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Federação dos jornalistas vai denunciar Leo Dias: “Feriu código de ética”

Foto: Reprodução
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A Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas) fez uma denúncia contra Leo Dias, do Metrópoles, após a divulgação de informações sigilosas sobre o estupro e gravidez da atriz Klara Castanho.

A denúncia será encaminhada ao SJPDF (Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal), segundo a nota oficial publicada pela Fenaj ontem.

“São fortes as evidências de que o colunista feriu o Código de Ética do Jornalista Brasileiro. Pela gravidade do caso, a diretoria executiva e a Comissão de Mulheres da Fenaj vão encaminhar denúncia contra o jornalista à Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, que deverá apurar o caso”, diz o texto.
A Federação não listou quais são as possíveis punições aos jornalistas que não seguem o código de ética. Splash entrou em contato com a Fenaj para apurar detalhes sobre o caso, mas ainda não obteve retorno.

A Comissão de Ética dos Meios de Comunicação da Associação Brasileira de Imprensa emitiu hoje um comunicado condenando a “exploração de vítimas de violência sexual” por jornalistas e veículos de comunicação. A nota adverte especificamente Leo Dias.

O Metrópoles voltou a se manifestar em nota oficial após publicar detalhes sobre o caso envolvendo Klara Castanho. O portal confirmou que o colunista não será demitido.

Confira a nota da Fenaj na íntegra:

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), por meio da sua Comissão Nacional de Mulheres, vem a público solidarizar-se com a atriz Klara Castanho, que teve uma situação pessoal exposta pela mídia, resultando em ataques pessoais aos quais teve de se defender com uma carta aberta em seu perfil no Instagram.

A atriz engravidou após um estupro e encaminhou a criança para adoção, cumprindo os trâmites legais. A situação, de caráter absolutamente particular e sigilosa, foi exposta pelo colunista do site Metrópoles, Leo Dias, no fim de semana.

Após a repercussão negativa, o link foi retirado do site. Mas a divulgação já havia desencadeado uma onda de ódio nas redes sociais, com novos ataques à honra da atriz, causando sua revitimização num já doloroso momento pessoal.

São fortes as evidências de que o colunista feriu o Código de Ética do Jornalista Brasileiro. Pela gravidade do caso, a Diretoria Executiva e a Comissão de Mulheres da Fenaj vão encaminhar denúncia contra o jornalista à Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, que deverá apurar o caso, dando amplo direito de defesa ao profissional.

O caso serve para reafirmar a luta encabeçada pela Fenaj e Sindicatos de Jornalistas filiados pela criação do Conselho Federal de Jornalistas (CFJ), uma forma de garantir uma profissão digna, com um contrato público e ético com a sociedade. Temos lutado pelo Conselho Federal dos Jornalistas para que as próprias entidades sindicais possam controlar a emissão de registros profissionais e promover a cultura do respeito ao Código de Ética, por meio da fiscalização.

Abuso, gravidez e exposição de Klara Castanho

A história teve início após a apresentadora Antonia Fontenelle dizer em uma live que “uma atriz global de 21 anos teria engravidado e entregado a criança para adoção”. “Ela não quis olhar para o rosto da criança”, afirmou Fontenelle.

Embora não tenha citado nominalmente Klara Castanho, os internautas imediatamente associaram a versão contada por Antonia à atriz. Após a declaração de Fontenelle repercutir, dezenas de internautas criticaram Klara Castanho e apontaram “falta de responsabilidade” da artista. Mesmo sem terem certeza do que aconteceu, a atriz foi julgada e atacada.

Em carta aberta publicada no Instagram, Klara relatou que foi estuprada e engravidou, mesmo tendo tomado pílula do dia seguinte. Classificado por ela como “o relato mais difícil da vida”, a artista explicou que não queria tornar o assunto público, mas já que a adoção foi exposta, resolveu se pronunciar.

Klara não reportou a violência sexual à polícia por sentir “vergonha e culpa”. Ao dar prosseguimento ao relato, a atriz destaca que descobriu a gravidez ao passar mal e procurar um médico.

Incapaz de criar um filho fruto de um estupro, Klara Castanho optou pela doação do bebê que gerou e fez todos os procedimentos legais. Entretanto, quando teve a criança, teria sido ameaçada por uma enfermeira, que quis levar o caso a público por meio da imprensa.

Ela diz ainda que não demorou para que jornalistas passassem a procurá-la, ainda no hospital, para questionar sobre a gravidez e a adoção, mas, ao explicar-lhes que o filho foi fruto de uma violência, os repórteres se comprometeram em não publicar matéria a respeito. Até que o assunto ganhou força no Twitter neste último sábado (25), após o colunista do jornal Metrópoles, Leo Dias, detalhar o caso em uma matéria. Tanto o jornalista, quanto o jornal, pediram desculpas.

Diversos famosos se solidarizaram com Klara após o ocorrido, entre eles as atrizes Juliana Paes e Flavia Alessandra, as cantoras Jojo Toddynho e Luisa Sonza e as apresentadoras Ana Maria Braga e Sonia Abrão.

Internautas passam a exigir demissão de Léo Dias

Leo Dias teve seu nome envolvido em mais uma polêmica nesse final de semana, que fez com que vários internautas se virassem contra o colunista e pedissem pela demissão dele.

As manifestações da web aconteceram depois do desabafo da atriz Klara Castanho que, por meio de uma carta aberta em seu Instagram, expôs um caso de violência sexual que sofreu, resultando também em uma gravidez indesejada.

Na última quarta-feira (22), Léo Dias compareceu ao The Noite, do SBT, e, questionado por Danilo Gentili, contou, sem citar nomes, uma fofoca grande não publicada envolvendo uma atriz da Globo. Na entrevista, ele disse “o karma vai chegar”, acrescentando que, para ele, a atriz teria feito algo errado.

Mais informações sobre o mesmo caso foram divulgadas posteriormente e, diante de muita especulação envolvendo seu nome, Klara Castanho se pronunciou sobre o caso e confirmou que se tratava dela.

Na web, muitos internautas se revoltaram com Léo Dias por expor um momento tão íntimo e difícil na vida da atriz. No Instagram, o colunista teve que desativar os comentários da publicação referente ao caso. No entanto, usuários da rede deixaram seu posicionamento contra o jornalista em outros posts de seu perfil e muitos famosos deixaram de segui-lo.

No Twitter, o Léo Dias foi cancelado por várias pessoas, que pediram ao Metrópoles a demissão do colunista, dizendo que isso era “o mínimo” que ele merecia.

“Sinceramente, o que eu desejo pro Léo Dias é uma demissão e vergonha de sair de casa. Depois, que ele se torne obsoleto. Que todo mundo esqueça que um dia existiu. Que ninguém se importe com o que ele diz ou deixa de dizer. E uma multa por danos morais que o faça falir”, escreveu uma internauta.

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Direitos autorais: Reprodução/ Twitter

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Direitos autorais: Reprodução/ Twitter

Apoio

A carta aberta em queKlara Castanho conta que foi estuprada, engravidou e entregou a criança à adoção parou a web no último sábado (25). Muitos famosos, amigos e familiares da atriz decidiram se pronunciar e prestar apoio à menina de 21 anos.

O pai da ex-atriz mirim, Claudio Castanho, usou seu Stories do Instagram para apoiar a filha. Ele compartilhou uma foto antiga em que aparece na praia com Klara e Lucas (irmão mais novo da atriz) no colo.

“Estarei com vocês até o fim da minha vida”, legendou o pai da artista.

Quem também dedicou uma mensagem à Klara foi Paolla Oliveira, que, em 2019, foi mãe da morena na novela ‘Amor à Vida’.

“Filhota, você é muito especial e eu estarei sempre ao seu lado. Você é maior do que qualquer um ou uma que queira se promover ou promover o ódio com seu nome. Amo você. Sinta meu abraço. Sinta-se acolhida por todos que te respeitam. É o que importa sempre, focar no respeito, amor e na justiça”, escreveu Paolla em seu perfil oficial do Twitter.

Entenda

No último sábado (25), Klara Castanho usou as redes sociais para se pronunciar à respeito de rumores que ela estaria grávida. Com um relato fortíssimo, Klara, de apenas 21 anos, revelou que foi estuprada e que, sem saber que estava grávida, deu à luz uma criança que, por se considerar incapaz de cuidar, decidiu entregar à adoção.

Ainda na carta aberta, Klara Castanho revelou que tomou a atitude que considerava mais humana, já que não conseguiria criar e amar uma criança que havia sido gerada a partir do momento que, na verdade, destruiu sua vida.

“Eu ainda estava juntando os cacos quando tive que lidar com a informação de ter um bebê. Um bebê fruto de uma violência que me destruiu como mulher. Eu não tinha (e não tenho) condições emocionais de dar para essa criança o amor, o cuidado e tudo o que ela merece ter”, desabafou.

E revelou: “[…] Ser pai e/ou mãe não depende tão somente da condição econômico-financeira, mas da capacidade de cuidar. Ao reconhecer a minha incapacidade, eu optei por essa entrega consciente e que deveria ser segura”.

“Como mulher, eu fui violentada primeiramente por um homem e, agora, sou reiteradamente violentada por tantas outras pessoas que me julgam. Ter que me pronunciar sobre uma assunto tão íntimo e doloroso me faz ter que continuar vivendo essa angústia que carrego todos os dias”.