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O que é alopecia? Entenda a doença de Jada Pinkett Smith, esposa de Will Smith

Jada

O Oscar 2022 teve uma situação bastante inusitada este ano: Will Smith agrediu o comediante Chris Rock após este último fazer uma piada sobre o visual careca da esposa do ator, Jada Pinkett Smith. Acontece que a atriz sofre de alopecia, doença caracterizada pela redução total ou parcial de cabelos em alguma região da cabeça – a chamada calvície.

Trata-se de um problema que se divide em dois tipos principais: androgênica e areata. Ambos os casos não são contagiosos e afetam pessoas de todas as idades. A calvície mais comum é a alopecia androgênica, que afeta os homens em maior escala do que as mulheres.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a perda de cabelo neles tende a se concentrar no topo do couro cabeludo. Já no caso delas, as falhas são difusas entre as regiões da cabeça, como as famosas “entradas”.

O problema pode ser desencadeado por inúmeros fatores de ordem genética e hormonal. Além disso, o excesso de hormônios andrógenos (masculinos) também pode ser associado à queda de cabelo – como o próprio nome indica. Por sua vez, a alopecia areata é caracterizada por falhas circulares sem a presença de nenhum fio de cabelo. Em alguns casos, a perda dos fios pode ser discreta e, em outros, atingir todo o couro cabeludo.

BASTANTE SOFRIMENTO

Desde sempre, as mulheres são castigadas com uma espécie de “obrigação” de serem bonitas. O sofrimento feminino de se achar insuficiente com sua aparência movimenta uma indústria da beleza que fatura bilhões por ano, e enche consultórios de Psicologia com queixas que vão desde a insatisfação com a própria aparência, passando pela rejeição do companheiro, e acabando na inevitável e injusta comparação com outras mulheres que estariam mais de acordo com os padrões de beleza da época.

Como lembra a psicóloga Maria Rafart, quando falamos no imaginário coletivo, mulheres têm cabelos fartos e homens têm cabelos curtos. Isso faz com que, na prática, um homem careca tenha mais aceitação do que uma mulher que perdeu seus cabelos. Assim, mulheres portadoras de quaisquer doenças que causem calvície, como algumas doenças autoimunes ou alopecia androgenética, têm pavor de se tornarem calvas.

“Isto afeta seu psicológico de forma intensa. Algumas mulheres contam de forma obsessiva os fios de cabelos que caem diariamente; outras ainda os guardam, tentando fazer uma espécie de luto pela cabeleira que estão prestes a perder”, ressalta a especialista.

E a vergonha de se apresentar publicamente com falhas no couro cabeludo também é muito comum, o que faz com que muitas mulheres prefiram tentar esconder que são portadoras de doenças que causem calvície. “Quando alguém próximo, por exemplo, no trabalho, aponta para este problema, é comum que fiquem tristes com o fato de sua doença estar muito aparente. A depressão é um quadro que costuma acompanhar estes casos”, diz Maria.

Por isso, na opinião da especialista, é necessário compreender o contexto no qual aconteceu o episódio no Oscar, na noite de domingo (27). “A família da Jade certamente conhece de perto o seu sofrimento com a queda de cabelo, e por isso a reação à brincadeira sem graça, e eu diria até abusiva, sobre o tema.”

PONTOS DE VISTA

A atriz Luana Xavier deu sua visão sobre a cena do Oscar em suas redes sociais. Para ela, ver aquilo doeu de diversas formas, especialmente por serem dois homens negros brigando. “Perdemos todos! E nessas horas quem ganha são os racistas de plantão, prato cheio pra todos eles. Mas no fim das contas, como bem disse @danilucianas : “…foi fazer piada pra branquitude aplaudir e tomou. ”

Já para o filósofo e escritor Henry Bugalho, que falou sobre o tema em seu canal no Youtube, aceitar a agressão é abrir as portas para comportamento do tipo “Me atacou, ataco de volta.” “Se a gente aceitar, pelo menos em tese, que uma piada pode ser tão agressiva quanto um soco ou um tapa […] que houve uma agressão e que Will Smith retribuiu a agressão […] aí a gente começa a abrir as comportas para um tipo de comportamento socialmente destrutivo”, avalia Henri Bugalho. “Isso é abrir portas para [aceitar aquela teoria do] bandido bom é bandido morto.”

Reveja a cena da agressão:

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