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Ao se vacinar, comerciante chora e carrega fotos de mãe e irmãos que morreram pela Covid: ‘família destruída’

Na hora da vacina, o sentimento de dor e tristeza. Foi assim para Reijane Rodrigues de Cássio Felix, de 39 anos, que recebeu a primeira dose contra a Covid, nesta quarta-feira (7). A moradora de Paraíso do Tocantins não conseguiu conter as lágrimas, ao lembrar dos irmãos e da mãe que não resistiram ao novo coronavírus.



Reijane foi ao ponto de vacinação e levou um cartaz com a foto dos três. “A vacina não chegou a tempo para eles. A vida não espera”, escreveu ela.

A tocantinense lembra que ela e a mãe sonhavam com o dia em que seriam vacinadas, por isso fez questão de que todos estivessem presentes no momento, mesmo que por foto. Para ela, se as doses tivessem chegado antes, os familiares poderiam ter sobrevivido.

A intenção foi chamar a atenção e alertar a sociedade sobre as consequências da doença.


“Minha intenção era chamar atenção porque tem pessoas que duvidam dessa dor terrível, da gravidade dessa doença. Minha família foi praticamente destruída. Eu chorei tanto porque queria ter levado minha mãe. As pessoas sofrem sozinhas e ninguém sabe, as festas continuam, as praias, e a vida tem que continuar mesmo, mas as pessoas precisam saber que a dor também continua”.

De agosto de 2020 até março deste ano, Reijane perdeu três pessoas queridas, todas moradoras de Paraíso. O primeiro a não resistir foi o irmão José Rodrigues de Cássio, de 59 anos. Ele trabalhava como taxista na rodoviária da cidade, mas na época, estava afastado.

Reijane conta que o irmão aceitou viajar até São Paulo, para fazer o transporte de carga em um caminhão. A comerciante foi junto com ele até Goiânia para comprar mercadorias. Nessa época, os dois começaram a sentir os sintomas.

Direitos autorais: Arquivo Pessoal


“Quando voltei para Paraíso, cheguei com sintomas e testei positivo. Ele começou a me ligar dizendo que também estava com sintomas. Cerca de 12 dias depois, ele retornou e estava muito ruim. Ele não queria ir para o hospital. Era o primeiro pico da doença, os hospitais estavam lotados. Quando aceitou, ele estava com 18 dias que tinha testado positivo, estava muito ruim”.

O motorista foi encaminhado para Palmas e não encontrou leitos de UTI disponíveis. A família recorreu à Justiça e conseguiu uma vaga em Araguaína. “Ele deu entrada numa madrugada de segunda-feira e 48 horas depois, não resistiu. Os rins paralisaram, ele estava muito grave”.

No início de 2021, o irmão mais velho João Rodrigues, de 61 anos, e a mãe Rosalira Rodrigues, de 79, foram diagnosticados com a doença com poucos dias de diferença.

Direitos autorais: Arquivo Pessoal


João morava em uma chácara, mas ia sempre à cidade, onde trabalhava como guarda em uma escola municipal. Após perceber os sintomas da Covid, ele ficou em casa recebendo os cuidados da filha e da cunhada, que são enfermeiras. Mas, acabou não resistindo, no dia 21 de março.

“Ele arruinou mais rápido, ficou com muita febre, dor nos rins, estômago. No sábado, ele amanheceu mal, foi para o Hospital Regional de Paraíso do Tocantins e em menos de 24 horas, teve seis paradas cardíacas, não resistiu”, relatou Reijane.

Dona Rosalira morreu seis dias depois, sem saber da morte do filho mais velho. Ela apresentou sintomas leves no início e recebia atendimento no posto de saúde da cidade. No 14º dia de consulta, Reijane lembra que a mãe acordou com muita falta de ar.

Direitos autorais: Arquivo Pessoal


“Ela não conseguia andar de tanta fraqueza. Eu levei para o posto e, chegando lá, colocaram aparelho e verificaram que a saturação estava baixa. Ela também foi internada no Hospital Regional de Paraíso, ela mandava recado para mim, para eu buscar ela, tirar ela de lá. Os médicos falaram que não era pra contar para ela sobre a morte do meu irmão. Mas ela acabou morrem dias depois, também teve parada cardíaca”.

A família de Reijane tinha um estabelecimento comercial na cidade há 13 anos. Ela vendeu. Diante de tanta dor, afirma que o projeto é mudar da cidade e recomeçar a vida em outro lugar. Cada canto de Paraíso a faz lembrar das pessoas amadas que se foram.

“Estou com intenção de mudar, vou ver se encontro um novo caminho para recomeçar. Sou nascida e criada na cidade, nossa loja tinha 13 anos. Em Paraíso, todo canto me lembra minha mãe, meus irmãos. Para onde eu for, a dor vai junto, mas vai me fazer bem buscar um novo caminho”.


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