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“Em 4 minutos, ela saiu da UPA e morreu no carro”, diz motorista que levava mulher para casa após alta médica

Foto: Reprodução
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A motorista de carro por aplicativo que ajudou a socorrer a diarista Hélia Maria Bernardini em Ribeirão Preto (SP) diz que quatro minutos se passaram do momento em que a paciente embarcou no veículo dela após receber alta da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oeste até passar mal e morrer com suspeita de um princípio de infarto.

“Em 4 minutos que ela saiu da UPA e que eu a peguei, ela faleceu dentro do carro”, diz a motorista, que prefere não se identificar.

Ao perceber a diarista passando mal no banco de trás do carro e vendo o desespero da filha que a acompanhava, a profissional decidiu levá-las até a base do Corpo de Bombeiros para buscar ajuda, já que o posto ficava mais perto do que a UPA.

Apesar das tentativas de reanimação de médicos do resgate por cerca de 40 minutos, Hélia não resistiu.

“É uma situação muito ruim porque é uma sensação de incompetência. Eu tentei correr para poder salvá-la, mas eu não consegui. A imagem que fica na minha cabeça é a menina [filha] gritando muito, pedido para ajudá-la, e a inconformidade. Pelo relato da filha, a mãe estava com dor no peito e foi liberada”, diz a motorista.

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A diarista Hélia Maria Bernardini morreu minutos após receber alta da UPA Oeste em Ribeirão Preto, SP – Direitos autorais: Reprodução/ EPTV

Alta da UPA com suspeita de infarto

Segundo a família, Hélia deu entrada na UPA Oeste na noite de segunda-feira (9) com dores no peito e nas costas. Ela passou por exames de eletrocardiograma e raio-X, mas os resultados não apontaram alteração no coração.

Ainda assim, de acordo com as filhas, o médico que a atendeu suspeitou de um princípio de infarto e informou à família que ela tinha que ser internada. O pedido para a vaga foi feito e Hélia passou a madrugada de terça-feira (10) em observação, aguardando a regulação.

A filha dela, Patrícia Bernardini Botaro, diz que por volta das 15h de terça-feira, a família recebeu um telefonema da UPA, pedindo para que um parente comparecesse à unidade.

“Segundo os médicos, apesar de não ter todos os sintomas característicos porque não teve o formigamento do braço, foi um princípio de infarto. Mas, quando a minha irmã chegou lá, ela estava na cadeira de rodas. Deram os papéis para ela e mandaram vir embora.”

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Patrícia Bernardini Botaro se desespera com a morte da mãe, Hélia Maria Bernardini, em Ribeirão Preto, SP – Direitos autorais: Reprodução/ EPTV

Volta para casa termina em tragédia

A irmã de Patrícia chamou um carro por um aplicativo de transporte e as duas embarcaram para voltar para casa. No caminho, Hélia começou a passar mal de novo.

“Elas estavam conversando assuntos delas, normal. Deu quatro minutos de corrida, a mãe colocou a mão no peito, disse que voltou a dor, já virou o pescoço, virou o olho. A menina tirou a máscara dela. A boca roxeou toda”, diz a motorista.

A condutora afirma que teve que pensar rápido para tentar ajudá-las e seguiu com o carro para a base do Corpo de Bombeiros, próximo à rotatória Amin Calil.

“Eu saí correndo, não sabia para onde que eu ia. Acelerei e achei mais próximo o bombeiro da rotatória Amin Calil. Entrei no bombeiro correndo, eles já vieram de prontidão para poder socorrê-la. Tiraram do carro, colocaram na maca e tentaram reanimar. Fizeram de tudo, médicos do resgate, vários bombeiros, mas eles não conseguiram.”

Hélia não resistiu e o óbito foi constatado pelos médicos do resgate na base do Corpo de Bombeiros. Ela faria 60 anos em junho.

Negligência

A família acusa a UPA de negligência médica. Para Patrícia, se a mãe tivesse permanecido mais tempo em observação, poderia estar viva. “Agora eu me pergunto: ‘como eu vou viver sem minha mãe?’”, diz.

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde lamentou a morte da paciente e informou que só vai se pronunciar sobre o caso após investigar o atendimento prestado.

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