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Morre de Covid-19, aos 34 anos, cientista que estudava impacto da doença no cérebro

Pesquisador de carreira meteórica, paraense Nilton Barreto dos Santos investigava como covid afetava sistema nervoso central — Foto: Arquivo Pessoal/Nilton Barreto dos Santos
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O biomédico, natural do Pará, morava em São Paulo.

No último dia 5 de maio, a Covid-19 fez mais uma vítima no Brasil, dessa vez um biomédico, que estava trabalhando para a melhor compreensão da doença.

Nilton Barreto dos Santos, de 34 anos, era natural de Abaetetuba, no interior do Pará, e cursou graduação e mestrado em neurociência e biologia celular pela Universidade Federal do Pará. Ele mudou-se para São Paulo em 2012, e ingressou no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

Com um doutorado e dois pós-doutorados no currículo, começou a estudar sobre o como o estresse pode inflamar o cérebro, e as consequências disso para o funcionamento das células, e no desenvolvimento de doenças como a depressão. Seu trabalho duro o recompensou com um intercâmbio no hospital Mount Sinai, um dos mais prestigiados dos EUA, mas por conta da pandemia, ela precisou ser adiada para janeiro de 2022.

Já que precisou ficar no país, Nilton começou a pesquisar o impacto do coronavírus no sistema nervoso central, para compreender melhor se o vírus pode tornar-nos mais propensos ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como a demência.

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Nilton Barreto dos Santos e sua orientadora, Carolina Munhoz — Foto: Arquivo Pessoal/Nilton Barreto dos Santos

Sâmia Maracaípe, sua esposa, contou que não sabe como ocorreu a infecção do marido, que foi o único da família de São Paulo a apresentar os sintomas graves da doença.

Apesar de todos os cuidados, o biomédico acabou se contaminando e tendo 90% dos pulmões comprometidos, o que fez com que sua situação se agravasse rapidamente. Após dois meses de internação, ele foi a óbito.

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Nilton era considerado pesquisador prodígio por seus pares — Foto: Arquivo Pessoal/Nilton Barreto dos Santos

Segundo a esposa, que o visitou na UTI algumas semanas antes de sua morte, Nilton estava cansado mas interagia, inclusive ficando feliz ao saber que os pais haviam se vacinado.

No entanto, a família optou por dar um significado à sua morte. A esposa, com o apoio dos outros familiares, autorizou a doação de órgãos do profissional. Foram coletados materiais teciduais dos pulmões, coração e cérebro, que permitirão que a pesquisa a que ele estava se dedicando, siga em frente.

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Nilton com família e amigos; ele morreu de covid aos 34 anos sem comorbidades — Foto: Arquivo Pessoal/Nilton Barreto dos Santos

Através da colaboração, se busca entender como um paciente que não apresentava comorbidade teve uma piora tão grave em seu caso. Neucy, uma das irmãs do biomédico, disse que a saudade dele nunca passará, mas que a família se orgulha dele e que, mesmo depois de sua morte, seu trabalho continuará e, esperançosamente, ajudará a salvar outras pessoas.

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Nilton com os pais e com os irmãos; ele havia ganhado bolsa para estudar nos EUA, mas covid mudou planos — Foto: Arquivo Pessoal/Nilton Barreto dos Santos

 

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