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Quantas cantoras lésbicas você conhece? Saiba quem são as artistas que fogem da norma feminina

Foto: Reprodução
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Por frequentar o topo das paradas, a cantora Ludmilla é a primeira mulher que vem à mente quando pensamos em artistas que falam abertamente sobre relações lésbicas. Grandes nomes da MPB, como Cássia Eller, Ana Carolina e Zélia Duncan, também são recorrentes, mas quantas cantoras você conhece que escapam dos padrões femininos de gênero?

Foi pensando nisso que nasceu a produtora Radar Energia Dykezona, formada por Nadine Campos, Bianca Buteikis e Maria Clara Costa. Em 2021, elas analisaram as 14 principais playlists editoriais do Spotify e, além de outros dados, descobriram que nelas só existiam 7,5% de mulheres lésbicas presentes. “A ideia em si nasceu de uma mistura de incômodos que nos levaram a enxergar que, na verdade, nunca nos sentimos vistas de fato nesse lugar”, escreveu o trio, por e-mail.

Através da análise, elas perceberam duas coisas: existem muitas artistas lésbicas que não estão sendo representadas; além disso, segundo elas, “é impossível mapear e falar sobre a presença sapatão sem considerar pessoas não binárias e transmasculinos, porque essas experiências se cruzam”. “É muito comum, por exemplo, encontrar histórias de artistas que iniciaram suas carreiras posicionando-se como sapatonas e eventualmente passaram pelo processo de transição de gênero, ou mesmo de artistas não-bináries que se declaram lésbicas”, apontam.

De acordo com as produtoras, existem muitas barreiras para aquelas que decidem nadar contra toda a correnteza, por isso é tão importante falar sobre o tema. “Por não conseguir performar uma feminilidade “padrão”, é comum que tenhamos uma autoestima minada, em que somos empurrades a um lugar bastante hostil de onde é dificílimo sair.”

Através do instagram @energiadykezona, elas divulgam e enaltecem artistas que fogem da feminilidade óbvia. “Entendemos que, talvez, a música seja só o veículo inicial para discutir de forma muito mais profunda um assunto, e, como legado, almejamos que essas artistas possam viver de suas artes, e que as novas gerações tenham cada vez mais representações de pessoas como elas.”

Conheça algumas das artistas lésbicas e não-bináries que vem subvertendo o cenário musical do Brasil:

Theo Charbel

Cantora, compositora e multi-instrumentista, Theo Charbel pode ser vista tocando em grupos como Papisa e Ema Stoned, ou com artistas como Gali Galó e Mel. Nos últimos anos, tem se aventurado em experimentações eletrônicas e sonoridades dos anos 80.

Katú Mirim

Além de recontar a história da colonização através da visão indígena, a rapper Katú Mirim também usa seu som para mostrar que os indígenas LGBTs existem. Depois de um EP e alguns singles, em 2022, ela lançou “Revolta”, seu primeiro álbum.

Gali Galó

Com modas de rasgar o peito e de dançar, Gali Galó é artista não-binário do queernejo, que transcende o gênero e canta sobre amores, perdas e alegrias. Sucessos como “Caminhoneira” e “Aceita” unem a tradição da viola caipira com histórias que não costumam ser contadas.

Mel & Kaleb

A dupla formado por um homem gay e uma mulher lésbica (ambos cis) conta com as vozes potentes de Mel e Kaleb, que cantam sobre temas pouco discutidos no sertanejo, como é possível ouvir no hit não-monogâmico “Por você (tudo tudo bem)”. São conhecidos como a primeira dupla do movimento queernejo.

BadSista

A dj, produtora e instrumentista BadSista já era conhecida por trabalhos com as cantoras Linn da Quebrada e Jup do Bairro quando lançou “Gueto Elegance”, em 2021, que mistura gêneros como o funk, o techno e o rap.

Aíla

A voz marcante da cantora Aíla é uma das principais do pop amazônico contemporâneo. Sempre refletindo sobre questões de gênero e feminismo, nos últimos meses, a artista tem mergulhado nos ritmos populares que nascem nas periferias do Brasil.

Crime Caqui

Com os dois pés no dream pop e no post rock, o quarteto formado por mulheres lésbicas usa sons oníricos para criar uma ambientação sonora original, perfeita para viajar. Em 2022, lançaram seu primeiro álbum “Atenta”.

Sapataria

Através do punk/hardcore, o grupo formado por quatro mulheres lésbicas faz um som subversivo sobre preconceito da família, auto-aceitação e outras questões que orbitam suas vidas.

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