Notícias

“Nunca é tarde para procurar ajuda”, defende pai de Lucas Santos depois de morte do filho

Direitos autorais: Reprodução Instagram
213154

Depois de sofrer ataques homofóbicos nas redes sociais, o jovem de apenas 16 anos cometeu suicídio, deixando a família devastada.

Os ataques homofóbicos contra jovens e adultos no Brasil têm sido, cada vez mais, veiculados nas redes sociais e na mídia tradicional, enfatizando a urgência de se falar cada vez mais sobre o assunto e os impactos que o crime pode causar nas narrativas pessoais. Se há alguns anos, fazer piada sobre a sexualidade alheia era considerado algo normal, movimentos sociais LGBTQI+ seguem lutando para mostrar que não é mais aceitável.

Recentemente, o jovem de 16 anos, Lucas Santos, filho da cantora Walkyria Santos e de César Soanata, cometeu suicídio depois de sofrer homofobia através das redes sociais. Tudo aconteceu porque o adolescente publicou um vídeo com um amigo simulando um suposto beijo homossexual, entrando em uma trend que estava em alta na ocasião no TikTok. Logo depois dessa publicação, uma série de comentários e mensagens ofensivos foram enviados, fazendo com que o rapaz sentisse medo das possíveis retaliações que poderia sofrer de seus familiares, caso descobrissem.

Completamente devastados com o ocorrido, os pais de Lucas se manifestaram nas redes sociais, falando sobre a dimensão da perda e os riscos que o preconceito e a ausência de diálogo podem acarretar. Agradecendo a todas as mensagens de carinho que recebeu, César desabafou sobre o que tem passado, reforçando que só consegue continuar pelo apoio que tem recebido dos familiares.

Na mensagem gravada, o pai de Lucas explicou que não tem como expressar o tamanho da gratidão que tem pelas pessoas que entraram em contato prestando condolências. Se apegando aos familiares e a Deus, ele reiterou o que já tinha falado no velório do filho, que sua morte não passaria em branco, mesmo que ele precisasse “falar milhões de vezes”.

César explicou que tem a certeza de que Deus lhe deu uma missão, e que vai cumpri-la, tentando abrir os olhos dos pais e das mães sobre a importância de dissociar a vida real da vida nas redes sociais. Para ele, os pais precisam compreender que a existência precisa ser encarada com mais seriedade do que uma postagem com visualizações.

O pai continua explicando que a humanidade está doente, e que agora pode sentir na pele o que está acontecendo na atualidade. Se antes ele acreditava que as possibilidades de tal fatalidade acontecer em sua família eram baixas, hoje ele consegue enxergar a urgência de se desapegar das redes sociais como força propulsora de verdadeiras conexões.

Reforçando que nunca é tarde para que jovens, adultos e crianças busquem apoio e ajuda, ele lamenta o fato de não poder estar perto do filho no momento em que tudo aconteceu. César pede que os pais voltem a ser mais próximos dos filhos, buscando sempre encontrar sinais de que algo não vai bem. Além disso, ele defende que exista uma relação de amizade entre os familiares, para que sempre exista uma porta aberta para o diálogo.

O jovem tirou a própria vida depois de receber comentários ofensivos nas redes sociais, e sua mãe, em outra ocasião, disse que também está abalada pela sua perda. Explicando que Lucas já tinha demonstrado que existia algo errado, suas consultas no psicólogo não chegaram a conseguir protegê-lo dos ataques virtuais.

César ainda pede que todos ajudem a cuidar da juventude, e que todos precisam se tratar com mais respeito e amor, além de ajudar a fomentar empatia, respeito e um olhar mais terno ao próximo, com Deus no coração. Afirmando que vai seguir lutando pela causa, ele pretende impedir que outras pessoas passem pelo que o filho passou, para que não sofram na mesma proporção.

Os seguidores se mostraram emotivos e sensibilizados com a mensagem, que tocou principalmente os pais de adolescentes. O caso leva a uma discussão sobre formas saudáveis de lidar com as redes sociais, além da possibilidade de existir punição em caso de preconceito virtual, coisa que, até o momento, ainda não possui legislação específica.

0 %