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Mãe de Natália do BBB: “Se mulher preta se posiciona, é metida. Por quê?”

Mae de natalia no BBB

A vida da designer de unhas e promotora de eventos Natália Deodato, do “BBB 22”, está sob julgamento, dentro e fora da casa, desde que o programa entrou no ar, há pouco mais de um mês. Natália, de 22 anos, foi vítima de vazamento de vídeo íntimo poucos dias após entrar no reality.

Na casa, foi protagonista de duas cenas que reverberaram nas redes sociais: a primeira, em que chorou após ver os participantes Lucas e Eslovênia se beijando, gerou repercussão sobre o tema da solidão da mulher negra. A segunda mobilizou os fãs por ter provocado a expulsão da participante Maria que, no jogo da discórdia, acertou com um balde na cabeça da sister. A direção do “BBB” expulsou Maria no dia 15 de fevereiro.

Daniela Aparecida, mãe de Natália, classifica a filha como uma “mulher forte“. Ela mesma, também mulher negra, se coloca assim. Em entrevista feita por e-mail, diz acreditar que a filha tem cada atitude sob escrutínio minucioso justamente por não abaixar a guarda com os outros participantes. “A sociedade faz isso com mulheres pretas. Se choramos, somos fracas, se sorrimos, somos metidas. As pessoas analisam muito, julgam as atitudes que ela tem de forma desenfreada“.

Na entrevista a seguir, Daniela fala da torcida por Natália, do fato de a filha ter ido para debaixo do edredom dentro do “BBB” e de como ela ganhou autoestima para ser uma mulher confiante sobre si mesma.

Leia os principais trechos:

Natália foi chamada, entre outras coisas, de arrogante, vitimista e fraca no jogo, dentro do “BBB”. Ela é mesmo mais fechada com quem não conhece?

DANIELA APARECIDA – A Natália é uma pessoa flexível e compreensiva para conversas. Mas se abre da maneira dela. Dentro do “BBB”, ela já demonstrou isso. Ela consegue se comunicar bem e receber bem outras opiniões.

Por que você acha que o comportamento de sua filha é analisado o tempo todo, dentro e fora do reality?

Estruturalmente falando, a sociedade já faz isso com mulheres pretas. Se choramos, somos fracas; se sorrimos, somos metidas; se nos posicionamos, somos arrogantes. Até quando?.

Acha que ela está sendo perseguida? Como você, que está distante dela, sente essa questão?

O fato de ela se posicionar, ser mais incisiva em suas opiniões, é uma coisa que incomoda as pessoas. Mulheres fortes e determinadas incomodam as pessoas. A Natália é gigante e sabe disso. Aí está o problema: às vezes, as pessoas não querem que saibamos da nossa própria força. E ela sabe, por isso incomoda tanto.

Como foi a construção de autoestima de Natália em relação à própria beleza?

Com 13 anos, ela me disse: “Mãe, eu me aceito. Quero ser modelo e vou parar de me importar com o que as pessoas falam ou pensam.” Ela era uma criança, mas já tinha entendido muitas coisas sobre aceitação e autoestima, por tudo que já tinha passado e ainda passava.

Com 9 anos, descobrimos o vitiligo dela. Foi quando começaram os problemas na escola. Ela sofreu muito preconceito e esse período não foi saudável para ela. Com 11 anos, ela foi para uma escola com pedagogia diferente e foi bem aceita, os alunos a tratavam sem piadinhas.

Foi nesse período que ela começou a se interessar por ser modelo e atriz. A partir daí, se tornou uma menina mais forte e determinada. A autoestima da minha filha veio daí.

Como você recebeu a notícia da expulsão de Maria?

Maria errou, infringiu uma regra do jogo, foi desclassificada e está tudo certo. Aqui fora, a vida continua e espero que ela seja recebida pela família e amigos com muito carinho. Ela é uma artista incrível, e um reality ou uma atitude não devem definir 100% uma pessoa. Mas foi um momento pesado. Acredito que a Natália esteja pensando sobre isso e, de certa forma, esteja triste ou com algum sentimento de culpa. Porém, quando ela sair, irá entender que essa é a regra do programa.

Natália foi uma das participantes que fizeram sexo dentro do “BBB” [ela ficou com o participante Eliezer]. Como foi isso para você? Acha que o Brasil já está mais acostumado a falar sobre o tema, principalmente no reality?

Sendo bem sincera, acho que já passamos dessa fase [risos]. A humanidade vem de onde? As pessoas se relacionam, beijam, têm relações sexuais, são amigas. Tudo isso acontece, estando em um reality ou não.

Esse pudor exacerbado, essa forma de querer limitar outras pessoas ou o corpo delas não é saudável para ninguém. Não estou dizendo que as pessoas têm que ter relações sexuais em rede nacional e horário nobre, não é isso. Estou dizendo que têm o direito de se relacionar sem ter que dar satisfações ou se preocupar com o que os outros vão pensar. Natália tem uma vida cheia de episódios: casou cedo [aos 15 anos], antes disso já trabalhava. Também aprendeu a lidar com o vitiligo.

Pelo que acha que ela merece reconhecimento?

Acredito que Nathy merece o reconhecimento dos fãs por vários pontos de vivências pessoais, superação e também por ser uma boa jogadora. Ela se destaca, faz o jogo dela e vive aquele programa de coração, alma e cérebro. Ela é inteligentíssima e isso me orgulha.

A participação dela no BBB te surpreende de alguma forma?

De todas as formas. Ela já havia se inscrito três vezes. A participação dela, na minha opinião, como espectadora, está sendo essencial, pois já vimos que ela movimenta o jogo. Enquanto mãe, às vezes algumas coisas machucam, mas a gente levanta a cabeça e continua pensando positivo, orando e tendo fé de que ela vai sair campeã.

Como está a torcida da família?

A Natália já é vitoriosa por tudo o que já viveu de dificuldades e ainda assim alcançou as próprias metas. Ela tem postura de campeã, sabe? Minha campeã. A família está, além de emocionada, muito feliz em a ver em destaque e sendo ela mesma, como é em todos os lugares que vai.

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