Desenvolvimento InteriorMensagem de Reflexão

Desapegue do passado e siga em frente…

Uma amiga comentou por esses dias sobre a dificuldade que ela encontrava em entrar num novo relacionamento. Além do desgaste de ter que repetir várias vezes as mesmas frases encomendadas e perguntas, em rodadas mais cansativas que entrevistas de emprego e resultados apáticos, ela tinha um probleminha um pouco mais denso pra lidar sempre que engatava num semi-romance: a lembrança de um relacionamento-quase-perfeito que teria dado certo (como todos os outros) se não tivesse dado errado.



O tal do ex era o sujeito da vida dela, mas passados bons dois anos depois do término e da perda total de contato porque o sujeito tinha terminado e viajado pra outro país, a guria tentou retomar a estrada tortuosa dos relacionamentos afetivos. Só que não dava pra parar de comparar o que teve com o que tem, sempre dava pra perceber as falhas gigantes e as brechas nos novos personagens porque ela já tinha um ícone-referência de homem perfeito.

Pior que a expectativa do que a gente nunca teve é a expectativa de encontrar o que a gente já teve.

Essa coisa de trazer do passado e se apegar a ele é perigosa pra caramba porque, bem, ficou pra trás e nenhuma pessoa é igual à outra. A gente vai sempre procurar traços de comportamento, episódios e reações parecidas, talvez porque a nossa intenção seja remontar partes (ou inteiros) de amores que não deram certo, na tentativa de criar um monstro retalhado que supra as nossas necessidades afetivas. Talvez a gente se apegue tanto a quem já foi e marcou que não perceba como nós imploramos o tempo todo por alguém igual – só porque não podemos mais ter aquela pessoa.


A minha amiga – assim como eu e você – nunca vai conseguir se relacionar de novo nesse jeito. Ela procura em outros traços um rosto conhecido; procura o mesmo encaixe, o mesmo tipo de abraço, procura até a cor dos olhos e os maneirismos que nem um clone teria. Ela procura as sensações e as mesmas histórias, sem perceber que cada pessoa conta uma diferente. Pra que ela consiga encontrar alguém de verdade, ela vai ter que se livrar da ideia de que era ele e só ele o tal cara que ela tanto queria. E isso envolve se desprender de caprichos e vontades, envolve entender que acabou e fim, não volta mais. Nenhum cara vai ser igual, mas isso não significa que ela não possa ser feliz de novo e encontrar alguém bacana.

Ela só precisa articular melhor a busca e mudar os critérios: ao invés de buscar por ele, ela deveria buscar por alguém que causasse bem-estar; em vez de procurar por quem a leve na tal sorveteria na Augusta, ela deveria procurar por quem mostre à ela que flocos com pistache pode ser uma boa combinação em qualquer lugar. Por aí vai. E ela precisa entender que comparações são inevitáveis, mas a gente é quem decide o que vai fazer com elas. Comparar não é um problema. O problema é quando você compara e percebe que o passado é melhor que o presente. E se agarra a isso.

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Escrito por: Daniel Bovolento


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