta visualizar o horizonte e, sim, caminharmos na sua direção com passos firmes e seguros para que o modelo emocional-comportamental, que carregamos na bagagem da existência, transforme-se numa realidade de renovação e expansão.

Por Flávio Bastos

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