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Esposa de Thammy Miranda rebate comentários transfóbicos: “Sou casada com homem”

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Andressa usou suas redes sociais para falar sobre a transição do marido, e explicou que não está casada com uma mulher porque Thammy não é uma mulher, e sim um homem.

A transfobia é uma das piores formas de manifestação de preconceito contra pessoas transexuais, travestis e transgêneros inclusive, na maioria das vezes, extrapola o campo da violência verbal e chega à agressão física. Mesmo com muita subnotificação, em 2020, o Brasil manteve-se como o país que mais mata pessoas trans.

Os dados foram colhidos pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), a partir dos registros lançados no Mapa dos Assassinatos de 2020, chegando a 175 assassinatos, todos contra pessoas trans que expressavam o gênero feminino. O número mostra o aumento de 201% em relação a 2008, quando os dados começaram a ser colhidos, colocando o país no topo do ranking desde então.

Mesmo com organizações, como a Antra, esforçando-se em colher e apresentar dados sobre os impactos da transfobia na vida das vítimas e suas famílias, ainda existem muitas dificuldades quando o assunto é identificar possíveis crimes de ódio contra pessoas trans. Muitos municípios e estados se recusam a notificar as infrações e as manifestações de ódio da maneira correta, atribuindo às vítimas apenas o sexo biológico e as esvaziando de suas transições.

Dessa forma, quando se analisam os dados sobre transfobia e assassinatos de pessoas trans, muitos nem sequer são categorizados, já que a polícia ou os responsáveis pela investigação não atribuíram suas principais características na papelada, fazendo crer que aquele é só mais um “crime como outro qualquer”, sem aparecer nas estatísticas.

Não são apenas as pessoas anônimas que sofrem com a transfobia, pessoas famosas que assumiram suas transições também. Esse é o caso de Thammy Miranda, de 39 anos, ator e vereador de São Paulo pelo PL. Desde que se tornou pai, ele e a companheira Andressa Ferreira, com quem mantém um relacionamento desde 2018, têm enfrentado comentários depreciativos e discursos de ódio.

A última pela qual Andressa passou foi nas redes sociais, quando abriu uma caixa de perguntas em seu perfil do Instagram. Esse é um recurso muito utilizado por famosos e anônimos, abrindo espaço para perguntas, matando a curiosidade de suas rotinas, crenças e até mesmo da vida sexual.

Um dos usuários perguntou à influenciadora digital se era verdade que ela não gostava quando diziam que era casada com uma mulher. De maneira paciente, Andressa respondeu ao seguidor explicando que não é casada com uma mulher, isso porque seu marido Thammy passou pela transição. Ela ainda afirmou que, se ele não fosse famoso, ninguém teria dúvida de sua sexualidade ao cruzar com ele na rua.

Andressa ainda precisou rebater outro usuário que a acusou de casar com Thammy apenas por interesse financeiro, como se pessoas trans não pudessem receber nenhuma forma de afeto e amor, a menos que estejam vinculados a algum interesse financeiro, físico ou outros. Andressa respondeu dizendo que sempre teve dinheiro, antes mesmo de conhecer o atual marido, e que jamais ficaria com alguém por interesse.

Transfobia e crimes de ódio

Usar a internet para disseminar conteúdo e comentários que alimentem a transfobia também são atos criminosos, que podem colaborar para o preconceito e a marginalização de pessoas trans em nossa sociedade. Muitos crimes contra travestis e transexuais são cometidos em público, com plateia, e chegam até mesmo a cair nas redes sociais, não gerando nenhum tipo de comoção pública.

Os crimes transfóbicos são carregados de ódio, e os agressores, de acordo com o “Dossiê dos Assassinatos e da Violência contra Travestis e Transexuais Brasileiras em 2020”, buscam desumanizar a vítima, usando as formas mais humilhantes e degradantes para lhes infligir violência. Com uma expectativa de vida de 35 anos, o Brasil bateu novo recorde quando Keron Kavach, de apenas 13 anos, morreu vítima de transfeminicídio, no Ceará, em janeiro do ano passado.

Os requintes de crueldade na forma como os corpos desviantes são tratados podem demonstrar a aversão dos indivíduos pela população LGBTQIA+. Mas não é porque mídia e sociedade se unem para reforçar estereótipos preconceituosos que devam ser passíveis de aceitação. Existem cartilhas disponíveis que ajudam a lidar com preconceitos LGBTfóbicos tanto para a população LGBT quanto para o público cisnormativo.

Tratar os indivíduos com respeito, ser capaz de compreender as diferenças e nuances de cada um pode ser o início de um caminho para o qual nenhuma vida é ceifada como consequência do preconceito. Não existem motivos para temer as diferenças, apenas para fomentá-las e aplaudi-las. Cada pessoa merece ser respeitada em sua integralidade, independentemente do que pensem a seu respeito.

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