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Governo Bolsonaro não é humano, diz Dira Paes, de “Pantanal”

Foto: Instagram
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Fernando Collor tinha confiscado o dinheiro da caderneta de poupança dos brasileiros há poucos dias quando uma das novelas mais marcantes da dramaturgia nacional estreou na TV Manchete, em março de 1990.

Numa imersão na identidade rural do país, “Pantanal” resgatava imagens de paisagens exuberantes. A novela conquistou o coração do brasileiro e, aos poucos, virou um clássico da televisão.

Agora, novamente no ar com uma nova versão que repagina sua história, “Pantanal” repete o sucesso de décadas atrás e já é considerada um marco de audiência na Rede Globo. A estreia do remake teve o maior público —da faixa horária nobre do canal— desde o fim de “Império”, em 2014.

No Expresso Ilustrada desta semana, a atriz Dira Paes, que na novela faz o papel de Filó, uma empregada doméstica da fazenda de José Leôncio —papel de Renato Góes—, comenta as atualizações de “Pantanal”, a influência da novela na defesa deste bioma, o retrato de conflitos agrários no remake e como isso funciona diante da gestão ambiental do governo Bolsonaro.

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Direitos autorais: Reprodução/Instagram

“Pantanal”‘ em 1990

“Pantanal” veio para mostrar o Brasil para o Brasil, e com uma narrativa que a gente conhece. O público estava se sentindo saudoso.

Hoje, coincidentemente, meu filho chegou da escola e me fez muito feliz. Ele falou: ‘mãe, todos os meus amigos estão vendo ‘Pantanal’. Isso é muito raro, talvez isso não se repita.’ O Inácio tem 14 anos, ele vê essa paixão pelas novelas [só] de ouvir falar. Agora, ‘Pantanal’ suscitou tudo isso. E, como na época, também [tem] a linguagem impactante, uma proposta de você parar um pouco.

Em 1990, ‘Pantanal’ teve a revelação de atores como Ângelo Antônio, Marcos Winter, Marcos Palmeira, Almir Sater. É uma novela muito especial. Acho que é o termômetro para quem faz novela.

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Direitos autorais: Reprodução/TV Globo

“Pantanal” em 2022

Há algum tempo está havendo no mercado brasileiro uma simbiose entre o cinema e a televisão. Como se a TV quisesse descobrir melhor o cinema e o cinema quisesse descobrir melhor a TV.

“Pantanal” é um novelão, uma superprodução da Globo. A gente vê isso nas imagens, nas dinâmicas das tomadas, execuções, cenas, cenários. Há uma tentativa de dar [um trabalho de] melhor qualidade ao público, que responde a isso.

“Pantanal” convida a gente a ser cidadão, porque ele fala sobre as fraquezas e diferenças.

Quando uma pessoa urbana vai para o campo é como se o tempo durasse mais do que 24 horas. A gente sente isso fisicamente. Dá tempo de fazer as coisas. Então, o que nos ocupa de fato? Eu não sei. Mas acho que a novela dialoga com uma necessidade imediata de muitas pessoas.

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Direitos autorais: Reprodução/TV Globo

O bioma na era Bolsonaro

“Infelizmente, a gente não tem eco no governo Bolsonaro. É um governo que criminaliza ações ambientalistas, humanistas e artísticas. Tenta trazer o holofote para uma degradação da própria imagem.

Economicamente, [o governo Bolsonaro] não é humano, ideologicamente, não, artisticamente, não. É tudo assim, uma fragilidade de ego, de inteligência e de sensibilidade. É lamentável o que a gente tem presenciado nos últimos tempos, temos suportado abaixo dos nossos narizes. Então, este ano é o ano da transformação.

Acredito muito que o povo brasileiro, ele quer se encontrar com um tempo de paz, onde a gente não tenha que defender as necessidades básicas.

Vejo muitas propagandas Bolsonaro que falam da família. Só que isso tem um recado que é muito triste, porque ele esquece os indivíduos que tem muita gente sozinha, que não tem ninguém, órfãos. E família não é um pai, uma mãe e duas crias. Isso demonstra essa fragilidade que eles [do governo] têm de verbalizar as coisas.”

Há comportamentos de ditadura neste governo que se mostram cada vez mais a cada dia. E, essas eleições podem sofrer muito com esse tipo de coisa, que está relacionada ao indulto de Bolsonaro a Daniel Silveira.”

Povos indígenas

“O genocídio indígena é uma questão que tem que ser discutida urgentemente no Brasil. Os nossos indígenas são guardiões da floresta e eles precisam ter segurança e espaços garantidos para a sobrevivência.

O mundo está olhando para a Ucrânia, mas a Ucrânia é aqui, em Altamira.”

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